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BLACKSHARD — Um labirinto surreal entre a beleza e o horror cósmico

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Alguns jogos querem que você salve o mundo, derrote inimigos poderosos ou complete uma longa lista de missões. BLACKSHARD, por outro lado, convida você a caminhar por um lugar estranho, explorar estruturas monumentais e tentar compreender um universo que parece não fazer sentido. Desenvolvido pelo estúdio francês Redlock Studios, o jogo aposta na exploração em primeira pessoa, em uma narrativa enigmática e em cenários que parecem saídos de sonhos impossíveis.

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Essa proposta pode não agradar a todos, mas BLACKSHARD encontra sua força justamente naquilo que o diferencia dos jogos convencionais. Entre corredores intermináveis, divindades esquecidas e paisagens de tirar o fôlego, a experiência mistura contemplação, mistério e horror cósmico.

Um universo misterioso que levanta mais perguntas do que respostas

Em BLACKSHARD, você desperta em um lugar desconhecido, cercado por ossos, e começa a explorar um imenso labirinto. Não demora para perceber que existe algo estranho naquele mundo. Corredores levam a portas, escadarias conectam espaços aparentemente impossíveis e estruturas gigantescas se estendem muito além do que os olhos conseguem alcançar.

A história é contada por meio de encontros, diálogos, memórias e elementos espalhados pelo cenário. Em vez de explicar tudo diretamente, o jogo deixa pistas para que o jogador tente compreender o que está acontecendo. Essa abordagem lembra experiências como Elden Ring, nas quais o significado de determinados acontecimentos permanece aberto à interpretação.

O mistério também envolve os Signs, entidades aprisionadas que prometem oferecer o paraíso, chamado Carcosa, em troca de sua libertação. Entretanto, nada garante que essas criaturas sejam benevolentes. Quanto mais você avança, mais dúvidas surgem sobre a natureza do labirinto, seus antigos habitantes e as consequências de suas ações.

Exploração em primeira pessoa e a liberdade de se perder

A jogabilidade de BLACKSHARD é mais próxima de um walking simulator do que de uma aventura de ação tradicional. Você pode caminhar, correr, pular e interagir com objetos e personagens encontrados pelo caminho. Não há uma estrutura baseada em combates constantes, árvores de habilidades ou equipamentos para aprimorar. O foco está em observar o ambiente e descobrir o que existe adiante.

O labirinto funciona como o principal elemento da experiência. Seus caminhos se dividem, se conectam e levam a espaços que parecem pertencer a mundos diferentes. Em alguns momentos, até mesmo uma queda pode revelar uma área inesperada, reforçando a sensação de que existe algo além daquilo que você consegue compreender.

Altares espalhados pelo cenário funcionam como pontos de salvamento e permitem retornar a um local seguro depois de uma morte ou de uma exploração malsucedida. Ao libertar os Signs, o jogador também provoca mudanças no ambiente, como alterações na iluminação, o surgimento de árvores e novas manifestações visuais. Há cinco finais diferentes para descobrir, incentivando novas explorações.

Um labirinto gigantesco que impressiona pelos visuais

Um dos maiores destaques de BLACKSHARD é sua direção artística. Embora boa parte dos cenários seja construída com formas geométricas minimalistas, a escala das estruturas cria uma sensação impressionante de grandeza. Edifícios monumentais, corredores silenciosos e plataformas que parecem não ter fim formam um ambiente tão fascinante quanto inquietante.

A estética pode lembrar os trabalhos do futurista Syd Mead, conhecido por sua contribuição visual a Blade Runner, embora aqui as construções tenham uma abordagem mais fantástica do que industrial. Rostos estilizados aparecem em colunas e estruturas gigantescas, transmitindo uma sensação de vigilância e autoridade. As figuras bidimensionais encontradas durante a jornada também contrastam com o restante do mundo tridimensional.

O resultado é um cenário que frequentemente convida o jogador a parar apenas para observar. A combinação entre arquitetura impossível, espaços liminares e uma atmosfera de isolamento transforma a exploração em uma experiência visual marcante. Na versão para Xbox Series X descrita em uma das análises, o desempenho também se mostrou estável, sem quedas de quadros perceptíveis.

Trilha sonora e horror cósmico sem sustos fáceis

O áudio contribui diretamente para a identidade de BLACKSHARD. A trilha sonora tem um caráter hipnótico, quase hipnótico em sua maneira de acompanhar a exploração, enquanto as vozes estranhas reforçam o caráter enigmático dos diálogos. O silêncio também desempenha um papel importante, permitindo que os cenários transmitam sensações sem depender de explicações constantes.

O horror apresentado não depende de sustos repentinos ou de monstros aparecendo a cada esquina. Sua força está na ideia de que o labirinto pode ser uma entidade muito mais antiga e poderosa do que qualquer personagem que habite aquele universo. As divindades aprisionadas, os sussurros e as promessas de liberdade sugerem algo que ultrapassa a compreensão humana.

Essa abordagem dá ao jogo uma atmosfera de horror cósmico. Você não precisa enfrentar uma ameaça diretamente para sentir desconforto: basta perceber a escala do lugar, a ausência de respostas e a possibilidade de que libertar essas entidades não seja necessariamente uma boa ideia.

Problemas de navegação podem interromper a experiência

Apesar de suas qualidades, BLACKSHARD apresenta alguns problemas de movimentação e exploração. Uma das análises relata uma situação em que uma inclinação empurrava o personagem para o lado, fazendo-o cair em um vão. Embora fosse possível contornar o obstáculo por outro caminho, o comportamento parecia um erro de movimentação.

A navegação também pode se tornar cansativa em áreas muito abertas. Alguns caminhos se estendem por longas distâncias sem oferecer descobertas aparentes, o que torna difícil saber se vale a pena continuar explorando ou se é melhor procurar outra rota. A própria proposta de um labirinto pressupõe desorientação, mas existe uma diferença entre criar mistério e fazer o jogador perder tempo sem encontrar algo interessante.

Esses problemas não anulam a qualidade dos cenários, mas afetam o ritmo da aventura. Quem espera objetivos claros, progressão constante ou recompensas frequentes pode perder o interesse rapidamente. BLACKSHARD exige disposição para explorar sem garantias e aceitar que nem todas as perguntas terão respostas satisfatórias.

BLACKSHARD vale a pena?

O jogo é uma experiência bastante particular, que encontra sua identidade ao misturar exploração contemplativa, narrativa fragmentada e horror cósmico. Seus ambientes monumentais e sua direção artística são os principais atrativos, enquanto a trilha sonora e o uso do silêncio ajudam a construir um universo que permanece intrigante mesmo quando parece impossível de compreender.

Por outro lado, a ausência de objetivos tradicionais e a presença de áreas excessivamente grandes podem tornar a jornada frustrante. A movimentação também apresenta algumas irregularidades, e a narrativa deliberadamente obscura certamente não será adequada para quem prefere histórias mais diretas.

Ainda assim, BLACKSHARD merece atenção de quem gosta de walking simulators, espaços liminares e jogos independentes que não seguem fórmulas estabelecidas. Não é necessariamente uma aventura para todos, mas oferece uma alternativa interessante ao ritmo acelerado de muitos lançamentos. Se você gosta de explorar lugares estranhos e construir suas próprias interpretações, vale a pena entrar nesse labirinto.

A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave para review deste jogo.

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