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Smash it Wild é estranho, criativo e surpreendentemente tático

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Smash It Wild

Eu vou ser honesto: quando eu vi a proposta de Smash it Wild, eu achei que não ia funcionar. Misturar vôlei, dodgeball, tática em turnos e roguelike parece exatamente aquele tipo de ideia que dá errado na execução. No entanto, o jogo consegue algo raro — ele não só funciona, como em vários momentos surpreende.

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Desenvolvido pela Goblinz Studio em parceria com Ernestine, Smash it Wild pega um esporte que normalmente depende de reflexo e transforma isso em estratégia pura. E isso muda completamente a forma como eu encaro cada partida.

Desde o início, fica claro que o jogo não quer ser um “jogo de esporte tradicional”. Aqui, o esporte é só a base. O que realmente importa é posicionamento, tomada de decisão e construção de equipe. E é exatamente isso que define a experiência.

Gameplay: mais tático do que esportivo

Se alguém entrar em Smash it Wild esperando um jogo de vôlei, vai se frustrar.

Na prática, tudo acontece em turnos. Eu posiciono meus jogadores em um grid, escolho habilidades e executo jogadas que vão muito além de simplesmente “rebater a bola”. Cada ação é calculada, e o resultado já é parcialmente previsível antes de executar, o que transforma cada turno em uma decisão estratégica.

Além disso, existe um sistema de stamina que funciona quase como vida. Portanto, em vez de apenas pontuar, muitas vezes o objetivo é desgastar o time adversário até o ponto em que ele não consiga mais reagir. Isso muda completamente a dinâmica do jogo.

Outro ponto importante: a bola não é só um meio de pontuar — ela também funciona como ferramenta de controle. Dependendo da jogada, eu consigo empurrar inimigos, quebrar posicionamento ou criar oportunidades. Isso adiciona uma camada interessante entre ataque e controle de campo.

No entanto, o jogo não explica tudo tão bem quanto deveria. No começo, eu fiquei meio perdido, e isso pode afastar muita gente.

Roguelike: onde o jogo realmente ganha força

O sistema de roguelike é o que sustenta a experiência.

Cada run é um torneio, e a cada vitória eu escolho melhorias, equipamentos ou habilidades. Isso cria uma progressão dentro da run que pode mudar completamente a forma como meu time joga.

Além disso, a sinergia entre personagens é essencial. Alguns times são focados em controle, outros em dano direto, e outros em efeitos de campo. Descobrir combinações que funcionam bem é, sem dúvida, uma das partes mais interessantes do jogo.

Por outro lado, o balanceamento não é perfeito. Em alguns momentos, eu senti que o sucesso dependia mais da sorte nas melhorias do que da minha estratégia. Isso é comum no gênero, mas aqui fica um pouco mais evidente.

E tem outro problema: a progressão fora das runs é lenta. Eu não senti aquela evolução forte entre uma tentativa e outra, o que pode diminuir o incentivo de continuar jogando por longos períodos.

Apresentação: simples, mas funcional

Visualmente, Smash it Wild acerta.

O estilo cartunesco funciona bem, os personagens são carismáticos e as animações deixam claro o que está acontecendo — o que é essencial em um jogo tático. Além disso, a leitura do campo é boa, mesmo quando a tela está mais carregada.

O design dos times também ajuda na identidade. Cada equipe tem tema próprio, habilidades específicas e formas diferentes de jogar, o que aumenta a variedade.

No entanto, a interface tem alguns problemas. Em certos momentos, elementos na tela atrapalham mais do que ajudam, e algumas informações poderiam ser mais claras.

Outro ponto importante: o jogo não tem localização em português até o momento, o que pode dificultar o entendimento de habilidades e sistemas para muita gente.

Problemas que impedem o jogo de ir além

Apesar da criatividade, existem limitações claras.

A principal delas é a repetição. Embora cada run tenha variações, a estrutura geral não muda tanto, e sem uma progressão externa mais forte, o jogo pode perder fôlego mais rápido do que deveria.

Além disso, a ausência de modos extras pesa. Não existe multiplayer ou modos alternativos fora do roguelike, o que é estranho considerando que estamos falando de um “jogo de esporte”.

Também vale destacar que o jogo não é tão acessível quanto parece. A mistura de sistemas cria uma curva de aprendizado maior do que o esperado, e isso pode afastar jogadores casuais.

Conclusão: uma ideia criativa que acerta mais do que erra

Smash it Wild é aquele tipo de jogo que chama atenção pela proposta — e consegue sustentar boa parte dela.

Ele não é perfeito, tem problemas de balanceamento, progressão e acessibilidade. Ainda assim, quando o sistema encaixa, ele entrega algo diferente e interessante.

Eu não diria que é um jogo para todo mundo. No entanto, para quem gosta de estratégia, builds e experiências mais experimentais, ele tem bastante valor.

E no fim, isso é o mais importante: ele tenta algo novo — e na maior parte do tempo, dá certo.

A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave para review do jogo.

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