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Homura Hime impressiona no espetáculo, mas tropeça na profundidade

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Homura Hime

Homura Hime chega tentando ocupar um espaço relativamente raro dentro do cenário indie atual: o dos chamados “character action games”, experiências focadas em combate estiloso, combos rápidos e batalhas cinematográficas. Desenvolvido pelo estúdio taiwanês Crimson Dusk e publicado pela PLAYISM, o jogo mistura hack and slash tridimensional com elementos de bullet hell e uma forte estética baseada em fantasia japonesa.

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Desde os primeiros minutos, fica impossível ignorar suas inspirações. Homura Hime claramente bebe da fonte de títulos como NieR Automata, Metal Gear Rising e até Devil May Cry em determinados momentos. A protagonista, Homura Hime, é uma espadachim encarregada de eliminar poderosos arquidemônios que corrompem o mundo ao seu redor. Ao seu lado está Ann, uma pequena assistente extremamente energética que serve tanto como apoio narrativo quanto mecânico durante os combates.

A história acompanha essa dupla atravessando diferentes regiões inspiradas em mitologia e folclore japonês enquanto enfrentam criaturas cada vez mais poderosas. Embora a narrativa não seja exatamente revolucionária, ela consegue criar momentos interessantes, principalmente pela maneira como os próprios arquidemônios acabam demonstrando motivações mais humanas do que o esperado.

O problema é que Homura Hime constantemente parece dividido entre querer ser um espetáculo narrativo e um jogo de ação puramente focado em combate. Nem sempre ele consegue equilibrar bem essas duas ambições.

O combate é rápido, bonito e extremamente satisfatório

Se existe algo que Homura Hime faz muito bem, é transmitir impacto visual durante as batalhas. O combate é rápido, fluido e carregado de efeitos extremamente chamativos. Combos aéreos, esquivas rápidas, projéteis mágicos e golpes especiais transformam praticamente todos os confrontos em um espetáculo visual constante.

A protagonista possui ataques leves, pesados, habilidades especiais e armas de longo alcance chamadas Blessed Shots. Esses projéteis podem ser alternados durante as batalhas, permitindo abordagens diferentes dependendo do inimigo ou situação. Existe uma clara preocupação em dar liberdade para o jogador montar seu próprio estilo de combate.

Os confrontos também utilizam fortemente mecânicas de bullet hell. Durante batalhas mais intensas, especialmente contra chefes, a tela frequentemente se enche de projéteis coloridos, exigindo movimentação constante e reflexos rápidos.

Outro detalhe interessante está no sistema de habilidades especiais. Algumas técnicas só podem ser utilizadas após recarregar energia através de ataques corpo a corpo ou parries bem executados. Isso incentiva o jogador a permanecer constantemente agressivo durante os confrontos, mantendo o ritmo acelerado praticamente o tempo inteiro.

A sensação de velocidade ajuda bastante a tornar o combate extremamente divertido durante boa parte da campanha.

Chefes espetaculares carregam boa parte da experiência

Os chefes são facilmente o ponto mais alto de Homura Hime. Cada arquidemônio apresenta padrões próprios, ataques cinematográficos e arenas visualmente impressionantes.

As batalhas frequentemente misturam combate tradicional, sequências de esquiva, momentos quase semelhantes a bullet hell puro e até eventos rápidos envolvendo parries obrigatórios. Existe um senso de escala muito maior nesses confrontos, fazendo com que cada chefe realmente pareça importante dentro da campanha.

O jogo também adiciona mecânicas específicas chamadas Domains, áreas especiais ativadas por determinados inimigos durante fases avançadas das lutas. Nessas situações, o jogador precisa destruir barreiras específicas ou contra-atacar padrões de golpes para sobreviver.

Além disso, visualmente os chefes impressionam bastante. Os efeitos, animações e coreografias conseguem entregar momentos extremamente estilizados, principalmente considerando o orçamento claramente menor do projeto.

O grande problema é que o caminho até esses confrontos frequentemente se torna repetitivo demais.

Repetição e sistema de parry enfraquecem o combate

Apesar do excelente impacto visual, Homura Hime possui problemas importantes em suas mecânicas mais profundas. O principal deles está no sistema de parry.

Parries funcionam de maneira extremamente permissiva. Ataques destacados em vermelho podem ser refletidos praticamente sem punição, permitindo que o jogador simplesmente aperte o botão repetidamente até acertar o timing. Como quase não existe tempo de recuperação após cada tentativa, o sistema acaba eliminando grande parte da tensão que deveria existir nesses momentos.

