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Joe & Mac Retro Collection – Uma viagem à pré-história dos videogames

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Joe & Mac

Entre os muitos títulos coloridos de plataforma lançados para o Super Nintendo nos anos 1990, uma dupla pré-histórica, marcada por expressões exageradas e humor escrachado, conquistou uma boa base de fãs com uma missão simples: salvar as moças da tribo. Joe & Mac: Caveman Ninja foi produzido pela Data East e ganhou mais dois títulos: Congo’s Caper e Joe & Mac 2: Lost in the Tropics.

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Para celebrar essa franquia curta, mas significativa para a época, a Red Art Games reuniu os três jogos em Joe & Mac Retro Collection. A coletânea recupera as aventuras originais e acrescenta alguns recursos modernos. Mas será que vale a pena voltar no tempo para combater dinossauros e homens das cavernas?

Pré-história em três atos

Joe & Mac: Caveman Ninja é o ponto de partida da franquia. Lançado nos fliperamas, chegou a diferentes plataformas, inclusive ao Super Nintendo. A aventura segue uma estrutura direta e divertida de plataforma e ação: atravessamos fases, enfrentamos dinossauros e trogloditas e encaramos chefes. O objetivo continua simples e direto: resgatar as garotas sequestradas da tribo.

No jogo de 1991, são doze fases, cada uma com um chefe. Joe e Mac podem alternar entre diferentes armas, como fogo, rodas e bumerangues, sem deixar de lado o tacape. Também podemos encontrar chaves que liberam fases extras, cheias de vidas. A adaptação para Super Nintendo mantém boa parte da experiência do arcade, mas apresenta diferenças, como o mapa de seleção de fases e dois finais, em vez dos três da versão original. O controle pode parecer um pouco lento.

Congo’s Caper, de 1992, muda o protagonista e traz um macaco que se transforma em humano depois de entrar em contato com uma joia mágica. A missão também envolve salvar a namorada, vítima de uma transformação semelhante. Em vez de recolher armas, Congo reúne três esferas vermelhas para assumir a forma de Super Congo, ganhando força e agilidade. O jogo praticamente dobra a quantidade de fases do antecessor, mas apresenta apenas oito chefes e dá mais espaço a saltos verticais e perseguições.

Joe & Mac 2: Lost in the Tropics, lançado em 1994, devolve a dupla original e acrescenta elementos de RPG. Há um vilarejo com lojas, melhorias, conversas com moradores e até a possibilidade de iniciar um romance. As fases também ficam mais longas e divididas em vários segmentos. Os três jogos têm personalidade própria, embora compartilhem o humor exagerado e a ambientação pré-histórica. Entre eles, o terceiro título parece o mais elaborado, enquanto os outros dois oferecem aventuras mais curtas.

Uma coletânea fiel aos cartuchos

Joe & Mac Retro Collection reúne os três jogos lançados para Super Nintendo: Joe & Mac: Caveman Ninja, Congo’s Caper e Joe & Mac 2: Lost in the Tropics. Há versões americana, europeia e japonesa. Isso é importante porque a nomenclatura muda no Japão: Congo’s Caper aparece como Joe & Mac 2, enquanto o jogo ocidental Joe & Mac 2 recebe o nome de Joe & Mac 3. Não são capítulos diferentes, mas os três jogos com nomes distintos.

A coletânea, porém, limita-se às versões de Super Nintendo. Ficam de fora as edições de Mega Drive, arcade e sistemas portáteis. Também não há uma tentativa de combinar versões diferentes ou apresentar comparações entre elas. Para quem esperava uma visão da franquia, essa escolha deixa uma lacuna. Por outro lado, o pacote oferece as três aventuras que formam a trilogia conhecida no console da Nintendo.

Os jogos parecem preservar as ROMs originais, inclusive detalhes como o aviso de direitos autorais da Nintendo nas telas de título. Não encontrei alterações na apresentação, no som ou na jogabilidade. Os gráficos continuam vibrantes, as animações mantêm seu estilo exagerado e a ação segue com a mesma velocidade dos lançamentos originais. Até alguns efeitos sonoros abafados, sobretudo no primeiro Joe & Mac, permanecem como eram. A coletânea não tenta disfarçar as características técnicas dos cartuchos.

