Resident Evil completa 30 anos e continua relevante
Eita, acho que exagerei! Ia jogar uns 10 minutos e acabei ficando foi 20. E isso diz muito sobre o impacto que Resident Evil ainda tem hoje. O jogo completa 30 anos desde o seu lançamento original no PlayStation, em 22 de março de 1996, no Japão, e continua sendo referência quando o assunto é survival horror.
Eita, acho que exagerei! Ia jogar uns 10 minutos e acabei ficando foi 20.
Resident Evil completa 30 anos desde o seu lançamento original no PlayStation, em 22 de março de 1996, lá no Japão.
Batizado originalmente como Biohazard, o jogo trouxe para o mundo dos vivos —… pic.twitter.com/Lya0aWWyM3— Mega Drive (@ComuDoMega) March 22, 2026
Batizado originalmente como Biohazard, o jogo não apenas trouxe um novo tipo de terror, mas também ajudou a estruturar de vez um gênero que ainda estava sendo moldado. Ele não foi o primeiro, mas foi o que consolidou as bases: exploração, tensão constante, gerenciamento de recursos e aquela sensação de que qualquer erro pode custar caro.
Minha primeira vez com Resident Evil
Eu me lembro muito bem da primeira vez que joguei. Foi ainda em 1996, provavelmente entre outubro e novembro. Meu primo tinha ganhado um PlayStation com três jogos: The Need for Speed, Mortal Kombat 3 e o próprio Resident Evil. E não era qualquer versão — era aquela edição em long box, que, na época, parecia algo premium, quase um item de coleção.

Foi também a primeira vez que vi um CD com fundo preto. Pode parecer um detalhe bobo hoje, mas aquilo ajudava a criar uma atmosfera diferente, quase como se o jogo já começasse antes mesmo de você colocar o disco no console.
Começamos a jogar juntos. Na verdade, ele iniciou, mas travou no controle tanque. Aquela movimentação mais dura, mais “travada”, afastava quem não tinha paciência. Eu acabei assumindo o controle — talvez por já ter jogado muito Desert Strike, acabei tendo mais facilidade com esse tipo de comando. E aí a gente foi avançando juntos.
O terror que realmente funcionava
Eu já tinha tido contato com Alone in the Dark antes, por volta de 1994, num PC com monitor de 14 polegadas e som de PC Speaker. Era interessante, sem dúvida, mas não chegava a assustar de verdade. Faltava impacto.
Já Resident Evil era outra coisa.
Tudo dava medo. A mansão era opressiva, silenciosa e cheia de cantos suspeitos. Os cachorros pulando pela janela continuam sendo um dos maiores sustos da história dos games. E tinha o desespero constante: atirar, recuar, calcular cada movimento… tudo isso enquanto a munição era limitada.

E, mesmo assim, fomos longe. Muito longe — principalmente porque a gente jogava na base do puro cagaço, sem ter um memory card. Isso mesmo: sem save. Cada avanço era na tensão de perder tudo a qualquer momento.
A segunda casa elevava tudo isso. As aranhas gigantes atacaram diretamente minha aracnofobia. Tinha também a planta gigante, o tubarão… mas o momento mais marcante foi o mais “simples”: a pedra gigante rolando na direção da Jill. Por causa do controle tanque e da mudança de câmera, me perdi completamente na direção e fui esmagado.
Ali acabou a nossa jornada. Não por falta de habilidade, nem por causa dos inimigos… mas por não ter onde salvar.
Como nasceu o survival horror moderno
Antes de Resident Evil, o gênero ainda era uma colcha de ideias sendo testadas.
Sweet Home já trabalhava conceitos importantes como inventário limitado e narrativa integrada ao gameplay no Famicom. Project Firestart trazia tensão em um ambiente sci-fi no Commodore 64. E Alone in the Dark introduziu a linguagem visual com câmeras fixas e ambientação cinematográfica.
Mas foi Resident Evil que pegou tudo isso e organizou de forma definitiva. Ele não só reuniu esses elementos — ele refinou. Transformou em ritmo, em design, em identidade.
Aqui, você não é poderoso. Você é vulnerável. E isso é essencial.
Resident Evil NÃO é sobre zumbis? Vamos com calma…
Agora, vamos falar de uma coisa que sempre me incomodou: essa insistência de que Resident Evil “não é sobre zumbis”.
Sério mesmo?
Pode chamar de B.O.W., pode dar nome científico, pode explicar com vírus – que é o mote principal dos quatro primeiros jogos, mas, na prática, são zumbis. Andam devagar, resistem a dano, atacam em grupo e seguem toda a construção clássica do conceito.

Esse discurso parece mais uma tentativa de dar uma sofisticada desnecessária. Resident Evil nasceu, sim, como uma experiência centrada em zumbis — e não tem absolutamente nada de errado nisso.
O problema é que, com o tempo, a própria franquia começou a fugir disso.
Quando Resident Evil deixou de ser Resident Evil (minha opinião)
E aqui eu vou ser direto: eu não gosto de Resident Evil 4, nem do 5, nem do 6. Sinceramente, finalizei o RE4 e o RE5 na época que eles foram lançados e não tenho nenhuma pretensão de jogar eles novamente.
A franquia virou outra coisa. Mais ação, menos terror. Mais combate, menos sobrevivência. Aquela tensão constante, aquele medo de abrir uma porta… tudo isso foi ficando para trás.
Deixo até uma recomendação de um jogo que mistura bem melhor o terror com ação, e este é Dead Space. Tanto o primeiro quanto o segundo são jogos excepcionais e os “verdadeiros” Resident Evil da época do RE4 e RE5.

Também não curti Resident Evil 7: Biohazard e Resident Evil Village. A mudança para primeira pessoa pode até funcionar para muita gente, mas, para mim, descaracteriza completamente a experiência clássica.
E não dá para ignorar o que poderia ter sido: Silent Hills, do Hideo Kojima. A gente só teve um gostinho com P.T., mas aquilo já mostrava um caminho muito mais interessante para o terror moderno.
Depois disso, muita coisa pareceu mais derivativa do que inovadora. E se for levar em consideração a questão de Survival Horror. Alien Isolation faz um trabalho bem superior que o RE7 e o RE8.
Os clássicos ainda são os melhores
Apesar de tudo, os clássicos continuam sendo o coração da franquia, pelo menos para mim. São aqueles jogos que criaram o clima, os valores, os trejeitos de filme B, que me fizeram curtir muito a franquia.
Depois dessa primeira experiência traumática (e divertida), eu acabei jogando bastante os seguintes: o 2, o 3 e Resident Evil Code Veronica. E aqui vai meu ranking pessoal: o 3 é o meu favorito, seguido pelo 1 e depois pelo Code Veronica.
Esses jogos mantêm exatamente aquilo que fez a franquia ser especial: tensão, exploração e aquela sensação constante de estar em perigo. Até mesmo o Remake do primeiro título é gostoso de jogar. E, ainda, pretendo jogar o remake do Resident Evil 2 e 3, comprei eles em 2023 e até hoje não joguei eles.
Parabéns, Resident Evil
Mesmo com todas as mudanças ao longo dos anos, Resident Evil continua sendo um marco.
Seja na versão original ou no remake, é um jogo que merece ser revisitado. E, para mim, sempre vai ser sobre explorar corredores apertados, com pouca munição, muito medo… e, sim, enfrentando zumbis.
Parabéns pelos 30 anos, Resident Evil.






