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Dark Adelita transforma o folclore mexicano em um banho de balas brutal e estiloso

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Dark Adelita

Dark Adelita foi um daqueles jogos que me chamaram atenção imediatamente pelo visual. Antes mesmo de jogar, aquela mistura de ação lateral frenética, tiros exagerados e estética retrô já transmitia uma energia muito próxima de clássicos modernos como Broforce. Felizmente, parte dessa impressão realmente se confirma quando começamos a jogar.

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O jogo nos coloca no controle de Angela, uma Adelita sobrevivendo em uma versão sobrenatural do México pós-revolução de 1918. Em vez de apenas enfrentar soldados ou bandidos comuns, ela encara criaturas inspiradas diretamente no folclore mexicano, incluindo figuras como La Llorona, o Charro Negro e até o Chupacabras.

Essa ambientação é facilmente o maior diferencial do jogo. Existe muito carinho na maneira como a cultura mexicana aparece durante toda a aventura. Não se trata apenas de usar monstros famosos como decoração temática. O jogo incorpora elementos históricos, musicais e visuais que fazem aquele universo parecer genuinamente conectado às raízes mexicanas.

Inclusive, uma das coisas mais interessantes foi justamente aprender mais sobre as próprias Adelitas. Antes de jogar, eu conhecia muito pouco sobre o papel das mulheres durante a Revolução Mexicana. O simples fato de Dark Adelita despertar essa curiosidade já mostra o valor cultural que um indie pode carregar quando realmente abraça sua identidade.

Ao mesmo tempo, o jogo entende perfeitamente sua essência arcade. Tudo aqui é rápido, agressivo e direto ao ponto. Você entra na fase, corre, atira, desvia de projéteis e tenta sobreviver até o final antes que o cronômetro acabe.

Ação intensa faz cada fase parecer uma corrida pela sobrevivência

O gameplay de Dark Adelita é extremamente simples, mas funciona muito bem dentro da proposta. A movimentação lateral lembra bastante os shooters clássicos de arcade e dos consoles 16-bits, especialmente pela forma como o jogo exige reflexos rápidos e movimentação constante.

Angela morre com apenas um tiro, o que transforma qualquer erro em punição imediata. Felizmente, existem checkpoints relativamente generosos e itens como crucifixos que absorvem ataques. Ainda assim, a sensação constante de perigo permanece durante praticamente toda a campanha.

O detalhe que mais gostei foi como o limite de tempo ajuda a construir tensão. Cada fase possui quatro minutos de duração máxima. Parece bastante tempo no começo, mas rapidamente você percebe que não dá para jogar apenas de maneira defensiva. O jogo força o jogador a agir com agressividade e precisão ao mesmo tempo.

As armas temporárias ajudam bastante nisso. Escopetas, metralhadoras e rifles mais fortes criam momentos extremamente satisfatórios, principalmente quando a tela começa a ficar lotada de inimigos e projéteis. Existe um prazer muito arcade naquela bagunça controlada.

Jogando no controle, o autoaim também deixa tudo mais fluido. Em alguns momentos ele chega até a facilitar demais certos confrontos, mas sinceramente isso combina bastante com o ritmo rápido da experiência.

Apesar disso, Dark Adelita sofre um pouco com falta de variedade. Depois de algum tempo, muitos encontros começam a repetir exatamente a mesma lógica: manter distância, atirar primeiro e evitar projéteis. Funciona, mas raramente evolui além disso.

Os chefes dão personalidade ao jogo, mas poderiam ser mais complexos

Os confrontos contra chefes são os momentos em que Dark Adelita mais consegue construir identidade própria. Ver criaturas clássicas do folclore mexicano reinterpretadas dentro daquela estética pixel art funciona muito bem.

A primeira vez enfrentando figuras como La Llorona realmente causa impacto. O visual dos chefes é excelente, e a atmosfera consegue equilibrar perfeitamente ação arcade com horror folclórico.

O problema é que os padrões de ataque são relativamente simples. Depois de entender a lógica de cada chefe, os combates deixam de ser emocionantes rapidamente. Isso prejudica bastante o fator replay, principalmente porque o restante do jogo já possui uma estrutura bastante repetitiva.

Ainda assim, gosto bastante de como os chefes ajudam a quebrar o ritmo das fases tradicionais. Eles trazem mais personalidade para a jornada e reforçam constantemente o foco cultural da experiência.

Outro detalhe interessante é que o jogo desbloqueia modos extras mais difíceis depois da campanha principal. Dá para jogar sem continues ou até com apenas uma vida, o que aumenta bastante o desafio para quem gosta daquela mentalidade old school de arcade.

Na verdade, acho que a curta duração acaba funcionando a favor do jogo. Dark Adelita claramente entende que sua ideia central não possui profundidade suficiente para sustentar dezenas de horas. Em vez de esticar artificialmente a experiência, ele entrega algo curto, intenso e relativamente rejogável.

Pixel art bonita esbarra em alguns problemas visuais

Visualmente, Dark Adelita possui bastante personalidade. A pixel art é bonita, os cenários carregam forte identidade mexicana e o uso de cores ajuda muito na atmosfera melancólica daquela versão sobrenatural do México revolucionário.

A trilha sonora também merece elogios. As músicas conseguem transmitir bem a tensão dos confrontos enquanto incorporam influências regionais que reforçam ainda mais a identidade cultural do jogo.

No entanto, alguns efeitos visuais acabam atrapalhando a jogabilidade. Em vários momentos, a combinação de escuridão, partículas e paleta de cores dificulta enxergar projéteis inimigos ou até entender exatamente onde certos inimigos estão posicionados. Isso gera algumas mortes injustas.

As animações também variam bastante em qualidade. Alguns movimentos possuem ótimo impacto visual, enquanto outros exageram demais naquele clássico efeito de “esticar e encolher”, principalmente durante os pulos da protagonista.

Mesmo assim, existe muito charme na apresentação geral. Dá para perceber claramente o carinho dos desenvolvedores tanto pela cultura mexicana quanto pelos shooters arcade clássicos.

Dark Adelita é curto, simples e cheio de identidade

Brain-dead Rabbit Games talvez não tenha criado um shooter revolucionário, mas criou algo muito mais importante: um jogo com personalidade própria.

Dark Adelita funciona justamente porque abraça completamente sua identidade cultural e entende perfeitamente o tipo de experiência que quer entregar. É um run and gun curto, difícil, agressivo e carregado de referências históricas e folclóricas extremamente interessantes.

Embora falte profundidade maior nos combates e variedade nos encontros, a campanha nunca se arrasta o suficiente para que esses problemas destruam a diversão. Pelo contrário. A curta duração acaba tornando a experiência muito mais agradável.

No fim, saí de Dark Adelita não apenas me divertindo com seus tiroteios arcade, mas também querendo aprender mais sobre as Adelitas, a Revolução Mexicana e o próprio folclore do país. Honestamente, poucos jogos conseguem transformar entretenimento e identidade cultural de maneira tão natural assim.

A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave para review do jogo.

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