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Agent 64: Spies Never Die: O retorno indireto do Agente do N64

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Agent 64

O pessoal da Comunidade Mega Drive costuma me zoar dizendo que, mesmo tendo sido um dos ‘chefes’ do grupo no passado, eram os jogos do Nintendo 64 que mais me tiravam do sério. Não é bem assim, mas admito que tenho uma ligação afetiva forte com o console. Na época, ter um N64 no Brasil era um luxo; os cartuchos eram caríssimos, até mesmo as fitas piratas pesavam no bolso.

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Minha reação neutra quando soube que foi disponibilizado a chave do game para a CMD

E um dos poucos jogos que tive foi justamente o GoldenEye 007. Eu joguei até cansar  e abrir absolutamente tudo o que o jogo tinha a oferecer. E quando digo tudo, foi na raça: liberei o famigerado cheat de Invencibilidade na fase Facility (dificuldade 00 Agent abaixo de 2:05) sem usar truques ou exploits de speedrunner, contando puramente com paciência e torcendo para o desgraçado Dr. Doak aparecer no lugar certo. Comecei a ficar calvo nesse período ! A única frustração era o multiplayer: eu fiquei tão viciado que ninguém queria mais jogar comigo, mesmo configurando meu health para o mínimo…

É por ter esse “currículo gamer” cravado na pele que me sinto na obrigação, e no privilégio, de analisar o Agent 64: Spies Never Die não apenas como um jogador casual, mas como alguém que viveu a era de ouro dos FPS de 64-bits e ainda considera o clássico da Rare uma obra-prima.

A Arte de Homenagear

Agent 64: Spies Never Die foi desenvolvido por fãs reais de GoldenEye 007. O cuidado em replicar a ambiência e a física original impressiona logo nos primeiros minutos. Longe de parecer uma cópia, o título demonstra um carinho absurdo para recriar toda a sensação de 1997:

  • Movimentação e Armas: A cadência dos passos, a velocidade de rotação e a maneira de recarregar as armas parecem ter saído diretamente da engrenagem da Rare, o personagem só abaixa a arma e levanta ela. Sabemos que há a tecnologia pra mostrar o reload mais detalhado, mas aqui isso tiraria parte da graça;

Até o sistema de mira da Sniper é igual, um zoom-in bruto e direto na tela.

  • Física e Reação dos Inimigos: Os inimigos reagem igual, pulam quando levam um tiro na perna, soltam a arma ao serem atingidos ou dobram o corpo ao tomar um disparo no tronco. Os gritos de dor e o design sonoro são tão idênticos aos da era 64-bits que parecem ter sido ripados do código fonte original.
  • Efeitos Visuais Retrô: A forma como os vidros estilhaçam em polígonos rígidos, as caixas de madeira que estouram em pedaços e ficam parecendo uma obsidiana profana e as marcas redondas de bala marcadas nas paredes como um decalque completam o pacote. E deixam claro a atenção aos mínimos detalhes da desenvolvedora!
Saca a marca das balas e chore

Relembrando como fazer missões era f*da

A campanha principal do jogo é dividida em 4 Atos que englobam 14 missões. E, como não poderia deixar de ser, o modo principal resgata exatamente a estrutura de progresso de GoldenEye: cada fase conta com três níveis de dificuldade em ordem crescente: Agent, Special Agent e o 64 Agent (nome fantástico para a dificuldade máxima).

Saca o ângulo maroto !

Não preciso me estender muito explicando essa mecânica para vocês, pois sei que estou falando com os velhos e você sabe exatamente como GoldenEye funciona. Conforme você aumenta a dificuldade, o jogo não apenas deixa os inimigos mais resistentes como diminui em muito a munição,além de exigir o cumprimento de objetivos adicionais para liberar o final da missão.

Espere encontrar todas aquelas tarefas clássicas de espionagem: coletar cartões de acesso, instalar rastreadores em helicópteros, resgatar reféns e hackear computadores usando apetrechos em 3D cuja utilidade ou visual não ficam 100% claros à primeira vista, o que está longe de ser um erro no game, acho sensacional que tenham pensado até mesmo nisso pois resgata perfeitamente a sensação de experimentação e descoberta do jogo original. Ah, e sim: temos até as famigeradas missões no estilo “escoltar a Natalya”, só que calibradas de uma forma muito menos estressante e bem mais justa do que no N64.

Essa porra é para usar aqui?

Mas e ai, jogo com controle ou mouse e teclado ?

Pode haver uma impressão que por ser uma homenagem tão direta a um game de console, que fazer uso de joystick possa trazer uma experiência mais real, adicionando essa camada extra de dificuldade que havia devido a tecnologia da época.

