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Dead or Alive 6 Last Round (PS5) | A versão definitiva de um dos fighters mais divertidos da geração?

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Dead or Alive 6

Poucas franquias conseguem carregar tantos preconceitos quanto Dead or Alive. Durante anos, a série ficou conhecida muito mais pela sexualização de parte de seu elenco feminino do que pela qualidade de sua jogabilidade. No entanto, quem acompanha os jogos da Team Ninja sabe que essa fama sempre escondeu um dos sistemas de combate mais técnicos, acessíveis e divertidos do gênero que está em Dead or Alive 6.

Sete anos após o lançamento original de Dead or Alive 6, a Koei Tecmo apresenta Dead or Alive 6 Last Round, uma nova edição desenvolvida para PlayStation 5 e Xbox Series X|S. A proposta não é reinventar a experiência, mas oferecer melhorias visuais, incluir parte do conteúdo lançado posteriormente e preparar terreno para o futuro da franquia.

A boa notícia é que a base continua excelente. O sistema de combate permanece extremamente sólido, o desempenho recebeu melhorias importantes e o visual ganhou um belo salto graças ao HDR, resolução em 4K e ao novo sistema de iluminação. A má notícia é que a quantidade de novidades talvez não seja suficiente para convencer quem já possui a versão original.

Mesmo assim, para novos jogadores, Last Round representa a melhor forma de conhecer uma das franquias de luta mais subestimadas da indústria.


História

Narrativa nunca foi exatamente o ponto forte da série Dead or Alive, e isso continua verdadeiro em Last Round. A campanha reúne diversos capítulos focados em personagens diferentes, acompanhando conflitos envolvendo ninjas, organizações militares, experimentos científicos e rivalidades pessoais. O problema é que todos esses acontecimentos são apresentados de maneira bastante fragmentada, tornando difícil acompanhar uma linha narrativa coerente.

A estrutura adotada também não ajuda. Em vez de apresentar uma sequência cronológica clara, o modo História é dividido em episódios individuais que alternam constantemente entre diferentes protagonistas. O resultado é uma experiência que exige esforço do jogador para compreender o que realmente está acontecendo, quebrando o ritmo entre uma luta e outra.

Felizmente, a campanha nunca foi o principal atrativo da franquia. Ela funciona mais como um pretexto para colocar os personagens frente a frente e justificar os confrontos do que como uma narrativa realmente memorável. Quem procura um modo história cinematográfico, como acontece em séries concorrentes, dificilmente encontrará isso aqui.

Por outro lado, o enorme carisma do elenco continua sendo um dos pilares da série. Cada lutador possui personalidade própria, estilos de combate bastante distintos e animações muito bem produzidas, fazendo com que seja fácil encontrar favoritos mesmo que a história, em si, passe longe de ser um dos destaques da experiência.

Jogabilidade | O sistema triangular continua sendo o grande diferencial

Se existe um motivo para Dead or Alive continuar sendo lembrado com carinho pelos fãs de jogos de luta, esse motivo atende pelo nome de sistema triangular. A mecânica que coloca ataques, agarrões e contra-ataques em constante equilíbrio continua sendo uma das propostas mais inteligentes do gênero. Em vez de incentivar apenas longos combos ou sequências impossíveis de decorar, o jogo recompensa leitura do adversário, reflexos e tomada de decisão, fazendo com que cada luta pareça uma verdadeira disputa estratégica.

Essa filosofia torna Dead or Alive 6 Last Round extremamente acessível para iniciantes sem sacrificar a profundidade que jogadores experientes procuram. Em poucos minutos é possível compreender os comandos básicos e começar a realizar boas sequências de golpes. Ao mesmo tempo, dominar o tempo dos contra-ataques, entender a distância ideal dos agarrões e aprender as propriedades específicas de cada personagem exige prática, oferecendo uma curva de aprendizado bastante recompensadora.

Outro ponto importante é a permanência das mecânicas introduzidas em Dead or Alive 6, como o Fatal Rush, Break Blow e Break Hold. O Fatal Rush permite executar combos eficientes pressionando repetidamente um único botão, reduzindo bastante a barreira de entrada para novos jogadores. Já o Break Blow funciona como um golpe especial devastador, enquanto o Break Hold oferece uma poderosa ferramenta defensiva capaz de interromper ataques inimigos nos momentos certos. Esses recursos adicionam dinamismo aos confrontos sem comprometer o equilíbrio do sistema principal.

O resultado é um jogo de luta extremamente rápido, técnico e divertido. Ao contrário da impressão que muitos ainda possuem da franquia, vencer não depende de apertar botões aleatoriamente. Os contra-ataques punem facilmente jogadores descuidados, os agarrões castigam adversários excessivamente defensivos e a leitura constante do comportamento do oponente acaba sendo tão importante quanto a execução dos golpes. É justamente esse equilíbrio entre simplicidade e profundidade que continua fazendo de Dead or Alive 6 Last Round um dos fighters mais agradáveis de jogar.


Conteúdo | Uma quantidade respeitável de modos de jogo

Mesmo após tantos anos de mercado, Dead or Alive 6 Last Round continua oferecendo uma quantidade bastante generosa de conteúdo para quem prefere jogar sozinho. Além do tradicional Arcade, estão presentes modos como Survival, Time Attack, Versus Local, Treinamento, desafios de combos e o divertido DOA Quest, que funciona como uma espécie de campanha paralela repleta de objetivos específicos. É uma excelente forma de aprender novas mecânicas enquanto desbloqueia itens cosméticos para os personagens.

O modo de treinamento merece destaque especial. Poucos jogos do gênero conseguem explicar suas mecânicas com tanta clareza. Desde conceitos básicos até técnicas avançadas, praticamente tudo é apresentado por meio de desafios progressivos que ajudam tanto iniciantes quanto veteranos a aperfeiçoarem suas habilidades. Para quem deseja realmente dominar o sistema de combate, trata-se de uma ferramenta extremamente completa.