Isso prejudica bastante o combate ao longo da campanha. Embora os golpes sejam visualmente impactantes, raramente existe a necessidade de realmente dominar mecânicas avançadas ou aprender padrões com precisão.

Além disso, a variedade de inimigos também começa a se tornar um problema conforme o jogo avança. As mesmas ondas de adversários acabam aparecendo repetidamente, fazendo muitos confrontos perderem impacto depois de algumas horas.

Existe também um excesso de itens e acessórios que facilitam ainda mais a experiência. Alguns permitem recuperar vida após parries bem executados, enquanto outros praticamente anulam qualquer consequência de morte. Isso acaba reduzindo ainda mais a sensação de desafio.

O resultado é um sistema de combate extremamente divertido visualmente, mas que raramente exige profundidade real do jogador.

Plataforma e exploração funcionam melhor do que parecem

Surpreendentemente, Homura Hime também possui boas seções de plataforma. Durante determinadas partes das fases, o jogo abandona temporariamente o foco em combate para apostar em sequências envolvendo pulos, dash aéreo e movimentação rápida por cenários mais lineares.

Embora algumas dessas áreas sejam relativamente simples, outras conseguem criar momentos bastante interessantes, principalmente quando começam a integrar mecânicas de combate e parry durante a movimentação aérea.

A exploração também recompensa o jogador constantemente. Áreas escondidas oferecem melhorias permanentes, aumento de vida, expansão da capacidade de habilidades especiais e novos equipamentos passivos.

Isso ajuda bastante a quebrar o ritmo excessivamente linear que poderia dominar a experiência inteira.

Narrativa interessante, mas exageradamente confusa

A história de Homura Hime começa relativamente simples, mas rapidamente mergulha em temas envolvendo culpa, dever, corrupção espiritual e moralidade. Conforme a campanha avança, a própria protagonista começa a questionar se sua missão realmente está certa ou se os arquidemônios são apenas vítimas de circunstâncias maiores.

Existem ideias interessantes aqui, principalmente envolvendo a relação entre Homura e Ann, além das pequenas histórias individuais dos chefes. Alguns arquidemônios conseguem gerar mais empatia do que certos personagens principais.

Porém, o roteiro frequentemente exagera nas reviravoltas e acaba se tornando confuso demais perto do final. Determinados acontecimentos parecem existir apenas para gerar impacto momentâneo, sem desenvolvimento suficiente para realmente funcionar emocionalmente.

O excesso de repetição durante as fases também prejudica bastante o ritmo da narrativa. Em muitos momentos, a sensação é de que o jogo prolonga artificialmente certas áreas apenas para aumentar duração.

Mesmo assim, a campanha consegue manter interesse suficiente graças ao carisma visual e ao universo construído pelo jogo.

Visual e direção artística sustentam a identidade do jogo

Mesmo claramente sendo um projeto indie com orçamento limitado, Homura Hime consegue entregar uma direção artística bastante bonita. Os cenários inspirados em arquitetura japonesa tradicional, templos, festivais e regiões sobrenaturais possuem bastante personalidade visual.

As animações durante o combate também são excelentes. Golpes especiais possuem impacto, efeitos chamativos e ótima fluidez. Os personagens principais possuem designs memoráveis, e as cutscenes conseguem transmitir emoção suficiente mesmo sem produção gigantesca.

A trilha sonora funciona bem na maior parte do tempo, embora algumas músicas sejam relativamente esquecíveis. Ainda assim, certos momentos surpreendem bastante, incluindo temas inesperadamente energéticos em batalhas específicas.

A dublagem japonesa também ajuda muito na ambientação. Ann, inclusive, consegue evitar aquele estereótipo irritante de mascote exageradamente barulhento que muitos jogos japoneses acabam utilizando.


Vale a pena?

Homura Hime é um jogo claramente apaixonado pelo gênero de ação estilosa. Mesmo sem alcançar o refinamento de gigantes como NieR Automata ou Devil May Cry, ele consegue entregar batalhas extremamente divertidas, chefes memoráveis e uma apresentação visual bastante competente.

Os problemas aparecem principalmente na repetição excessiva, na superficialidade de algumas mecânicas e em um sistema de parry permissivo demais, que acaba reduzindo boa parte do desafio.

Ainda assim, para fãs de hack and slash, bullet hell e jogos de ação japoneses, existe bastante diversão aqui. Homura Hime talvez não alcance o nível dos grandes clássicos que o inspiraram, mas definitivamente demonstra potencial enorme para o futuro do estúdio Crimson Dusk.

É um jogo que impressiona mais pelo espetáculo do que pela profundidade — e, dependendo do jogador, isso pode ser mais do que suficiente.

A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave para review do jogo.

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