Mas fique tranquilo que isso não é preciso, o suporte e a precisão do mouse e teclado foram planejados pelos desenvolvedores, e não há razão alguma para burocratizar ou dificultar a jogabilidade superficialmente só para simular o perrengue da época. É a mesma lógica dessa galera que insiste que a experiência retrô só é real se for jogada em uma TV de tubo (CRT) com console real batendo o serial. Jogue com teclado e mouse sem peso na consciência.

Modos de Jogo, Desafios e Fator Replay

1. Contratos (Modo Desafio)

Ao concluir cada um dos 4 Atos do jogo, a aba Contratos é habilitada. Nela, você recebe fotografias indicando trechos específicos dos cenários já visitados onde há máscaras escondidas. O seu dever é retornar aos cenários, caçar essas máscaras e destruí-las.

Mas elas já aparecem durante as missões, se der sorte de achar já destrua

Ao concluir essa caçada, você libera os Contratos, que são um  modo desafio com regras e modificadores bastantes variados. Para dar alguns exemplos do que te espera por lá:

  • Contra o Relógio: Ter que passar de fase dentro de um tempo limite estipulado, onde se o cronômetro zerar você morre. mas pode ganhar segundos a cada inimigo eliminado;
  • One-Hit Kill: Iniciar a fase com munição infinita em uma única arma e a missão de eliminar uma quantidade x de inimigos, mas você morre com um único tiro

Esses são apenas dois cenários de uma lista recheada de desafios criativos e variados que aumentam consideravelmente o fator de rejogabilidade.

2. Modo Paradox (Os Cheats Raiz)

Inspirado na tela de truques de GoldenEye, o modo Paradox permite jogar as missões com cheats. Enquanto o modo Paradox estiver ligado, os saves são desativados, a proposta é focar no caos sem permitir “roubar” para avançar na campanha principal.

3. Challenge Leagues

Para quem gosta de batalhas dinâmicas, o jogo oferece esse dois modos. O Arena é uma liga de disputas contra inteligência artificial, ou amigos, dentro de um tempo limite, cobrindo modalidades clássicas e táticas. Novamente citando algumas:

  • Deathmatch: A tradicional corrida de eliminações para atingir a pontuação máxima;
  • Zone (Controle de Área): Regiões aleatórias do mapa começam a brilhar e a sua equipe precisa dominar e defender o local para pontuar antes que a zona mude de lugar, gerando um caos constante no mapa.
  • Briefcase: O objetivo é capturar a maleta e mantê-la em sua posse pelo maior tempo possível. O jogo ainda traz variantes solo altamente desafiadoras, colocando você contra hordas de bots bem equipados enquanto você carrega apenas armas básicas e precisa recuperar o objetivo a qualquer custo.
Mesmo com bots é extremamente divertido

4. Modo Arena e Online

O modo Arena é o legítimo multiplayer que marcou época, podendo ser online ou local. Você pode configurar o personagem, o mapa, o conjunto de armas e as regras da partida. Embora tenha me faltado companhia presencial para testar todas as nuances no sofá (lá ele), a estrutura entrega exatamente a nostalgia competitiva esperada.

Para completar, o Online é onde você conecta com os amigos para jogar os modos acima ou o modo campanha de maneira cooperativa ! Você pode entrar em salas abertas ou em privadas protegidas por código de identificação.

Missão concluída com sucesso ?

Antes de dar o veredito, só tenho uma séria crítica quanto ao valor do game no lançamento…R$65,00 ! Porque eles não tiraram um real para deixar o valor perfeito e fazer um meme por tabela ?

Ok, me doeu a perda da oportunidade, mas entendo que a pergunta real que eu deva responder a vocês é, o game vale a pena ?

Falo com toda a certeza: vale demais, mas com uma ressalva importante. É um valor que se justifica plenamente para quem viveu e jogou os clássicos do N64. Para nós, cada detalhe, som e escolha de game design entrega uma bagagem emocional gigante. Agora, se o jogador for alguém da nova geração ou que nunca teve contato com a era 64-bits, vai encontrar um jogo muito divertido, mas talvez ache o preço um pouco puxado, justamente por perder todas as referências e o “tempero” especial que tornam o título único.

Ainda assim, não há do que reclamar disso: a proposta é cristalina desde o primeiro momento. O próprio nome do jogo já entrega exatamente a que veio.

Agent 64: Spies Never Die cumpre com folga o que prometeu durante o seu longo período de desenvolvimento. Ele não é apenas um tributo estético; é um jogo funcional, desafiador e refinado, feito sob medida tanto para os fãs game para o Nintendo 64.

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