Essa fidelidade tem um lado positivo: quem procura reencontrar os jogos como eram no Super Nintendo encontra essa proposta. Ao mesmo tempo, ela significa que os problemas de controle, os saltos imprecisos e certas hitboxes continuam presentes. Não há uma reformulação para modernizar a experiência nem mudanças que alterem o ritmo das fases. A Red Art Games preservou o material original e acrescentou ferramentas externas para facilitar a partida, deixando ao jogador a decisão de utilizá-las ou não.

Recursos modernos e extras

A Red Art Games acrescentou opções que ajudam a adaptar a apresentação. Podemos escolher entre proporção 4:3, pixel perfect ou imagem esticada, além de ativar um filtro CRT e selecionar molduras laterais. O filtro simula a aparência de uma televisão antiga com scanlines e não escurece tanto a imagem quanto acontece em outras coletâneas. Não há muitos ajustes avançados, mas as opções disponíveis cumprem o básico sem interferir no visual colorido dos jogos.

Durante as partidas, podemos pausar para consultar os controles, salvar o progresso e rebobinar alguns segundos quando cometemos um erro. Cada jogo oferece três espaços para salvamento. O recurso de rewind é útil nos trechos que exigem saltos precisos, embora seu uso seja opcional. Essas ferramentas não modificam as fases nem alteram a jogabilidade original: funcionam como conveniências do emulador, disponíveis para quem deseja uma experiência um pouco menos punitiva.

O Boss Rush é outro acréscimo. O modo reúne os chefes de cada jogo em uma sequência, colocando à prova a capacidade do jogador de sobreviver a todos eles. A proposta oferece um desafio diferente para quem já conhece as aventuras e quer testar suas habilidades sem repetir as fases inteiras. Como os chefes fazem parte da identidade dos três títulos, reuni-los em uma única modalidade é uma maneira coerente de aproveitar novamente o conteúdo já existente.

A coletânea ainda inclui uma galeria de artes e uma apresentação virtual das embalagens, cartuchos e manuais. A galeria não é especialmente extensa, mas o recurso de examinar os itens físicos recebeu mais atenção. Podemos girar as caixas, simular sua abertura e observar os cartuchos de diferentes regiões. Os manuais também permitem uma folheada página por página, com páginas animadas. São extras que valorizam a memória dos lançamentos originais e dão ao pacote um cuidado especial para colecionadores nostálgicos.

O que poderia ter entrado

Apesar dos extras, a seleção poderia ser mais abrangente. Joe & Mac Returns, lançado nos arcades em 1994, ficou de fora. O jogo abandona a estrutura de plataforma dos demais e apresenta ação em uma tela fixa, na qual precisamos eliminar todos os inimigos. É uma experiência diferente dentro da franquia e teria ampliado o interesse da coletânea. Sua ausência talvez esteja relacionada ao fato de não ser um lançamento de Super Nintendo.

O primeiro Joe & Mac também merecia uma representação mais ampla. Além da versão de Super Nintendo, o jogo recebeu edições para Mega Drive, Nintendinho, Game Boy e MS-DOS, entre outras plataformas. A versão de Mega Drive poderia oferecer uma comparação com a adaptação da Nintendo. Incluir o arcade original seria outra possibilidade, especialmente porque ele representa a origem da série e apresenta diferenças em relação ao port doméstico.

A decisão de reunir apenas as três versões de Super Nintendo torna o pacote mais simples, mas também reduz a oportunidade de explorar as várias encarnações da franquia. Outras coletâneas costumam valorizar essas diferenças entre plataformas, oferecendo uma visão completa de um mesmo jogo. Aqui, a seleção cumpre o que promete, mas deixa de lado materiais que poderiam enriquecer o conjunto. Não seria necessário transformar o lançamento em um arquivo da Data East para incluir uma ou duas versões.

Ainda assim, é importante separar o que falta daquilo que a coletânea entrega. Os três jogos estão presentes em suas versões de Super Nintendo, com opções regionais, ferramentas úteis e extras que demonstram cuidado com o material original. A ausência de Joe & Mac Returns e das outras conversões é uma oportunidade perdida, não um defeito que invalide o pacote. A seleção funciona. Para quem esperava uma retrospectiva mais ampla, fica a sensação de que poderia haver conteúdo.

A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave para review do jogo.

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