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Save Staters, cheaters e os tempos modernos

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Um assunto que, volta e meia, volta a gerar polêmica no meio gamer é o uso de save state para finalizar jogos. Afinal, essa prática é válida ou podemos dizer, sem rodeios, que quem usa save state está trapaceando?

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Antes de mais nada, precisamos dividir essa discussão em duas vertentes. Por um lado, temos quem possui pouco tempo para jogar. Por outro, existem aqueles que usam save state a cada poucos segundos para evitar erros, garantir “vidas infinitas” ou simplesmente voltar sempre que algo dá errado.

Nunca usei Cheat

Diga não ao Save State Cheat Mode!

O jogador sem tempo e a necessidade do save state

No primeiro caso, estamos falando de jogadores que querem apenas aproveitar seus games, mas encontram dificuldades por conta da rotina corrida. Hoje, muitos desses gamers são aqueles que, quando crianças, tinham todo o tempo do mundo, mas agora mal conseguem um momento livre para relaxar.

Ainda assim, entre trabalho, responsabilidades e cansaço, surge aquele pequeno espaço no dia para sentar no sofá, deitar na cama ou simplesmente jogar um pouco. Portanto, para esse público, o save state funciona como uma ferramenta essencial.

Além disso, vale lembrar que jogos antigos exigem dedicação. Na época, poucos títulos ofereciam passwords, e o sistema de save com bateria ou memory card só se popularizou depois. Ou seja, era necessário ter várias horas disponíveis para avançar de forma consistente.

Kid Chameleon e o exemplo clássico do desafio

Agora, vamos ser sinceros: quem aqui, depois de começar a trabalhar, conseguiu finalizar Kid Chameleon em uma única tarde sem arrependimento? Aliás, sendo ainda mais direto, quem conseguiu fazer isso sequer quando era criança?

Esse exemplo mostra claramente como certos jogos exigem tempo, paciência e dedicação. Portanto, nesse contexto, o uso de save state deixa de ser trapaça e passa a ser adaptação à realidade atual.

Eita nois, cade o Save State?

Consegue me encarar sem Save State mané?

Save state como cheat: depende do uso

Por outro lado, existe o jogador moderno, acostumado com autosave e checkpoints constantes, que recorre ao save state para praticamente eliminar qualquer dificuldade. Nesse cenário, surge a dúvida: isso é trapaça?

Da minha perspectiva, a resposta é simples e, ao mesmo tempo, contraditória: sim e não.

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De fato, tudo depende da forma como o recurso é utilizado. Quando o save state serve como apoio, ele é válido. No entanto, quando vira um botão de “desfazer erros” a cada segundo, ele se transforma, na prática, em um cheat.

E do outro lado, os jogadores atuais, acostumados com saves e tudo o mais, que jogam consoles antigos e usam a avançada técnica de save state para finalizar um jogo, será que eles são cheaters? Da minha perspectiva, sim, eles são, e não, não o são.

Quando a facilidade reduz o prazer

Consequentemente, quanto mais o jogador depende do save state, menor tende a ser o desafio — e, junto com ele, a satisfação. Antes, você se dedicava a um único jogo. Agora, com tudo facilitado, é comum começar vários títulos ao mesmo tempo e ir “finalizando” sem grande envolvimento.

Portanto, o problema não está na ferramenta em si, mas no uso excessivo. Quando o save state deixa de ser apoio e vira muleta, a experiência perde parte do seu valor.


Habilidade ainda importa

Curiosamente, minha própria experiência com jogos online — como Counter-Strike: Source, Team Fortress 2 e Left 4 Dead 2 — reforçou essa ideia. Nesses jogos, não existe save state. Ou seja, não há como voltar atrás.

Assim, o que realmente conta é a habilidade do jogador. Você erra, aprende e melhora. Simples assim.


E você, de qual lado está?

Depois de tudo isso, fica a pergunta:

Você é um jogador sem tempo, um save stater iniciante, um inveterado… ou um verdadeiro cheater?

Texto publicado originalmente em 2011 por Daniel Gomes

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