
Uma coisa que eu não me canso de falar: Super Mario Bros 3 é o melhor jogo 2D do Mario feito até hoje. Além disso, ainda não surgiu nada que superasse esse clássico para mim. Certamente, eu não joguei todos os títulos do bigodudo italiano. Entretanto, até onde eu fui, ele é o título mais lindo e redondo da franquia. Basicamente, ele abriu as portas para o Super Mario World.
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Mas, ué, alguns vão pensar: por que você está falando de Nintendo se aqui é um site de Mega Drive? Eu respondo: antes de ser segamaníaco ou nintendista, eu amo videogames! Por isso, não posso deixar de celebrar uma obra-prima dessas. Afinal, bons jogos não têm fronteiras. Embora eu dedique meu tempo ao console da Sega, reconheço que o brilho de um clássico absoluto merece ser lembrado em qualquer lugar.

Digo isso porque, na minha visão, nada supera o choque e a admiração que sinto por Super Mario Bros 3. Não que os demais jogos daquela era sejam ruins, muito pelo contrário; o mercado estava cheio de títulos competentes e divertidos. Todavia, para mim, esse Mario continua sendo o ápice do design de fases e da criatividade pura, algo que me marcou de um jeito diferente de tudo que veio depois.
O jogo é redondo, equilibrado e visualmente incrível, mesmo décadas após o seu lançamento original no Nintendinho. Seja na versão original do NES, no remaster do Super Nintendo ou no GBA, a experiência é obrigatória para qualquer fã. Super Mario Bros. 3 não é apenas um jogo, é uma obra-prima que moldou o gênero de plataforma e ainda vale muito a pena!
Meu Primeiro Contato
Primeiramente, vamos aos fatos. Eu vi o Super Mario Bros 3 pela primeira vez em uma revista Videogame. Acredito que tenha sido uma das edições de estreia. Embora eu esteja com preguiça de conferir minha coleção digital agora, esse detalhe é irrelevante perto da sensação que tive ao folhear aquelas páginas.
Lá fora o jogo já havia sido lançado, mas aqui ele ainda era a grande novidade do mercado brasileiro. Diferente do simplório Super Mario Bros. original, e bem mais diversificado que o Super Mario Bros. 2, o terceiro jogo parecia um salto geracional. Naquela época, eu achava o segundo jogo muito bom também, sem nem imaginar a confusão dos nomes.

O que acontece é que o legítimo Mario 2 japonês, o Lost Levels, era difícil demais. Por isso, a Nintendo pegou o jogo Doki Doki Panic, trocou os personagens pelos da turma do Mario e lançou no Ocidente. Só anos depois descobrimos que o nosso Mario 2 era, na verdade, o Mario USA lá no Japão.
Essa bagunça cronológica era comum para nós, mas não diminuía em nada a diversão de explorar cada fase. As revistas brasileiras tratavam cada informação nova como um evento épico para a garotada. Estávamos todos ansiosos para colocar as mãos naquele cartucho que prometia mudar tudo o que conhecíamos sobre os jogos de plataforma.
O Fenômeno na TV Aberta
Além das revistas, outro fator que me deixou ansioso foi o desenho animado. O Super Mario Bros. Super Show ajudou demais a popularizar o universo do bigodudo por aqui. Lembro bem que ele passava no Xou da Xuxa e, mais tarde, na TV Colosso. O desenho era baseado somente no segundo jogo da franquia, o que dava uma cara única para a animação.

Essa exposição constante na TV despertou em mim uma vontade gigantesca de jogar tudo o que fosse do Mario. Não importava se era o 2, o 3 ou até mesmo o World; eu queria estar naquele universo. Por outro lado, meu primo não acompanhava os desenhos, mas ficou maluco com o que leu nas páginas das revistas de videogame.
Movido por essa leitura, ele resolveu alugar uma versão “piratinha” do jogo, provavelmente da CCE ou Gradiente. Eu, que já estava no maior entusiasmo por causa da TV e das revistas, aproveitei que o cartucho estava com ele e joguei junto. Assim que ele colocou o jogo no Phantom System, a tela explodiu em cores e movimentos.

