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Grime II: um metroidvania exigente, estranho e extremamente recompensador

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Grime II

Antes de começar Grime II, eu já esperava algo estranho. O primeiro jogo nunca foi exatamente “normal”, com aquele mundo feito de pedra, criaturas bizarras e uma sensação constante de desconforto. Mas ainda assim, eu não estava preparado para o que a sequência entrega.

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Logo nos primeiros minutos, fica claro que Grime II não quer apenas repetir a fórmula. Ele expande tudo — visualmente, mecanicamente e até na forma como apresenta seu mundo. O que antes era contido agora é exagerado, mais colorido, mais vivo… e ao mesmo tempo, mais perturbador.

E isso cria uma sensação curiosa: você quer explorar, quer entender, mas ao mesmo tempo sente que talvez não devesse estar ali. É aquele tipo de jogo que não te dá conforto, mas também não te deixa sair facilmente.

No fim, Grime II não é só mais um metroidvania com influência de soulslike. É um jogo que exige paciência, cobra aprendizado e recompensa quem insiste — e é exatamente isso que faz ele funcionar tão bem.

Grime II troca pedra por cor… e acerta na identidade

Se o primeiro jogo apostava em uma estética quase monocromática, baseada em pedra, silêncio e uma sensação constante de vazio, Grime II faz exatamente o oposto e isso fica evidente logo nos primeiros minutos. O jogo mergulha de cabeça em uma identidade visual muito mais vibrante, utilizando cores saturadas, efeitos orgânicos e uma direção artística que parece mais próxima de uma pintura viva do que de um cenário tradicional de videogame.

Essa mudança não é apenas estética, ela impacta diretamente a forma como você percebe o mundo. Cada área deixa de ser apenas um “nível” e passa a parecer uma obra com identidade própria, como se cada região tivesse sido pensada como uma expressão artística única dentro daquele universo estranho. Isso cria uma sensação constante de descoberta, não apenas mecânica, mas visual também.

Grime II

O interessante é que, mesmo com essa explosão de cores, o jogo não perde sua identidade mais perturbadora. Existe sempre algo levemente desconfortável na forma como tudo se movimenta, como os inimigos são construídos e como o cenário reage à sua presença, criando um contraste constante entre beleza e estranheza.

No fim das contas, Grime II não tenta ser bonito no sentido tradicional. Ele quer ser marcante, quer ser lembrado, e essa escolha de direção artística é uma das decisões mais acertadas de toda a experiência.

Um mundo estranho, sem respostas fáceis (e isso é proposital)

A narrativa de Grime II segue aquela linha que já virou quase assinatura do gênero: poucas explicações diretas e muita interpretação por parte do jogador. Você não recebe um objetivo claro, não entende completamente quem é e, principalmente, não sabe exatamente qual é o seu papel naquele mundo.

O jogo trabalha com conceitos mais abstratos, como entidades cósmicas, criação, destruição e uma força vital chamada “breath”, que permeia tudo ao seu redor. Esses elementos são apresentados de forma fragmentada, muitas vezes através de diálogos enigmáticos ou simplesmente pelo design do mundo, exigindo atenção constante.

Grime II

Ao longo da jornada, você encontra personagens que parecem saber mais do que dizem, mas mesmo assim nunca entregam respostas completas. Isso cria uma sensação constante de que existe algo maior acontecendo, mas que você nunca terá acesso total a isso.

E é justamente esse vazio de explicação que mantém o interesse. Você não joga apenas para avançar, joga para tentar entender — mesmo sabendo que talvez nunca entenda completamente o que está acontecendo.

Combate difícil, técnico e extremamente satisfatório

O combate em Grime II não é apenas difícil, ele é deliberadamente construído para exigir paciência e aprendizado. Diferente de outros metroidvanias mais rápidos, aqui cada movimento tem peso, cada erro é punido e cada vitória precisa ser conquistada com atenção total.

Você precisa aprender padrões, entender o tempo de ataque dos inimigos e saber exatamente quando atacar, esquivar ou defender. Não existe espaço para improviso constante — o jogo exige consistência e leitura precisa das situações.

Grime II

Mas é justamente essa exigência que transforma o combate em algo recompensador. Quando você finalmente domina um inimigo ou derrota um chefe após várias tentativas, a sensação não é apenas de progresso, mas de evolução como jogador.

É aquele tipo de sistema que pode afastar no começo, mas que prende completamente quando você começa a entender como ele funciona e passa a jogar dentro das regras dele.

