Home Família PlayStation Realm of Ink Review – Um Roguelite Inspirado em Hades com Visual...

Realm of Ink Review – Um Roguelite Inspirado em Hades com Visual Deslumbrante e Muito Potencial

8
0
Realm of Ink

Durante os últimos anos, poucos jogos influenciaram tanto o gênero roguelite quanto Hades. Seu combate fluido, progressão inteligente e narrativa integrada serviram de inspiração para diversos estúdios ao redor do mundo. Agora, a desenvolvedora chinesa Leap Studio apresenta Realm of Ink, um RPG de ação roguelite que claramente bebe da mesma fonte, mas procura estabelecer sua própria identidade através de uma estética baseada na pintura tradicional chinesa e em elementos da mitologia oriental.

.

Mesmo em acesso antecipado, Realm of Ink já demonstra uma qualidade impressionante. Com um sistema de combate rápido, diversas opções de personalização e uma direção artística marcante, o jogo oferece uma experiência capaz de agradar tanto veteranos quanto novatos do gênero. Ainda existem alguns pontos que precisam de refinamento, mas a base construída pela Leap Studio é extremamente promissora.

Uma história sobre destino, memória e liberdade

A trama acompanha Red, uma habilidosa espadachim que inicia uma jornada em busca de vingança contra uma poderosa Raposa Demoníaca. Entretanto, conforme a narrativa avança, a protagonista descobre que sua realidade é muito mais complexa do que imaginava.

Gradualmente, Red percebe que vive dentro de um manuscrito mágico conhecido como Reino da Tinta. Suas memórias, suas escolhas e até mesmo seu destino já foram escritos por uma força superior. A partir desse momento, sua missão deixa de ser apenas derrotar um inimigo e passa a envolver a tentativa de romper as correntes que controlam sua existência.

Essa abordagem funciona especialmente bem dentro da estrutura roguelite. Afinal, as constantes mortes e recomeços ganham justificativa narrativa, transformando cada nova tentativa em mais um capítulo dessa história sobre livre-arbítrio e autodescoberta.

Embora alguns diálogos não tenham o mesmo impacto de outros títulos do gênero, o universo criado pela Leap Studio possui personalidade suficiente para manter o interesse durante toda a jornada.

Combate rápido, fluido e extremamente viciante

O maior destaque de Realm of Ink está, sem dúvida, em seu sistema de combate. Desde os primeiros minutos, a movimentação de Red impressiona pela velocidade e precisão dos comandos.

A protagonista possui ataques leves, ataques pesados, esquivas rápidas e habilidades especiais que podem ser combinadas de inúmeras maneiras. Como resultado, cada confronto exige atenção constante e recompensa jogadores que dominam o ritmo das batalhas.

Além disso, as habilidades conhecidas como Tintas (Ink Powers) adicionam uma camada estratégica extremamente interessante. Cada tinta oferece um efeito passivo permanente e uma habilidade ativa exclusiva. A Tinta do Tigre, por exemplo, aumenta a chance de acerto crítico e ainda invoca uma poderosa garra espectral quando ativada.

Enquanto isso, outras tintas podem focar em dano elemental, geração de escudos ou efeitos especiais capazes de transformar completamente uma construção. Consequentemente, cada partida apresenta novas oportunidades para experimentar estilos diferentes de combate.

Builds variadas e excelente progressão

Um dos aspectos mais satisfatórios de Realm of Ink é a enorme quantidade de combinações disponíveis durante cada partida. Ao longo das runs, o jogador encontra habilidades passivas, bônus temporários, elixires e melhorias capazes de alterar completamente o desempenho da personagem.

Algumas habilidades incentivam ataques leves contínuos, enquanto outras fortalecem golpes pesados ou reduzem drasticamente os tempos de recarga das habilidades especiais. Isso cria um sistema que constantemente incentiva a adaptação e a experimentação.

Além disso, o jogo permite acumular múltiplas habilidades simultaneamente, evitando que escolhas aparentemente ruins prejudiquem completamente uma partida. Mesmo quando uma habilidade não combina perfeitamente com a construção atual, ela geralmente oferece alguma utilidade relevante.

Os elixires também desempenham papel importante. Embora sejam mais simples visualmente, seus bônus acumulativos podem gerar resultados absurdamente poderosos. Em uma das partidas, por exemplo, foi possível reduzir completamente o tempo de recarga de uma habilidade, permitindo seu uso praticamente sem interrupções.

Momo e os companheiros de tinta fazem a diferença

Outro elemento que ajuda a diferenciar Realm of Ink é a presença de Momo, uma criatura mágica que acompanha Red durante toda a aventura.