A versão Last Round também amplia o elenco disponível logo de início. Personagens como Nyotengu, Phase 4, Momiji, Rachel e Tamaki já acompanham esta edição, aumentando ainda mais a variedade de estilos de luta disponíveis. Cada personagem possui comandos, ritmo e características bastante distintas, incentivando o jogador a experimentar diferentes abordagens até encontrar aquela que melhor combina com seu estilo.

A principal novidade inédita, entretanto, é o excelente Photo Mode. Embora esse tipo de recurso raramente seja determinante para a compra de um jogo, a Team Ninja investiu bastante na ferramenta. É possível controlar iluminação, expressões faciais, partículas, suor, poses e diversos outros detalhes para criar imagens bastante elaboradas. Para fãs da franquia e criadores de conteúdo, trata-se de um bônus muito bem-vindo e surpreendentemente completo.

Visual e desempenho | Um salto gráfico bem-vindo, mas discreto

Embora Dead or Alive 6 Last Round não possa ser considerado um remaster completo, a diferença visual em relação às versões da geração passada é facilmente perceptível. A resolução em 4K, o suporte a HDR e as melhorias na iluminação deixam o jogo muito mais bonito, valorizando principalmente os modelos dos personagens e os efeitos durante as lutas. O desempenho continua priorizando os 60 quadros por segundo, algo essencial para um jogo competitivo, garantindo partidas rápidas e extremamente fluidas.

O maior destaque técnico é o novo sistema de iluminação, conhecido como Oboro Engine. Em alguns cenários, a tecnologia proporciona reflexos mais naturais, sombras mais realistas e efeitos de água significativamente melhores. O resultado é um visual mais moderno, capaz de fazer alguns estágios parecerem jogos produzidos para a atual geração de consoles.

Infelizmente, essa melhoria não foi aplicada de maneira uniforme. Apenas parte das arenas recebeu o novo tratamento gráfico, enquanto outras permanecem praticamente idênticas às da versão original de 2019. Essa inconsistência acaba causando uma certa frustração, já que fica evidente o potencial técnico que o jogo poderia atingir caso todo o conteúdo tivesse recebido o mesmo cuidado.

No restante, a direção artística continua muito competente. As animações permanecem entre as melhores do gênero, os golpes possuem excelente impacto visual e as arenas seguem bastante interativas, permitindo lançar adversários contra paredes, objetos e diferentes níveis do cenário. Mesmo sem competir diretamente com os títulos mais recentes da geração atual, Dead or Alive 6 Last Round envelheceu muito melhor do que muitos imaginavam.


Nem tudo evoluiu | Oportunidades desperdiçadas

Se por um lado a nova edição melhora a apresentação técnica, por outro ela deixa escapar algumas oportunidades importantes. A ausência de rollback netcode, tecnologia que se tornou praticamente obrigatória nos jogos de luta modernos, talvez seja a maior delas. Em uma franquia tão focada em partidas online, oferecer uma infraestrutura de rede mais robusta faria enorme diferença para a longevidade da comunidade.

A falta de crossplay também pesa negativamente. Em uma época em que praticamente todos os grandes jogos de luta permitem que jogadores de diferentes plataformas disputem partidas entre si, limitar a comunidade por console reduz significativamente o número de adversários disponíveis, especialmente considerando que se trata de um título lançado originalmente há vários anos.

Outro aspecto que pode decepcionar veteranos é a quantidade relativamente modesta de novidades. Apesar da inclusão de cinco personagens, alguns trajes inéditos e do excelente modo Foto, boa parte do conteúdo adicional continua sendo vendida separadamente. Além disso, personagens convidados de outras franquias, como Mai Shiranui e Kula Diamond, permanecem fora do pacote principal, reforçando a sensação de que esta poderia ter sido uma edição ainda mais completa.

Nada disso compromete a excelente jogabilidade do título, mas faz com que Last Round pareça mais uma atualização premium do que uma verdadeira edição definitiva. Para novos jogadores, isso dificilmente será um problema. Já quem acompanhou Dead or Alive 6 desde o lançamento talvez espere um salto maior em conteúdo.


Vale a pena?

Mesmo sete anos após seu lançamento original, Dead or Alive 6 continua sendo um dos jogos de luta mais divertidos e acessíveis disponíveis. Seu sistema triangular permanece extremamente inteligente, oferecendo profundidade suficiente para jogadores experientes sem afastar quem está dando os primeiros passos no gênero. Poucos fighters conseguem equilibrar tão bem simplicidade e estratégia.

A edição Last Round melhora essa experiência com resolução em 4K, HDR, tempos de carregamento menores, novos personagens, modo Foto e pequenas melhorias visuais que valorizam ainda mais o excelente trabalho artístico da Team Ninja. Embora as novidades sejam relativamente discretas, elas tornam esta a melhor versão disponível do jogo.

dead or alive 6

Ao mesmo tempo, fica difícil ignorar algumas oportunidades perdidas. A ausência de rollback netcode, crossplay e um pacote mais generoso de conteúdo impede que esta seja a edição definitiva que muitos fãs esperavam. Somado ao fato de que diversas melhorias gráficas não alcançam todos os cenários, permanece a sensação de que a Koei Tecmo poderia ter sido um pouco mais ambiciosa.

Ainda assim, para quem nunca experimentou Dead or Alive 6, esta é, sem dúvida, a melhor porta de entrada para a franquia. E para os fãs da série, serve como um excelente aperitivo enquanto o aguardado Dead or Alive 7 não se torna realidade.

A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave para review do jogo.

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