Irei fazer uma crônica sobre minha paixão sobre videogames separados aqui por postagens! Então sigamos.
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Muitos dizem que videogame é coisa de criança. Outros afirmam que os jogos eletrônicos não possuem futuro ou questionam qual seria a lógica de passar minutos, horas, dias e até meses jogando o mesmo título. Para essas pessoas, normalmente o videogame continua sendo apenas um “joguinho”, algo passageiro e sem importância.
Entretanto, a minha relação com os videogames sempre foi muito diferente dessa visão. Eu nunca consegui enxergar essas máquinas apenas como brinquedos ou produtos descartáveis. Elas fizeram parte da minha infância, acompanharam diferentes fases da minha vida e despertaram uma curiosidade que acabou influenciando até mesmo minhas escolhas profissionais.
Videogame é coisa nova
Eu não vou dizer que videogame é uma arte milenar, porque ele não é. Os jogos eletrônicos surgiram há pouco mais de cinquenta anos e representam uma forma de expressão muito mais recente do que cinema, rádio, música e literatura. Porém, o fato de ser uma mídia jovem não diminui sua importância. Assim como qualquer outra criação humana, os videogames também carregam ideias, emoções, criatividade e diferentes formas de contar histórias.
Mas este texto não existe para comparar videogames com outras manifestações culturais ou tentar provar que uma mídia é superior à outra. A proposta aqui é muito mais simples: contar a minha história com videogames e explicar como essas máquinas passaram de uma curiosidade infantil para uma paixão que me acompanha até hoje.
Não sei dizer exatamente quando conheci os videogames. Devia ter cinco, seis ou sete anos, talvez um pouco mais ou um pouco menos. A memória da infância raramente funciona como um arquivo organizado, cheio de datas e acontecimentos perfeitamente registrados. Em vez disso, ela guarda momentos específicos, imagens soltas e sensações que permanecem mesmo quando muitos detalhes desaparecem com o tempo.
Lembranças
A lembrança mais forte que tenho é estar diante de uma televisão jogando naquele aparelho misterioso que parecia quase mágico para uma criança. Era uma caixa de plástico conectada a uma tela, mas conseguia criar algo completamente diferente de qualquer brinquedo que eu conhecia. Bastava apertar alguns botões para que personagens se movessem, veículos respondessem aos comandos e mundos inteiros surgissem diante dos meus olhos.
Naquela época, eu não entendia como aquilo funcionava. Eu não sabia o que era um processador, uma memória ou qualquer outro componente eletrônico que, anos depois, despertaria minha curiosidade pela computação. Eu apenas sabia que aquela máquina respondia às minhas ações e que existia uma sensação única em participar daquilo que acontecia na tela.
Memórias
A minha memória mais viva é de um Atari 2600 pertencente a um primo. Também me lembro de ter jogado um Magnavox Odyssey², um Intellivision e um MSX. Se alguém me perguntar qual deles veio primeiro, qual foi exatamente o primeiro jogo que experimentei ou qual era a ordem desses acontecimentos, infelizmente não saberei responder.
A memória não guardou uma linha do tempo perfeita. Ela guardou a descoberta de uma nova forma de brincar, de interagir e de imaginar.
O que permaneceu comigo não foi apenas o nome de um console ou de um jogo específico, mas a sensação de perceber que aquelas máquinas conseguiam criar experiências muito maiores do que o simples ato de apertar botões. O videogame permitia participar de uma aventura, controlar personagens e descobrir lugares que existiam apenas dentro daquela pequena tela.
Quem conhece a história dos videogames no Brasil já percebeu que tudo isso aconteceu durante a década de 1980. Naquele período, os jogos eletrônicos começavam a conquistar espaço nas casas brasileiras, principalmente através de familiares, amigos ou conhecidos que possuíam algum console.
Oportunidades
No meu caso, foram essas oportunidades, principalmente através dos meus primos, que fizeram nascer uma paixão que nunca mais desapareceu. O videogame começou como uma simples diversão infantil, mas aos poucos se transformou em algo muito maior. Eu queria conhecer novos jogos, descobrir como cada experiência funcionava e entender por que aquelas máquinas conseguiam despertar tanta curiosidade.
Também não importava muito onde eu estava jogando. A televisão podia ser colorida ou preto e branco, pequena ou maior, moderna ou simples. O que realmente importava era que aquele aparelho transmitisse o mundo que o jogo estava disposto a apresentar.
Passei horas diante de televisores coloridos de 14 e 20 polegadas, mas também joguei em pequenas televisões preto e branco, daquelas que muitas pessoas traziam do Paraguai. Hoje, quando pensamos em videogames, é comum falar sobre resolução, HDR, telas gigantes e qualidade de imagem. Naquela época, nada disso fazia parte da conversa.
A imagem podia ter limitações. O som podia ser simples. A televisão podia precisar de ajustes para funcionar corretamente. Mesmo assim, quando o jogo começava, tudo isso ficava em segundo plano. A tecnologia ainda estava longe do que temos atualmente, mas a imaginação completava aquilo que o hardware não conseguia entregar.
Viajar por entre mundos
Foi justamente essa capacidade de criar mundos que fez o videogame se tornar tão marcante para mim. Antes mesmo de entender a parte técnica por trás dos aparelhos, eu já compreendia que existia algo diferente ali. Não era apenas assistir a uma história acontecer. Eu participava dela.
Essa diferença talvez seja uma das maiores forças dos jogos eletrônicos. Eles permitem que o jogador deixe de ser apenas um observador e passe a fazer parte daquela experiência. Cada comando, cada tentativa e cada descoberta criam uma relação pessoal que não existe da mesma forma em outras mídias.
Foi assim que começou a minha história com videogames. Não com uma coleção de consoles. Não com uma marca favorita. Não com uma discussão sobre qual aparelho era melhor.
Começou apenas com uma criança diante de uma televisão tentando entender como uma caixa de plástico conseguia criar mundos inteiros.






