SoulQuest é aquele tipo de jogo que te ganha nos primeiros minutos. E não é difícil entender o porquê. Desenvolvido por TomasJPereyra e publicado pela indie.io, ele aposta em um hack-and-slash 2D com foco em combos, ação exagerada e uma estética que claramente bebe de animes e filmes de ação.
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Logo no começo, eu já percebi que o jogo queria me fazer sentir poderoso — e, de fato, ele consegue. As animações são chamativas, os golpes têm impacto e a direção das cutscenes entrega um espetáculo que não é tão comum em jogos indie.
No entanto, essa primeira impressão não sustenta tudo sozinha. Conforme eu avancei, comecei a perceber que, por trás do estilo, existem algumas decisões que seguram o jogo de alcançar algo maior.
Combate: o ponto alto — quando funciona
Se tem algo que SoulQuest acerta, é o combate… pelo menos na maior parte do tempo.
A proposta é clara: construir combos cada vez maiores, alcançar ranks elevados e, basicamente, jogar “com estilo”. Isso lembra diretamente jogos como Devil May Cry, onde o objetivo não é só vencer — é vencer bem.

E aqui o jogo entrega momentos muito bons.
Quando eu comecei a variar ataques, usar magia, encaixar finalizadores e realmente explorar o moveset, o combate simplesmente encaixou. E aí vem o ponto mais interessante: SoulQuest fica mais divertido quando você para de tentar “zerar o jogo” e começa a tentar “jogar bonito”.
Por outro lado, o sistema não é perfeito. Em alguns momentos, eu senti repetição, principalmente quando encontrei golpes mais eficientes e acabei abusando deles. Além disso, existe uma sensação leve de falta de peso ou precisão em certas ações, o que pode quebrar o ritmo.
Ou seja: funciona, mas não é consistente o tempo todo.
Progressão e habilidades: variedade que sustenta o jogo
O jogo oferece uma quantidade grande de habilidades, magias e movimentos. Isso, sem dúvida, ajuda a manter o interesse.
Ao longo da campanha, eu desbloqueei novas formas de ataque, habilidades especiais e magias que, inclusive, facilitam bastante a sobrevivência — principalmente aquelas que regeneram vida. Isso acaba criando um efeito curioso: o jogo começa mais difícil e vai ficando mais fácil conforme você evolui.

Além disso, o sistema de rank incentiva experimentação. Se eu quiser alcançar pontuações mais altas, preciso variar ataques, e isso força o uso do arsenal completo.
No entanto, essa profundidade não é totalmente aproveitada pelo design das fases.
Level design e plataforma: o verdadeiro problema
Aqui está o maior problema de SoulQuest.
As fases seguem uma estrutura muito repetitiva: pequenos trechos de plataforma intercalados com arenas fechadas de combate. Isso, com o tempo, cansa. E pior — o jogo até sugere que existem segredos e exploração, mas isso quase não se concretiza na prática.

Além disso, o platforming pode ser frustrante. Eu morri mais em obstáculos e saltos do que em combate, principalmente antes de liberar habilidades como dash aéreo e pulo duplo.
E mesmo depois disso, a estrutura das fases continua simples demais para acompanhar o potencial do sistema de combate.
Narrativa: boa ideia, execução inconsistente
A história de SoulQuest tem uma base interessante.
A protagonista busca derrotar deuses para trazer seu marido de volta à vida — uma motivação simples, mas funcional. Além disso, o jogo toca em temas como perda e inadequação, o que poderia render algo mais forte.
No entanto, a execução deixa a desejar.

O início tem problemas de dublagem e sincronização de texto, o que quebra a imersão. E, mais importante ainda, o final simplesmente não entrega. A sensação que fica é de algo interrompido, como se faltasse uma conclusão real para os eventos.
Isso pesa bastante, principalmente em um jogo que tenta criar envolvimento emocional.
Visual e apresentação: onde o jogo brilha sem discussão
Se tem um ponto que não gera dúvida, é o visual.
SoulQuest é extremamente estiloso. A pixel art é vibrante, os efeitos são exagerados na medida certa e a direção das cenas de ação é muito bem feita. Em vários momentos, o jogo realmente parece um anime em movimento.

A trilha sonora também cumpre bem seu papel, acompanhando o ritmo da ação sem se tornar repetitiva.
Ou seja, em termos de apresentação, o jogo entrega mais do que o esperado.
Conclusão: vale a pena, mas com ressalvas
SoulQuest é um jogo com muita personalidade.
Ele acerta no estilo, acerta na proposta e, em vários momentos, acerta também no combate. No entanto, problemas de consistência, level design repetitivo e uma narrativa mal finalizada impedem que ele alcance algo maior.
Eu me diverti — principalmente quando abracei o lado mais “estiloso” do jogo. Mas também senti claramente que faltou polimento em áreas importantes.
No fim, SoulQuest vale a pena, especialmente para quem gosta de hack-and-slash com foco em combos. Só não espere algo totalmente refinado.
A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave para o review do jogo.






