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Better Than Dead | Quando o realismo da bodycam encontra a brutalidade de um FPS perturbador

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Better than Dead

O mercado de FPS independentes está cada vez mais competitivo. Com dezenas de novos shooters chegando todos os meses, encontrar uma identidade própria se tornou quase uma obrigação para qualquer estúdio que queira chamar atenção. Better Than Dead entende isso perfeitamente e aposta todas as suas fichas em uma proposta extremamente específica: colocar o jogador dentro de uma experiência que tenta reproduzir a sensação de assistir a imagens capturadas por uma bodycam durante confrontos violentos e caóticos.

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Desenvolvido por Monte Gallo, o jogo abandona praticamente todas as convenções modernas do gênero. Não existem árvores de habilidades, sistemas complexos de progressão, dezenas de armas para colecionar ou mapas abertos repletos de atividades. Em vez disso, Better Than Dead entrega uma campanha curta, brutal e focada em transmitir tensão constante através de uma combinação de visual hiperimersivo, dificuldade elevada e combate extremamente letal. O resultado é uma experiência que certamente não agradará todos os jogadores, mas que consegue se destacar em meio a tantos shooters parecidos disponíveis atualmente.

Uma história simples movida por vingança

A narrativa de Better Than Dead não tenta ser complexa. A campanha acompanha uma jovem que consegue escapar de uma rede criminosa ligada ao tráfico humano e à exploração sexual. Após conquistar sua liberdade, ela inicia uma jornada de vingança contra os responsáveis pela organização, ao mesmo tempo em que tenta libertar outras vítimas encontradas pelo caminho.

A trama funciona muito mais como motivação para a ação do que como elemento central da experiência. Não existem grandes reviravoltas, diálogos extensos ou cenas cinematográficas elaboradas. Ainda assim, o contexto ajuda a construir a atmosfera pesada do jogo.

Os cenários degradados, os corredores apertados e os ambientes decadentes reforçam constantemente a sensação de estar explorando locais esquecidos pela sociedade. Embora a história seja simples, ela oferece um motivo convincente para sustentar a violência extrema que domina praticamente toda a campanha.

Gameplay intenso, brutal e sem espaço para erros

O combate é facilmente o coração de Better Than Dead. Desde os primeiros minutos, fica evidente que o objetivo dos desenvolvedores era criar confrontos que transmitissem vulnerabilidade e perigo constante. O jogador utiliza praticamente apenas uma pistola durante toda a campanha, e cada encontro pode terminar em poucos segundos. Assim como acontece com os inimigos, poucos disparos são suficientes para provocar a morte do protagonista.

Essa fragilidade transforma cada corredor, esquina ou porta em uma possível ameaça. Não existe sensação de poder absoluto como em muitos shooters modernos. Pelo contrário. O jogador passa boa parte do tempo avançando com cautela, verificando cada ambiente antes de entrar e reagindo rapidamente quando alguém surge inesperadamente.

A ausência de uma mira tradicional, somada à movimentação da câmera bodycam, exige adaptação constante. Em alguns momentos, o sistema consegue criar confrontos incrivelmente tensos e memoráveis. Em outros, porém, a falta de precisão pode gerar certa frustração, principalmente quando a câmera e o movimento exagerado dificultam a leitura da ação.

A estética bodycam cria uma identidade única

O grande diferencial de Better Than Dead está em sua apresentação visual. O jogo utiliza um efeito de bodycam extremamente agressivo, com lente grande angular, distorções de imagem, motion blur intenso, granulação e oscilações constantes da câmera. Em diversos momentos, a experiência realmente se aproxima da aparência de vídeos encontrados em redes sociais ou gravações de operações policiais.

Curiosamente, o jogo utiliza algumas limitações a seu favor. Em vez de buscar um realismo facial absoluto, os desenvolvedores optam por desfocar, censurar ou esconder diversos elementos da imagem. Isso evita o chamado “vale da estranheza” e ajuda a manter a ilusão visual.

O resultado é uma estética que consegue ser desconfortável e fascinante ao mesmo tempo. Entretanto, o uso exagerado desses filtros também pode afastar parte do público. Jogadores mais sensíveis a movimentos intensos de câmera podem sentir fadiga visual ou até mesmo desconforto durante sessões prolongadas.

Visuais e ambientação que vendem a sensação de perigo

Os cenários são um dos aspectos mais fortes da produção. Better Than Dead constrói ambientes claustrofóbicos que reforçam constantemente sua proposta narrativa. Apartamentos apertados, corredores escuros, boates decadentes e instalações clandestinas ajudam a transmitir a sensação de estar invadindo territórios dominados pelo crime.

A ambientação funciona especialmente bem porque existe uma coerência visual entre todos os elementos apresentados. Cada local parece ter sido criado para gerar desconforto e tensão. O jogo não busca beleza tradicional.

Em vez disso, aposta em sujeira, iluminação agressiva e espaços sufocantes para criar uma atmosfera opressiva. Mesmo utilizando recursos relativamente simples em alguns momentos, a direção artística consegue transformar esses ambientes em algo memorável.

Som poderoso e combates que parecem reais

O design de áudio desempenha um papel fundamental na imersão. Os disparos possuem impacto convincente, os ecos dos ambientes ajudam a reforçar a sensação de espaço e os sons ambientes mantêm a tensão elevada durante praticamente toda a campanha. Muitas vezes, ouvir um inimigo se movimentando em outro cômodo é suficiente para aumentar a ansiedade antes de abrir uma porta.

Além disso, a trilha sonora sabe quando aparecer e quando desaparecer. Em vários momentos, o silêncio combinado aos tiros e aos gritos dos inimigos se torna muito mais eficiente do que qualquer música poderia ser.

Essa abordagem ajuda a criar uma experiência que tenta reproduzir a imprevisibilidade e o caos dos confrontos armados. Embora existam alguns problemas técnicos ocasionais envolvendo colisão, inteligência artificial e desempenho, o trabalho realizado no áudio contribui significativamente para tornar o jogo mais imersivo.

Conclusão

Better Than Dead não é um FPS convencional. Ele não busca ser divertido da mesma forma que a maioria dos shooters modernos. Seu objetivo é provocar desconforto, tensão e vulnerabilidade através de uma apresentação visual extremamente agressiva e de um combate letal que pune qualquer erro.

Essa proposta produz resultados interessantes. Em seus melhores momentos, o jogo oferece confrontos intensos e uma sensação de imersão raramente vista no gênero. Por outro lado, alguns problemas técnicos, a curta duração da campanha e o excesso de filtros visuais impedem que a experiência alcance todo o seu potencial. Ainda assim, Better Than Dead consegue algo que muitos jogos maiores não conseguem: criar uma identidade própria.

Nota: 7,5/10

Pontos positivos:

  • Excelente atmosfera bodycam;
  • Combate tenso e letal;
  • Ótimo design de som;
  • Ambientação claustrofóbica e marcante;
  • Identidade visual única.

Pontos negativos:

  • Campanha muito curta;
  • Problemas ocasionais de IA e colisão;
  • FOV e filtros podem causar desconforto;
  • Algumas mortes parecem injustas.

A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave para review do jogo.

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