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STICKER/BALL transforma caos absoluto em algo estranhamente viciante

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Nos últimos anos, os chamados “number-go-up roguelikes” começaram a dominar o cenário indie. Jogos como Balatro abriram espaço para experiências completamente focadas em combinações absurdas, explosões de pontos e mecânicas capazes de transformar números gigantescos em puro entretenimento. STICKER/BALL segue exatamente esse caminho, mas faz isso da maneira mais caótica possível.

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A proposta parece simples à primeira vista. O jogador precisa lançar bolas em direção a dados espalhados pela tela, tentando acumular pontos suficientes para derrotar os adversários antes que suas bolas acabem. Entretanto, bastam poucos minutos para o jogo abandonar completamente qualquer aparência de normalidade.

Cada bola lançada concede um adesivo que pode ser aplicado nos lados dos dados. Esses adesivos alteram drasticamente as partidas, adicionando efeitos que variam entre o brilhante e o completamente insano. Uma simples combinação pode transformar a tela em um espetáculo psicodélico de partículas, criaturas, objetos voando e multiplicadores absurdos.

O mais curioso é que STICKER/BALL nunca tenta parecer sério. Muito pelo contrário. O jogo abraça o nonsense com orgulho, criando uma experiência que constantemente parece estar à beira do colapso visual e mecânico.

Combinações absurdas são o coração do jogo

A verdadeira graça de STICKER/BALL está na maneira como os adesivos interagem entre si. Alguns possuem funções simples, oferecendo bônus diretos de pontuação, enquanto outros criam sistemas inteiros dentro da própria partida.

Em determinado momento, por exemplo, um adesivo de cocô pode gerar moscas que concedem pontos extras. Pouco depois, um adesivo de aranha aparece e começa a devorar essas moscas para multiplicar ainda mais sua pontuação. Em outra situação, um carro de polícia invade a tela enquanto uma loja de donuts altera a maneira como esses bônus são calculados.

As ideias ficam progressivamente mais absurdas conforme a partida evolui. O jogo constantemente apresenta novos adesivos envolvendo pessoas, animais, conceitos abstratos, universos paralelos e até piadas relacionadas ao próprio mercado de videogames. Existe até um adesivo chamado “Pay to Win”, que aumenta sua pontuação dependendo da quantidade de jogos comprados do desenvolvedor.

Essa criatividade praticamente infinita transforma STICKER/BALL em uma máquina de surpresas constantes. Nunca existe a sensação de que você já viu tudo o que o jogo tem a oferecer. A cada rodada surge algum novo elemento completamente inesperado.

Caótico, confuso e extremamente divertido

STICKER/BALL possui uma filosofia muito clara: jogar o jogador diretamente no caos e deixar que ele descubra sozinho como tudo funciona. O problema é que isso pode tornar as primeiras horas extremamente confusas.

O jogo praticamente não oferece tutorial. Muitas mecânicas importantes precisam ser entendidas apenas através de tentativa e erro. Em diversos momentos, a tela fica tão carregada de efeitos, partículas, criaturas e multiplicadores que entender exatamente o que está acontecendo se torna quase impossível.

Ainda assim, existe algo estranhamente viciante nessa bagunça. Conforme as partidas avançam, o jogador começa lentamente a compreender as sinergias entre os adesivos, descobrindo builds cada vez mais absurdas e eficientes. Quando tudo finalmente “encaixa”, STICKER/BALL se transforma em um festival de explosões numéricas extremamente satisfatório.

O loop de progressão também ajuda bastante. Entre as partidas, é possível desbloquear modificadores permanentes que facilitam futuras runs ou adicionam novas possibilidades estratégicas. Isso cria aquela clássica sensação de “só mais uma rodada” típica dos melhores roguelikes modernos.

Uma estética psicodélica cheia de personalidade

Visualmente, STICKER/BALL possui uma identidade extremamente forte. O jogo aposta em uma estética neon carregada de cores vibrantes, flashes intensos e elementos que parecem saídos diretamente de uma febre digital dos anos 90.

Os adversários também seguem essa proposta completamente nonsense. Durante as partidas, você enfrenta desde chaleiras conscientes até peixes voadores e referências bizarras à cultura pop e à tecnologia antiga. Tudo parece funcionar dentro de uma lógica própria completamente maluca.

Ao mesmo tempo, esse visual exagerado pode acabar sendo um problema para algumas pessoas. O jogo constantemente exibe flashes rápidos e efeitos visuais extremamente agressivos. Inclusive, STICKER/BALL já inicia alertando sobre riscos relacionados à epilepsia e sensibilidade visual.

O mais estranho é que, apesar dos avisos, o jogo ainda não oferece muitas opções robustas de acessibilidade para reduzir esses efeitos. Uma função para diminuir flashes ou desacelerar determinados momentos da gameplay faria bastante diferença para tornar a experiência mais confortável.

O caos funciona… até deixar de funcionar

Apesar de toda sua criatividade, STICKER/BALL ainda apresenta alguns problemas importantes. O principal deles está justamente na falta de clareza. Muitas vezes, o jogador não entende exatamente por que determinada combinação funcionou tão bem ou por que certos multiplicadores explodiram repentinamente.

Além disso, existe pouca habilidade real durante os lançamentos das bolas. Boa parte da experiência envolve simplesmente mover o cursor até encontrar uma trajetória cheia de ricochetes. Depois de algumas horas, isso pode acabar se tornando um pouco automático.

Outro ponto complicado está na própria velocidade das partidas. Em alguns momentos, STICKER/BALL se transforma em um verdadeiro ataque sensorial, dificultando acompanhar os acontecimentos na tela. Uma opção para desacelerar temporariamente certas animações ajudaria bastante tanto na acessibilidade quanto na compreensão estratégica das combinações.

Mesmo assim, o jogo consegue compensar muitas dessas falhas através da criatividade absurda de seus sistemas. Quando as builds começam a funcionar corretamente e a tela se transforma em um espetáculo de combos psicodélicos, é difícil não se divertir.


Vale a pena?

STICKER/BALL é um daqueles jogos independentes que parecem ter sido criados sem qualquer medo de parecer estranho. O resultado é uma experiência caótica, criativa, confusa e incrivelmente viciante ao mesmo tempo.

Embora o início possa afastar alguns jogadores por conta da falta de explicações e do excesso de estímulos visuais, quem insistir provavelmente encontrará um dos roguelikes mais criativos e imprevisíveis dos últimos tempos.

Ele talvez não tenha o impacto imediato de Balatro, mas compensa isso com personalidade própria e uma quantidade absurda de ideias malucas funcionando simultaneamente na tela.

STICKER/BALL é puro caos digital. E, honestamente, é justamente isso que torna o jogo tão divertido.

A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave do jogo para review!

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