Os jogos de corrida costumam seguir uma fórmula bastante conhecida. Campeonatos, veículos para desbloquear, objetivos bem definidos e uma longa lista de desafios fazem parte da experiência tradicional do gênero. Lanesplit, desenvolvido por Shakya Ranatunga sob o selo FunkyMouse, decide seguir um caminho completamente diferente.
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Aqui não existem corridas, adversários controlados pela inteligência artificial ou campanhas para completar. O único objetivo é acelerar, desviar do trânsito e permanecer o maior tempo possível sem bater. Essa proposta minimalista chama atenção logo nos primeiros minutos e consegue transmitir uma curiosa sensação de liberdade.
Entretanto, quando a novidade passa, fica evidente que boas ideias nem sempre são suficientes para sustentar toda a experiência. Embora a base seja extremamente promissora, Lanesplit ainda transmite a impressão de um projeto que poderia ter permanecido mais algum tempo em desenvolvimento antes de chegar ao público.
Uma experiência construída sobre velocidade
Lanesplit praticamente elimina qualquer tipo de introdução. Depois de escolher uma das três regiões disponíveis, definir a quantidade de trânsito e selecionar entre clima seco ou chuvoso, o jogador já está sobre uma motocicleta pronto para acelerar. Não existem objetivos narrativos, personagens ou modos de carreira. A proposta gira exclusivamente em torno da pilotagem e da sensação de velocidade.
À primeira vista, essa simplicidade pode causar estranhamento. No entanto, ela representa exatamente a identidade do jogo. Quanto mais rápido você pilota e mais próximo passa dos veículos, maior será sua pontuação. Qualquer colisão encerra imediatamente a sequência de pontos, obrigando o jogador a recomeçar sua escalada. Como consequência, cada viagem se transforma em um teste permanente de reflexos, concentração e coragem.

Os três mapas disponíveis oferecem ambientações bastante distintas. Sendai Loop reproduz grandes vias inspiradas em cidades japonesas, enquanto Grimsel Spiral leva a ação para estradas montanhosas cobertas de neve sob uma bela aurora boreal. Já Atlantic City aposta em avenidas urbanas movimentadas, cruzamentos fechados e trânsito intenso.
Apesar dessas diferenças visuais, a estrutura da jogabilidade permanece praticamente a mesma em todos os cenários, fazendo com que a repetição apareça relativamente cedo para quem procura objetivos mais variados.
Gameplay simples, mas extremamente viciante
O maior mérito de Lanesplit está na qualidade de sua pilotagem. As motocicletas apresentam peso convincente e exigem planejamento para cada mudança de direção. Diferentemente de muitos jogos arcade, não basta mover o analógico rapidamente entre os carros. As motos precisam inclinar o suficiente antes de responder completamente ao comando, criando uma sensação bastante natural de deslocamento.
Essa característica torna as partidas muito mais tensas quando o trânsito está configurado no nível máximo. Desviar de caminhões e automóveis a mais de 180 km/h produz momentos realmente eletrizantes. O excelente trabalho realizado na sensação de velocidade também merece destaque. O desfoque de movimento, os efeitos sonoros, a vibração da câmera e o ruído do vento colaboram para transmitir a impressão de que qualquer pequeno erro pode terminar em um acidente.

Ao mesmo tempo, a falta de conteúdo pesa bastante. Não existem campeonatos, desafios estruturados ou progressão significativa além do desbloqueio de novas motos através da pontuação. O modo multiplayer também se limita praticamente à disputa por recordes. Para alguns jogadores, essa proposta minimalista será justamente seu maior atrativo.
Outros, entretanto, podem sentir que a experiência perde força depois de poucas horas. Lanesplit funciona muito bem como um jogo para relaxar durante alguns minutos, mas dificilmente mantém o interesse por longas sessões.
Atmosfera excelente, acabamento ainda irregular
Visualmente, Lanesplit impressiona, principalmente considerando que se trata de um projeto desenvolvido praticamente por uma única pessoa. Os cenários apresentam ótima iluminação, belas paisagens e excelentes efeitos climáticos. A chuva modifica completamente a atmosfera das estradas, enquanto a aurora boreal em Grimsel Spiral cria alguns dos momentos mais bonitos do jogo. O estilo visual mistura realismo com uma estética vaporwave repleta de filtros inspirados em fitas VHS, produzindo uma identidade bastante marcante.
A trilha sonora acompanha perfeitamente essa proposta. As músicas transitam entre synthwave, breakcore e faixas eletrônicas relaxantes, criando uma experiência quase hipnótica durante as viagens mais tranquilas. Em diversos momentos, Lanesplit lembra aqueles vídeos de longas viagens de carro utilizados para relaxar, oferecendo uma atmosfera difícil de encontrar em outros jogos de corrida.

Infelizmente, o acabamento técnico ainda deixa bastante a desejar. Problemas de colisão aparecem com frequência, principalmente em algumas pistas onde é possível atravessar barreiras e sair completamente do cenário. Também existem falhas de texturas, bugs visuais, menus pouco intuitivos e suporte inconsistente para controles.
Em alguns casos, esses problemas chegam a comprometer diretamente a experiência, tornando difícil recomendar o jogo sem algumas ressalvas. Felizmente, o desempenho geral permanece bastante sólido, mesmo utilizando configurações gráficas elevadas.
Vale a pena?
Lanesplit apresenta uma ideia extremamente interessante. Sua proposta minimalista consegue transformar algo aparentemente simples em uma experiência surpreendentemente envolvente. Pilotar por estradas quase vazias ao som de uma excelente trilha sonora produz momentos bastante relaxantes. Da mesma forma, aumentar o trânsito ao máximo cria desafios intensos para quem busca superar recordes e testar seus reflexos.
Entretanto, a sensação constante é que o jogo chegou cedo demais ao mercado. A estrutura básica funciona muito bem, mas a ausência de conteúdo mais robusto e os diversos problemas técnicos impedem que seu enorme potencial seja plenamente aproveitado. Pequenos ajustes de interface, correções nas colisões e modos adicionais fariam enorme diferença para ampliar sua longevidade.
Mesmo assim, existe muito talento por trás do projeto de Shakya Ranatunga. Se futuras atualizações resolverem os principais problemas, Lanesplit poderá se tornar uma excelente referência para quem procura uma experiência de pilotagem diferente dos simuladores tradicionais. Por enquanto, trata-se de um jogo bastante promissor, recomendado principalmente para quem aprecia velocidade, relaxamento e desafios baseados exclusivamente na própria habilidade.
A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave para review do jogo.