Sistemas profundos que vão além do básico

Além do combate direto, o jogo apresenta uma série de sistemas que adicionam profundidade à experiência. Um dos mais interessantes é o sistema de “molds”, que permite utilizar habilidades baseadas nos inimigos que você derrota, criando novas possibilidades durante as batalhas.

Isso cria uma dinâmica onde o combate não é apenas sobre sobreviver, mas também sobre absorver e adaptar. Cada inimigo derrotado pode se tornar uma ferramenta estratégica, ampliando as opções disponíveis ao jogador.

Outro ponto importante é a forma como os recursos são utilizados. Diferente de sistemas tradicionais, aqui você precisa gerenciar suas habilidades com cuidado, decidindo quando gastar energia e quando preservar para momentos críticos.

No conjunto, esses sistemas tornam o jogo mais complexo do que parece inicialmente, oferecendo camadas que vão sendo descobertas com o tempo e recompensando quem se aprofunda.

Exploração densa que recompensa curiosidade

A exploração em Grime II segue a base clássica do gênero, mas com uma execução que valoriza bastante a curiosidade do jogador. O mapa é grande, interconectado e cheio de caminhos alternativos, muitos deles escondidos de forma sutil e inteligente.

No início, essa estrutura pode parecer confusa. Você entra em áreas que não consegue acessar completamente e precisa voltar depois, o que pode gerar uma sensação de desorientação temporária.

Mas conforme o jogo avança, essa mesma estrutura começa a fazer sentido. Você aprende a identificar padrões, reconhecer caminhos e entender melhor como o mundo se conecta, criando um fluxo mais natural de exploração.

E o mais importante: o jogo recompensa essa exploração. Quase sempre existe algo útil esperando quem decide sair do caminho principal, seja um item, habilidade ou atalho importante.

Plataforma e movimentação evoluem com o tempo

A movimentação começa de forma simples, quase limitada, mas evolui significativamente ao longo da jornada. Novas habilidades vão sendo desbloqueadas e mudam completamente a forma como você interage com o ambiente.

Diferente de outros jogos do gênero, aqui não existe um salto duplo tradicional, mas o jogo compensa isso com mecânicas mais criativas que acabam oferecendo ainda mais possibilidades de movimentação.

Com o tempo, você passa a se movimentar com muito mais fluidez, conectando habilidades e atravessando o mapa de forma eficiente e até estilosa em alguns momentos.

Essa evolução é gradual, mas muito perceptível, criando uma sensação constante de progresso que vai além dos números e se reflete diretamente na jogabilidade.

Trilha sonora e atmosfera elevam a experiência

A trilha sonora de Grime II é um dos elementos que mais contribuem para a imersão. Ela não apenas acompanha o jogo, mas define o tom de muitos momentos importantes ao longo da jornada.

Durante combates, a música intensifica a tensão, enquanto na exploração ela cria uma sensação de isolamento e mistério que combina perfeitamente com o mundo apresentado.

Os efeitos sonoros também são bem utilizados, ajudando tanto na leitura de combate quanto na ambientação geral, reforçando o impacto das ações do jogador.

No conjunto, áudio e visual trabalham juntos para criar uma experiência muito mais envolvente e memorável, elevando o jogo além do básico.

Nem tudo funciona perfeitamente (e dá pra sentir isso)

Apesar de todas as qualidades, o jogo não é isento de problemas. Alguns sistemas de progressão parecem desconectados entre si, o que pode gerar uma sensação de evolução irregular em determinados momentos.

A evolução de atributos nem sempre transmite impacto imediato, o que pode deixar a progressão um pouco menos satisfatória do que deveria em alguns trechos da campanha.

Além disso, certos momentos de plataforma apresentam inconsistências, principalmente em relação a hitboxes, o que pode causar frustração em desafios mais precisos.

Ainda assim, esses problemas não chegam a comprometer a experiência como um todo, funcionando mais como ajustes finos que poderiam ter sido melhor trabalhados.

Vale a pena jogar Grime II?

Se você gosta de metroidvanias mais exigentes, Grime II é uma recomendação fácil. Ele entrega uma experiência sólida, desafiadora e com identidade própria, que se destaca dentro do gênero.

Não é um jogo acessível para todos, principalmente por conta da dificuldade e da forma como apresenta sua narrativa, sem facilitar muito para o jogador.

Mas para quem insiste, a recompensa é clara: uma experiência densa, envolvente e difícil de largar, que cresce conforme você se adapta ao ritmo do jogo.

É o tipo de jogo que não tenta agradar todo mundo — e talvez seja exatamente por isso que funciona tão bem para quem entra na proposta.

A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave para o review do jogo.

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