Naquele momento, percebi que todos os elogios da revista faziam sentido. A minha jornada começou de verdade com o console ligado e o coração disparado, pronto para explorar cada segredo. O Phantom System parecia o console perfeito para rodar aquela maravilha tecnológica que marcou a nossa infância de forma definitiva.
O Gênio do Videogame
Um detalhe curioso sobre como as coisas aconteceram naquela época é que eu só fui assistir ao filme “O Gênio do Videogame” (The Wizard) mais tarde. Isso aconteceu por volta de 1993, quando ele passou na Sessão da Tarde. Embora a revista Videogame já tivesse falado dele anos antes, ver as cenas na TV foi um impacto à parte.

Mesmo já conhecendo o cartucho e tendo jogado muito, ver o Mario 3 naquela revelação final do torneio foi uma surpresa gigantesca. Aquilo deu uma dimensão épica para o que jogávamos em casa e mostrava o verdadeiro poder da franquia no mundo todo. Foi a confirmação definitiva de que estávamos diante de um clássico imortal.
A cena do Jimmy Woods jogando aquela fase final no telão do campeonato ficou marcada na mente de toda uma geração. Parecia que o videogame tinha se tornado o esporte mais importante do mundo. Ver o Mario 3 ser o “chefão final” do filme foi o selo de qualidade que o jogo precisava para ser eterno em nossos corações.

Essa conexão entre cinema, TV e videogame era algo muito forte nos anos 90. Mesmo com o atraso em relação ao lançamento japonês ou americano, a gente vivia tudo com uma intensidade absurda. O filme transformou o simples ato de jogar em um evento de gala para todos nós que amávamos aquele console cinza.
Itens Inesquecíveis e Jogatina
O primeiro mundo era até relativamente fácil. Ali, nós aprendíamos como funcionava a famosa folhinha, que permitia dar rabadas nos inimigos e voar por um curto período. Além disso, o jogo introduziu itens geniais que expandiam a jogabilidade de forma nunca vista. Quem não se lembra da Frog Suit (roupa de sapo)?
Ela facilitava demais o nado no Water Land e nos dava uma agilidade impressionante debaixo d’água. Ou então da raríssima e poderosa Hammer Suit, que nos transformava em um Hammer Brother capaz de destruir quase tudo. Tivemos também o icônico Tanooki, que permitia virar estátua para enganar os adversários de forma estratégica.

Outro item que era o sonho de qualquer jogador era a poderosa Asa P. Ela garantia voo infinito durante uma fase inteira, sendo a salvação em trechos complicados. Tudo isso tornava a exploração muito mais rica, estratégica e, acima de tudo, extremamente recompensadora para quem soubesse gerenciar o seu inventário de itens.
Para os padrões da virada dos anos 80 para os 90, Super Mario Bros 3 era um colosso. Sem dúvida, era o maior da franquia até então, com oito mundos vastos para domarmos. Enquanto avançávamos pelo mapa, descobríamos coisas malucas que líamos nos detonados das revistas de videogame, sempre em busca de novos caminhos.
Um Mundo de Segredos nas Revistas
Um dos segredos mais clássicos era o truque de se abaixar em cima de um bloco branco. Isso permitia que o Mario passasse por trás do cenário, uma “bruxaria” que usávamos para pegar a flauta mágica. Esses mistérios davam ao jogo uma profundidade que parecia não ter fim para a molecada daquela geração de ouro.
Cada mundo tinha um tema marcante e único. O Grass Land, Desert Land, Giant Land, Water Land e o Pipe Land eram os mais divertidos de jogar. Por outro lado, o Sky Land e o Dark Land (o amaldiçoado mundo final) eram os que eu passava mais raiva e frustração no controle.

Inclusive, minha “fobia” por fases de abismo com tela de rolagem lateral nasceu justamente neste Mario. Eu nunca mais me recuperei desse trauma de infância! Mas era justamente essa dificuldade que nos fazia querer jogar de novo até finalmente ver o final da história e derrotar o Bowser de uma vez por todas.
Eu poderia escrever centenas de linhas sobre este clássico, mas prefiro encerrar por aqui. As revistas da época não mentiam: ele foi o maior salto de qualidade da Nintendo. Tecer elogios para um jogo que é praticamente perfeito pode soar repetitivo, mas ele é simplesmente o melhor jogo 2D da franquia até hoje.






