O primeiro emulador a gente nunca esquece. No meu caso, foi o Nesticle, por volta de 1997. Até então, muitos dos jogos que eu conhecia existiam apenas nas páginas das revistas. Eram screenshots borrados, previews cheios de promessas e análises de jogos que pareciam inalcançáveis para um garoto brasileiro dos anos 90. E os emuladores, pelo visto, seriam a forma de eu conhecer todos os jogos que eu vi.
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Mas, de repente, tudo mudou. Aqueles jogos passaram a existir diante dos meus olhos dentro de um PC comum. Foi como descobrir uma passagem secreta para um universo inteiro escondido dentro do computador.

Lembro perfeitamente da sensação de finalmente jogar todos os clássicos de Mega Man 2, Mega Man 3, Mega Man 4 e praticamente toda a franquia clássica no NES. Também mergulhei em jogos como Darkwing Duck, Street Fighter 2010: The Final Fight, Mighty Final Fight, além de tantos outros que hoje talvez eu nem consiga lembrar.
O Nesticle não era apenas um programa. Ele era uma máquina do tempo. Um portal que me permitia tocar em jogos que antes existiam apenas na imaginação.
Quando o Genecyst abriu as portas do Mega Drive
E então veio o segundo impacto: o Genecyst. Criado pela mesma equipe do Nesticle, ele ampliou ainda mais aquela sensação de descoberta.
Foi através dele que eu pude finalmente mergulhar nos jogos do Sega Genesis. Meu olhar brilhava vendo aqueles cartuchos “impossíveis” ganhando vida dentro do meu velho IBM Aptiva 486 DX4 de 100 MHz.

Lembro de passar horas jogando Ristar, me impressionando com o visual de Comix Zone e tentando fazer Road Rash funcionar direito — algo que nem sempre acontecia muito bem naquela época. E, claro, tinha os incontáveis jogos de navinha que eu baixava sem parar, muitos deles descobertos apenas porque a capa parecia interessante.
Era quase um ritual. Eu pegava minhas revistas antigas, via previews e matérias, depois corria para o Cadê? e para o Aonde atrás de sites que hospedavam ROMs. Na internet discada, baixar um único jogo podia levar uma eternidade. Mas quando finalmente funcionava, era uma sensação mágica.
Cada download parecia abrir uma nova janela para um mundo que antes existia apenas nas páginas das revistas.
O sofrimento e a magia do ZSNES
Claro que depois do Genecyst ainda vieram outros emuladores, e um dos mais marcantes foi o ZSNES. Só que, no meu primeiro computador — aquele mesmo IBM Aptiva 486 DX4 de 100 MHz — ele simplesmente peidava para rodar o emulador.
Mesmo assim, eu insistia. Afinal, existiam jogos de Super Nintendo Entertainment System que eu queria experimentar de qualquer jeito. Os dois primeiros títulos que fui atrás eram praticamente obsessões minhas naquele momento: ActRaiser, que eu tinha conhecido através da revista Videogame, e Super Castlevania IV, que eu havia jogado rapidamente no console original e nunca esqueci.

Mesmo com o PC sofrendo para rodar os jogos, eu continuava tentando. Ajustava configuração, fechava tudo que podia no Windows e torcia para o emulador colaborar minimamente.
Depois, quando finalmente tive um Pentium 166 MMX, aí sim a coisa desandou de vez. O Super Nintendo passou a rodar muito melhor, e isso abriu ainda mais as portas para novos emuladores, novos sistemas e novos jogos.
Mas, por enquanto, prefiro ficar apenas nesses três primeiros: Nesticle, Genecyst e ZSNES. Porque foram eles que transformaram meu velho computador numa verdadeira máquina do tempo.
Mais do que programas, emuladores são portais para a imaginação
Hoje, olhando para trás, percebo que aqueles emuladores representavam muito mais do que tecnologia. Eles democratizavam sonhos.
Para o meu eu de 14 anos, parecia impossível imaginar que um dia eu poderia jogar praticamente tudo aquilo que via nas revistas: NES, Mega Drive, Super Nintendo e tantos outros sistemas depois.
O Nesticle, o Genecyst e o ZSNES não foram apenas softwares instalados num PC velho. Eles mudaram completamente minha relação com videogames. Transformaram um simples computador doméstico numa máquina capaz de viajar por diferentes épocas, estilos e mundos.
E desde então, eu nunca mais joguei videogame da mesma maneira com o auxílio dos emuladores.






