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Fading Echo: um RPG de ação que transforma elementos em uma aventura surpreendente

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Fading Echo

Existem jogos independentes que tentam inovar apenas para parecer diferentes. Fading Echo consegue transformar sua principal ideia em parte fundamental da experiência.

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Desenvolvido pela Emeteria, o jogo combina RPG de ação, plataforma, quebra-cabeças e combate baseado em elementos. Além disso, sua protagonista consegue alterar a própria forma para superar diferentes obstáculos.

O resultado é uma aventura bastante criativa, especialmente quando suas mecânicas começam a conversar entre si. Entretanto, algumas decisões de design prejudicam uma experiência que poderia alcançar um nível ainda maior.

A exploração pouco intuitiva, alguns problemas técnicos e uma narrativa apenas funcional impedem Fading Echo de atingir todo seu potencial. Mesmo assim, existem motivos suficientes para recomendar essa pequena e curiosa aventura.

Uma história simples, mas que combina com a proposta

Fading Echo coloca o jogador no controle de One, uma jovem que desperta sem memórias em um universo desconhecido. Ela acaba chegando a Corel, formada por estranhas ilhas desérticas flutuantes.

A situação fica ainda mais complicada quando uma força chamada Paradoxo ameaça destruir a realidade. Ao mesmo tempo, One descobre uma ligação especial com o Éter. Essa energia permite que ela transforme seu corpo em água.

A partir desse poder, One começa a compreender seu passado e sua importância naquele universo. Além disso, a personagem precisa viajar por diferentes dimensões para impedir que uma corrupção se espalhe.

A narrativa não é exatamente o ponto mais forte da aventura. Porém, ela funciona como uma justificativa eficiente para apresentar as habilidades da protagonista. As cutscenes em formato de história em quadrinhos também combinam muito bem com a identidade do jogo.

Um combate que transforma os elementos em armas

O grande destaque de Fading Echo está na jogabilidade. O combate combina ataques rápidos, combos e diferentes elementos em uma fórmula bastante divertida.

Os inimigos possuem características elementais próprias. Portanto, compreender suas fraquezas é fundamental para derrotá-los com eficiência. Um adversário baseado em fogo, por exemplo, pode ser enfraquecido através da água.

One também consegue utilizar diferentes elementos enquanto está transformada. Dessa maneira, fogo, água, terra, lava e outros elementos passam a fazer parte da resolução dos confrontos.

Essa mecânica também funciona fora do combate. A protagonista pode atravessar grades como água, utilizar substâncias tóxicas para realizar grandes saltos e transformar lava em vapor. Assim, o jogo transforma seus poderes em ferramentas constantes de exploração.

Quebra-cabeças são o verdadeiro destaque da aventura

Embora o combate seja divertido, os quebra-cabeças representam uma das melhores partes de Fading Echo. O jogo constantemente apresenta situações que exigem experimentação com as habilidades de One.

A transformação em água permite atravessar locais inacessíveis pela forma humana. Além disso, diferentes elementos modificam as possibilidades de movimentação. Portanto, observar o cenário passa a ser tão importante quanto dominar os combos.

Essa integração entre plataforma e poderes elementais funciona especialmente bem. Em vez de parecerem desafios separados, combate e exploração utilizam as mesmas ferramentas. Consequentemente, o jogador aprende novas possibilidades naturalmente.

A árvore de habilidades também amplia essas opções durante a campanha. Novas melhorias fortalecem ataques, habilidades especiais, vida e escudos. Dessa forma, existe uma progressão simples, mas suficiente para manter a sensação de evolução.

Elementos contra o jogo!

Fading Echo oferece mapas relativamente abertos e permite escolher diferentes caminhos. Essa liberdade poderia estimular bastante a exploração. Infelizmente, a ausência de um mapa transforma essa característica em uma das maiores fraquezas.

Diversas áreas possuem identidade visual semelhante. Por isso, é bastante fácil perder completamente a noção de direção durante a aventura. Em determinados momentos, fica difícil saber se estamos avançando ou retornando.

O problema se torna mais evidente quando decidimos explorar uma direção diferente. Como o jogo apresenta quatro caminhos a partir de Corel, acompanhar a própria progressão exige bastante atenção.

É uma pena, porque os cenários escondem bons quebra-cabeças e recompensas. Uma sinalização mais eficiente resolveria boa parte desse problema. Assim, Fading Echo manteria sua liberdade sem sacrificar o ritmo da campanha.

Uma direção de arte cheia de personalidade

Visualmente, Fading Echo é uma das suas maiores surpresas. O jogo utiliza cores vibrantes, ilhas flutuantes e efeitos elementais bastante chamativos.

A direção artística possui forte influência de histórias em quadrinhos. Essa característica aparece nas cutscenes, nas interações e em diversos efeitos apresentados durante a aventura.

O estilo pode causar certa estranheza inicialmente. Pessoalmente, o visual dos personagens e do mundo demorou um pouco para conquistar minha atenção. Porém, conforme avancei, passei a apreciar cada vez mais sua personalidade.

As animações também ajudam bastante. Movimentar One pelos cenários é satisfatório, enquanto os efeitos tornam cada transformação visualmente interessante. É uma direção artística que consegue fazer Fading Echo ser imediatamente reconhecível.

Dublagem excelente, mas som pouco inspirado

O trabalho de voz é um dos grandes destaques da produção. A dublagem brasileira consegue transmitir personalidade aos personagens e melhora consideravelmente as cenas.

As interpretações também ajudam a compensar uma narrativa que poderia ser mais envolvente. Mesmo quando a história não consegue despertar tanto interesse, as performances mantêm as interações agradáveis.

Por outro lado, a trilha sonora não acompanha o mesmo nível de criatividade. As composições são competentes e cumprem sua função, mas não apresentam a mesma personalidade do visual.

Esse contraste é perceptível porque Fading Echo consegue inovar em praticamente todos os outros aspectos. Uma trilha mais marcante poderia ter transformado o apartado sonoro em outro grande diferencial.

Desempenho e progressão

Durante a experiência, o jogo apresentou bom desempenho geral. Não encontrei travamentos ou engasgos significativos que comprometessem a aventura.

Entretanto, a câmera demorou um pouco para se tornar confortável. Depois de alguns ajustes e tempo de adaptação, esse problema deixou de incomodar tanto durante a exploração.

A progressão também funciona de maneira eficiente. Ao derrotar inimigos e encontrar recursos escondidos, One recebe experiência para desbloquear novas habilidades.

O sistema de melhorias incentiva a exploração e oferece ferramentas úteis para enfrentar inimigos mais poderosos. Porém, o combate perde um pouco de variedade durante a segunda metade da campanha. Felizmente, os quebra-cabeças continuam mantendo a experiência interessante.

Vale a pena jogar Fading Echo?

Fading Echo é exatamente o tipo de produção independente que merece ser descoberta. Sua combinação de combate, plataforma e elementos cria uma experiência criativa.

O maior mérito está na maneira como suas mecânicas conversam entre si. A transformação de One não serve apenas para combater inimigos. Ela também modifica completamente a maneira como exploramos e solucionamos problemas.

Existem problemas importantes, principalmente na exploração e na narrativa. A ausência de um mapa dificulta bastante a navegação. Além disso, o combate poderia apresentar novas ideias durante a segunda metade.

Ainda assim, Fading Echo entrega uma aventura compacta, bonita e extremamente criativa. Para quem procura uma experiência diferente, especialmente entre RPGs de ação independentes, vale dar uma chance ao jogo.

A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave para review do jogo.

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