Dependendo das tintas equipadas, Momo altera sua aparência e comportamento, tornando-se uma extensão direta da construção escolhida pelo jogador. Em vez de funcionar apenas como mascote, ele participa ativamente dos combates e influencia estratégias específicas.

Além disso, existem os chamados Ink Pets, criaturas que oferecem habilidades adicionais e podem assumir diferentes formas conforme as combinações utilizadas durante a partida. Essa mecânica adiciona ainda mais profundidade ao sistema de progressão.

Como consequência, o jogador não está apenas desenvolvendo Red, mas também moldando seus companheiros. Isso aumenta significativamente as possibilidades de personalização e cria uma sensação constante de evolução.

Por mais que algumas combinações sejam claramente mais eficientes do que outras, experimentar novas sinergias continua sendo uma das partes mais divertidas da experiência.

Sistema de progressão inspirado nos melhores do gênero

Quando uma partida termina, Red retorna à Spirit Fox Inn, uma espécie de hub central onde diversos sistemas permanentes ficam disponíveis.

É nesse local que os recursos coletados durante as runs podem ser investidos em melhorias duradouras através da Talent Stele. A árvore de talentos oferece bônus variados, incluindo aumento de dano, redução de dano recebido, mais recursos por partida e até vidas extras.

Outro sistema interessante envolve o desbloqueio de novas formas para Red. Essas formas alteram completamente seu visual e também seu estilo de combate. Algumas priorizam ataques corpo a corpo extremamente agressivos, enquanto outras transformam a personagem em uma combatente focada em ataques à distância.

Essa variedade garante excelente longevidade ao jogo. Mesmo após concluir a campanha diversas vezes, ainda existem inúmeras possibilidades para explorar e dominar.

Além disso, o modo infinito desbloqueado após concluir uma run adiciona conteúdo adicional para jogadores que desejam testar os limites de suas construções mais poderosas.

Uma direção artística simplesmente fantástica

Visualmente, Realm of Ink é um dos roguelites mais bonitos dos últimos anos. Sua direção artística utiliza referências da pintura tradicional chinesa para criar cenários que parecem verdadeiras obras de arte em movimento.

Florestas, ruínas, templos e regiões espirituais apresentam identidade própria e reforçam constantemente a atmosfera mística da aventura. Além disso, os personagens possuem animações fluidas e design extremamente detalhado.

Os chefes também merecem destaque. Inspirados em lendas e criaturas da mitologia oriental, eles oferecem batalhas visualmente impressionantes e ajudam a enriquecer o universo do jogo.

A trilha sonora acompanha esse alto nível de qualidade. Misturando instrumentos tradicionais com composições modernas, ela reforça tanto os momentos contemplativos quanto os confrontos mais intensos.

Como resultado, Realm of Ink consegue construir uma identidade visual imediatamente reconhecível, algo cada vez mais raro dentro do gênero.

Nem tudo é perfeito

Apesar das inúmeras qualidades, Realm of Ink ainda apresenta alguns problemas que precisam de atenção durante o período de acesso antecipado.

O principal deles está relacionado ao balanceamento. Certas combinações de habilidades podem se tornar extremamente poderosas, reduzindo significativamente o nível de desafio mesmo nas dificuldades mais altas.

Além disso, algumas partidas dependem excessivamente da sorte para encontrar determinadas sinergias específicas. Embora isso faça parte da natureza dos roguelites, existem momentos em que o fator aleatório parece exercer influência maior do que deveria.

Também foram observados pequenos problemas técnicos, incluindo quedas ocasionais de desempenho durante cenas extremamente carregadas de efeitos visuais, além de alguns bugs gráficos e travamentos esporádicos.

Felizmente, nenhum desses problemas compromete totalmente a experiência, mas ajustes futuros certamente tornarão o jogo ainda mais consistente.

Vale a pena jogar Realm of Ink?

Realm of Ink é uma excelente surpresa dentro do gênero roguelite. Embora suas inspirações sejam evidentes, a Leap Studio conseguiu criar uma experiência que vai além da simples imitação de Hades, oferecendo sistemas próprios e uma identidade visual marcante.

Seu combate rápido, a enorme variedade de builds, a progressão recompensadora e a fantástica direção artística fazem dele uma experiência extremamente envolvente. Ao mesmo tempo, a narrativa baseada em destino e livre-arbítrio adiciona uma camada extra de interesse à aventura.

Ainda existem ajustes importantes a serem realizados, especialmente no balanceamento e na otimização. Contudo, mesmo em acesso antecipado, Realm of Ink já demonstra qualidade suficiente para figurar entre os roguelites mais interessantes disponíveis atualmente.

Para fãs de Hades, Dead Cells e outros grandes representantes do gênero, esta é uma aventura que merece atenção.

A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave para review do jogo.

Comentários Facebook