CULTIC entende que nostalgia não significa simplesmente copiar os jogos que fizeram história. O título recupera conceitos clássicos e combina esses elementos com soluções modernas. Assim, Jason Smith constrói uma experiência que remete diretamente aos grandes FPS dos anos 1990. Porém, o jogo também desenvolve identidade própria através do terror, da exploração e do combate extremamente agressivo.
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Lançado originalmente em capítulos, CULTIC chega aos consoles reunindo sua campanha completa. Além disso, a adaptação aos controles funciona surpreendentemente bem. O resultado é um boomer shooter que respeita suas referências sem parecer preso ao passado.
Um culto, muitos segredos e uma atmosfera perturbadora
A campanha coloca o jogador no controle de um ex-detetive desacreditado. Ele investigava desaparecimentos, violações de túmulos e outros acontecimentos inexplicáveis. Entretanto, suas investigações terminaram com acusações que destruíram sua carreira.
Depois de ser capturado e brutalmente espancado, o protagonista acaba abandonado em uma vala comum. Contudo, ele sobrevive e desperta entre cadáveres. A partir desse momento, começa uma jornada marcada por vingança, sobrevivência e descobertas perturbadoras.

A narrativa evita diálogos excessivos e explicações convenientes. Em vez disso, documentos, bilhetes e gravações espalhados pelos cenários revelam progressivamente os acontecimentos. Dessa forma, o jogador precisa montar as peças para compreender a dimensão daquele culto.
Além disso, CULTIC utiliza elementos do horror cósmico para ampliar sua atmosfera. Loucura, ocultismo e criaturas sobrenaturais aparecem constantemente durante a campanha. Portanto, a ambientação consegue provocar desconforto sem depender exclusivamente de sustos baratos.
Exploração e level design mantêm o ritmo constantemente interessante
Os cenários apresentam estruturas relativamente lineares, mas evitam transformar a campanha em um corredor permanente. Dessa maneira, existe liberdade suficiente para incentivar pequenas explorações. Cada canto pode esconder munição, recursos, documentos ou segredos.
Além disso, os ambientes possuem identidade própria e apresentam mudanças importantes durante a campanha. Instalações abandonadas, florestas, minas e construções decadentes oferecem experiências distintas. Consequentemente, a exploração raramente transmite uma sensação de repetição.

A primeira metade aposta mais intensamente na ação e nos confrontos. Entretanto, a segunda parte aumenta consideravelmente o espaço dedicado ao terror e aos quebra-cabeças. Essa mudança funciona tematicamente, embora também provoque uma alteração perceptível na cadência.
Ainda assim, o design consegue equilibrar exploração e progressão objetiva. O jogador sabe para onde precisa seguir, mas encontra motivos constantes para investigar os arredores. Portanto, CULTIC demonstra que simplicidade estrutural não precisa significar falta de criatividade.
Combate brutal transforma cada confronto em uma dança de sobrevivência
O combate representa, sem dúvida, um dos maiores destaques de CULTIC. Atirar parado contra os inimigos raramente representa a melhor estratégia. Por isso, movimentação constante torna-se essencial durante praticamente toda a campanha.
O protagonista pode correr, saltar, deslizar e executar dashes utilizando uma barra de resistência. Além disso, o arsenal oferece pistolas, rifles, explosivos, armas brancas e outras ferramentas destrutivas. Dessa forma, cada confronto permite diferentes abordagens.

A roda de armas facilita a troca rápida entre equipamentos durante o combate. Ao mesmo tempo, a câmera lenta durante essa seleção ajuda a manter o controle da situação. As bancadas também permitem aprimorar armas usando peças encontradas pelos cenários.
Além disso, objetos espalhados pelo ambiente possuem utilidade durante os confrontos. Cadeiras, lampiões e outros elementos podem distrair inimigos ou causar danos. Consequentemente, o combate oferece possibilidades além do tradicional atire-e-corra.
Visual retrô e som industrial criam uma identidade marcante
Visualmente, CULTIC aposta em uma estética que mistura diferentes referências dos FPS clássicos. Sprites bidimensionais convivem com ambientes tridimensionais e texturas deliberadamente rudimentares. Assim, o jogo consegue reproduzir uma aparência retro sem parecer simplesmente antiquado.
A paleta utiliza muitos tons marrons e cinzentos, reforçando a sensação de decadência. Entretanto, pontos de laranja e azul criam contrastes importantes. Além disso, a iluminação dinâmica ajuda a transformar espaços aparentemente simples.

O isqueiro possui função especialmente interessante durante determinados momentos. Sua iluminação limitada transforma ambientes escuros em espaços genuinamente ameaçadores. Da mesma forma, lamparinas e lampiões criam pontos de luz capazes de orientar ou inquietar.
Por outro lado, o trabalho sonoro talvez seja ainda mais impressionante. Tiros, passos, ruídos ambientais e sussurros ajudam a construir tensão. Durante os confrontos, músicas industriais aumentam a intensidade e acompanham perfeitamente a violência apresentada.
Desafio consistente encontra pequenas falhas de equilíbrio
CULTIC não permite que o jogador assuma uma postura completamente inconsequente. Mesmo nas dificuldades intermediárias, os inimigos conseguem pressionar bastante. Eles utilizam explosivos, procuram posições melhores, recuam e tentam flanquear o jogador.
Essa inteligência artificial contribui diretamente para tornar os confrontos mais interessantes. Afinal, inimigos previsíveis diminuiriam consideravelmente o impacto do sistema de combate. Portanto, cada encontro exige atenção, movimentação e utilização inteligente do arsenal.

Entretanto, existem momentos específicos com picos de dificuldade pouco equilibrados. Algumas situações elevam a exigência acima do padrão estabelecido anteriormente. Consequentemente, determinados confrontos podem provocar frustração em vez de satisfação.
A campanha dura aproximadamente quinze horas para jogadores interessados em explorar completamente os cenários. Além disso, o modo Sobrevivência oferece uma alternativa para quem deseja mais desafios. Ainda assim, seria interessante receber mais conteúdo, especialmente considerando a qualidade apresentada pelos dois episódios.
Conclusão
CULTIC representa uma excelente maneira de recuperar o espírito dos FPS clássicos sem ficar preso ao passado. O jogo entende suas referências, mas também acrescenta ideias próprias.
Seu combate rápido funciona excepcionalmente bem com controles modernos. Além disso, o level design incentiva exploração sem prejudicar o ritmo da campanha. A ambientação também consegue combinar violência e horror de maneira bastante eficiente.
Existem pequenos problemas, especialmente relacionados ao equilíbrio da dificuldade e às reações dos inimigos. A quantidade de conteúdo também poderia ser maior. Contudo, essas limitações não conseguem comprometer o conjunto.
No fim, CULTIC merece uma recomendação clara para fãs de boomer shooters. Ele combina nostalgia, brutalidade, terror e modernizações com bastante competência. É uma homenagem aos clássicos que consegue, felizmente, possuir personalidade própria.
A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave para review do jogo.






