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Alien Strike: Blasting the Intruders honra os clássicos run ‘n gun, mas precisa evoluir

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Alien Strike

Alien Strike: Blasting the Intruders é um run ’n gun desenvolvido pela Combo Game Studio e distribuído pela Nuntius Games. Assim que vi o primeiro trailer do jogo, meses atrás, já percebi imediatamente qual era a intenção da equipe: criar uma homenagem direta aos grandes clássicos do gênero dos anos 1990.

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Na mesma hora, vieram na minha cabeça jogos como Contra III: The Alien Wars, Metal Slug, Gunstar Heroes e até Mega Man X4. O trailer me vendeu completamente a proposta, principalmente porque ele capturava muito bem aquela sensação arcade frenética que marcou tanta gente da minha geração.

Claro, trailer nenhum mostra exatamente como um jogo será na prática. Mesmo assim, Alien Strike conseguiu algo importante logo de cara: despertar expectativa. Hoje em dia, com tantos jogos independentes sendo lançados o tempo inteiro, chamar atenção já é um mérito enorme.

E o mais legal é justamente ver um estúdio brasileiro apostando nesse estilo. Dá para perceber claramente o carinho da equipe pelo gênero, além do respeito pelas referências clássicas que inspiraram o projeto desde o começo.

A história é simples, mas a ambientação funciona muito bem

A narrativa aqui é extremamente simples e lembra bastante aquilo que já vimos em jogos clássicos do gênero. A Terra está sendo invadida por aliens e quatro guerreiros entram em ação para impedir que tudo vá pelos ares.

Sinceramente, não acho isso um problema. Run ’n gun nunca precisou de uma trama complexa para funcionar. Na verdade, Alien Strike entende muito bem que o foco principal está na ação e no ritmo das fases, enquanto a história serve apenas como combustível para colocar o jogador no meio do caos.

Por outro lado, o que realmente me chamou atenção foi a ambientação. Os cenários possuem uma direção de arte muito competente e conseguem criar uma visão interessante de uma Terra futurista. Além disso, encontrei vários easter eggs espalhados pelas fases, principalmente referências à cena brasileira de desenvolvimento de jogos.

A homenagem ao Statera Studio, por exemplo, foi algo que me pegou de surpresa de forma positiva. Também achei muito bacana ver que a equipe fez questão de homenagear a própria cidade onde o estúdio está localizado. Esses detalhes ajudam bastante a dar personalidade ao jogo.

A jogabilidade é boa, mas falta desafio de verdade

Logo nos primeiros minutos, percebi que Alien Strike acertou bastante na movimentação. O pulo responde bem, os tiros têm impacto e a rasteira funciona de maneira precisa. Inclusive, toda a base da jogabilidade lembra muito os clássicos run ’n gun que citei ao longo do texto.

O problema é que essa precisão toda esbarra numa dificuldade muito baixa. Em jogos como Contra e Gunstar Heroes, o level design praticamente obriga o jogador a avançar o tempo inteiro sob pressão. Já em Alien Strike, muitos inimigos ficam simplesmente esperando você chegar perto.

Por causa disso, consegui avançar várias partes das fases com extrema cautela, eliminando praticamente tudo sem correr grandes riscos. E mesmo quando resolvi acelerar o ritmo e jogar de forma mais agressiva, os inimigos continuaram oferecendo pouca resistência.

Os chefes também não me desafiaram muito. Existe um, em especial, que utiliza ataques de ácido, mas o tempo em que ele permanece invencível acaba quebrando demais o ritmo da ação. Além disso, a chuva ácida é lenta e pouco impactante. Outro problema sério está na câmera das fases, que nem sempre acompanha corretamente o personagem. Isso atrapalha bastante a leitura da ação e precisa ser ajustado urgentemente.

O sistema de armas poderia ser mais interessante

As armas possuem inspirações muito claras na franquia Contra, algo que gostei bastante. Porém, sinceramente, achei a escolha do sistema de apenas dois slots um pouco limitada para o estilo do jogo.

Talvez isso pese ainda mais porque venho muito da escola de Contra: Hard Corps, que permitia carregar quatro armas diferentes ao mesmo tempo. Além disso, Gunstar Heroes tinha aquele excelente sistema de combinação de armas, que deixava tudo mais dinâmico.

Aqui, Alien Strike funciona de maneira parecida com Contra III: The Alien Wars, mas com uma decisão que achei estranha: para trocar de arma, preciso descartar a equipada antes de pegar outra. Na prática, isso acaba ficando meio contraintuitivo durante a correria da jogatina.

Também senti falta de recompensas melhores no sistema de upgrades. Quando a arma chega ao nível máximo, os itens repetidos simplesmente deixam de servir para qualquer coisa. Acho que o jogo poderia transformar esses pickups em bônus extras, pontos ou algum tipo de benefício adicional para incentivar ainda mais a exploração.

O áudio funciona bem, apesar de um detalhe incômodo

No geral, gostei bastante da parte sonora do jogo. As explosões possuem peso, a trilha sonora acompanha bem o ritmo da ação e as vozes em português brasileiro ficaram muito legais dentro da proposta.

Inclusive, achei a dublagem uma surpresa extremamente positiva. Ela ajuda bastante a dar personalidade aos personagens e deixa o jogo ainda mais carismático para o público brasileiro.

Porém, existe um detalhe que realmente me incomodou: o som de “Warning” antes de alguns chefes lembra demais o áudio usado em Mega Man X4. Mesmo com pequenas alterações, a referência ficou evidente demais para mim.

Entendo perfeitamente que Alien Strike é uma homenagem aos clássicos. Ainda assim, acho que esse tipo de reutilização sonora acaba prejudicando um pouco a identidade própria do jogo. Felizmente, fora isso, o restante do trabalho de áudio funciona muito bem.

Vale a pena jogar Alien Strike?

No fim das contas, gostei de Alien Strike. O jogo consegue capturar muito bem a essência dos run ’n gun clássicos e demonstra claramente o carinho da equipe pelas referências que inspiraram o projeto.

Além disso, por ser um jogo brasileiro, acabei me conectando ainda mais com várias homenagens espalhadas pelas fases. Dá para perceber que existe dedicação genuína da equipe em entregar algo feito por fãs do gênero para fãs do gênero.

Ao mesmo tempo, sinto que o jogo precisa urgentemente de ajustes na dificuldade, na câmera e no comportamento dos inimigos. Um run ’n gun vive da pressão constante e do desafio intenso, algo que Alien Strike ainda não consegue manter por muito tempo.

Mesmo assim, para quem gosta de Contra III: The Alien Wars, Metal Slug, Gunstar Heroes, Adventures of Batman & Robin, El Viento e Alisia Dragoon, vale bastante a pena conferir o jogo e acompanhar sua evolução daqui para frente.

A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave para o review do jogo.

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