
Às vezes até pareço um disco quebrado, porque sempre trago à tona a questão do tempo como um bem precioso e fundamental para qualquer gamer — aliás, para qualquer pessoa. Ainda assim, insisto nesse ponto porque, a cada dia, sentimos esse recurso se tornar mais escasso. E não faço isso à toa: precisamos, constantemente, analisar de forma crítica a nossa realidade social e entender para onde estamos caminhando.
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Inclusive, já escrevi outros textos sobre esse tema. Em breve, pretendo republicá-los neste novo site e também em outros espaços onde atuo como articulista. Quem sabe, algum dia, conseguimos ao menos compreender — ou até resolver — esse nosso admirável problema: a falta de tempo.

A ilusão de controlar o tempo
É inegável que sentimos a necessidade de ter mais tempo para fazer aquilo que gostamos. No entanto, por mais que tentemos espremer cada segundo das nossas vidas, sempre parece que ele escapa. Em um instante — quase como um piscar de olhos ou um passe de mágica — o tempo simplesmente se vai, sem qualquer possibilidade de retorno. E, naturalmente, isso nos frustra.
Além disso, quando finalmente acreditamos que teremos uma folga — seja financeira, seja emocional — algo surge. Seja por obrigação ou até por um prazer momentâneo maior, acabamos deixando a jogatina de lado mais uma vez. Por isso, pode até parecer que estamos perdendo o interesse em jogar, mas a verdade é outra: o tempo, impiedoso, nos força a escolher entre uma coisa ou outra.
O paradoxo da escolha: o que jogar?

Curiosamente, quando conseguimos sentar, respirar e finalmente escapar das amarras do cotidiano, surge um novo problema: o que jogar?
Temos dezenas de títulos no PS4, centenas no PS3 ou Xbox 360, milhares disponíveis via emuladores… e, ainda assim, ficamos paralisados. Alguns poucos sortudos simplesmente ligam o console ou o PC e já sabem exatamente o que querem jogar. Porém, muitos de nós — e eu me incluo nessa — sofremos de algo que gosto de chamar de “Síndrome da Criança em Loja de Doce”.
A analogia é simples: imagine uma criança entrando em uma loja de doces e ouvindo “pegue o que quiser”. A abundância, ao invés de facilitar, trava. E é exatamente isso que acontece conosco.
Tecnologia: solução ou problema?
Agora me diga: quem nunca passou por isso? Quem está lendo estas linhas, escritas aqui no WordPress, provavelmente já sentiu — ou ainda sente — essa mesma angústia.
Hoje, a tecnologia nos oferece infinitas formas de entretenimento. No entanto, ironicamente, ela não nos ensinou a escolher. Pelo contrário: muitas vezes, ao escolher uma coisa, sentimos que poderíamos estar fazendo algo melhor. E esse pensamento corrói a experiência.
A insatisfação constante
No fundo, isso revela algo mais profundo: nós, como seres humanos, somos naturalmente incompletos. Sempre queremos mais — e, depois do mais, queremos ainda mais.
Mesmo quando conseguimos tempo para jogar, nossa mente divaga. Pensamos naquele jogo de Super Nintendo parado há três anos ou imaginamos como seria estar jogando sem parar no PlayStation 4 ou no Xbox One, caso tivéssemos mais dinheiro ou tempo.
Um pedido simples: tempo para viver
No fim das contas, queremos apenas nos divertir — de uma forma ou de outra. No entanto, entre tecnologia, obrigações sociais e pressões cotidianas, parece que nunca conseguimos simplesmente parar, respirar fundo e escolher com tranquilidade o que realmente queremos fazer.
E, sinceramente? Às vezes dá vontade de dizer: maldita seja essa correria toda. Eu só queria tempo — tempo de verdade — para aproveitar aquilo que gosto, sem culpa, sem pressão e sem a sensação de que deveria estar fazendo outra coisa.
E você?
E aí, você também passa — ou já passou — por esses pequenos (ou nem tão pequenos) dilemas da vida moderna?






