Home New Reviews Au Revoir (PS5): review do adventure cyberpunk brasileiro

Au Revoir (PS5): review do adventure cyberpunk brasileiro

16
0
Au Revoir

Au Revoir chegou aos consoles em 17 de setembro de 2026, com versões para Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series X|S. Desenvolvido pela brasileira Invisible Studio e publicado pela Nuntius Games, o point-and-click estreou no PC em janeiro de 2025 e conquistou uma avaliação Muito positiva na Steam.

.

Nossa análise foi realizada com uma key para PlayStation 5, gentilmente cedida pela Nuntius Games. Agradecemos à publisher pela confiança.

História: imortalidade para quem pode pagar

Em 2071, a imortalidade virou produto. A Au Revoir Ltd. comercializa cérebros sintéticos capazes de armazenar a consciência humana e transferi-la para outro corpo. Você controla Tristan, um Sentinela responsável por recuperar as psiquês de clientes envolvidos em acidentes e crimes, encaminhando-as aos servidores da corporação.

Tudo muda quando o próprio cérebro sintético de Tristan começa a apresentar falhas. Glitches e memórias estranhas surgem, levando o protagonista a questionar sua identidade. Em seguida, ele recebe uma nova missão no Distrito Desconectado, uma das regiões mais marginalizadas da cidade. O que parecia ser apenas mais um dia de trabalho transforma-se em uma investigação sobre os segredos da empresa.

A narrativa aborda questões interessantes sobre consciência, memória e desigualdade. Afinal, se uma corporação pode armazenar e transferir sua mente, o que garante que você continuará sendo você mesmo? O jogo apresenta essa tecnologia como algo cotidiano, sem ignorar os dilemas morais envolvidos.

Os personagens encontrados durante a campanha ajudam a desenvolver a investigação, e determinadas decisões influenciam os acontecimentos. São cinco finais possíveis, incentivando novas partidas. Entretanto, senti falta de documentos e informações adicionais sobre o universo, como acontece em Resident Evil. Seria uma maneira interessante de aprofundar a história sem aumentar significativamente a duração.

Jogabilidade: point-and-click sem complicação

Como fãs dos clássicos da LucasArts, nós já havíamos experimentado Au Revoir durante a gamescom latam de 2025. O projeto nasceu na PUCPR, pelas mãos de Leonardo André Pedroso, Eric Gama Müller e Osny Buzzo Junior, e conquistou quatro prêmios estudantis no SBGames 2024. A equipe estudou os adventures dos anos 1990, mas procurou evitar puzzles baseados em combinações absurdas e tentativa e erro.

A estrutura é tradicional: exploramos cenários, conversamos com personagens, examinamos objetos e utilizamos itens para avançar. As câmeras fixas lembram Resident Evil e Dino Crisis, enquanto os desafios privilegiam soluções coerentes com o contexto. Se você tem um crachá e precisa comprovar sua identidade, por exemplo, basta apresentá-lo. Simples assim.

Os enigmas incluem combinações numéricas, documentos que precisam ser reorganizados e procedimentos para sincronizar consciências. São desafios relativamente fáceis, mas divertidos. Quem espera um Monkey Island repleto de combinações malucas talvez considere tudo simples demais. Já quem não gosta de passar horas preso no mesmo lugar ficará satisfeito.

Nos consoles, os controles foram adaptados ao gamepad, com o analógico movimentando o cursor e o direcional digital facilitando a seleção das ações. A campanha dura aproximadamente duas horas, chegando a três para quem explora tudo. É uma aventura curta, mas que não precisa prolongar artificialmente seus desafios.

Direção de arte e som: o futuro com cara de PlayStation

A direção de arte é um dos maiores destaques de Au Revoir. Os modelos low poly, as texturas simples e o efeito granulado remetem aos jogos tridimensionais dos anos 1990. A estética combina com a ambientação cyberpunk, marcada por néons, cenários decadentes e espaços tecnológicos que escondem segredos.

Entre as inspirações estão Blade Runner, Johnny Mnemonic e Altered Carbon. O adventure Blade Runner, lançado pela Westwood Studios em 1997, também influenciou diretamente o projeto. Aliás, nos primeiros protótipos, Tristan sequer tinha um modelo próprio: a equipe utilizava um personagem temporário inspirado no protagonista de Blade Runner 2049. Como brincou Leonardo Pedroso, passaram um bom tempo jogando como Ryan Gosling.

A trilha sonora aparece nos momentos certos, enquanto ruídos de motores, chuva e vozes no rádio ajudam a construir a atmosfera. A inspiração no trabalho de Vangelis para Blade Runner combina com o clima melancólico, sem depender de cópias de suas melodias. O reconhecimento no SBGames 2024, com o prêmio estudantil de Melhor Áudio, não foi por acaso.

Outro destaque é a dublagem completa em português brasileiro, gravada no estúdio DuBrasil sob direção de Bruno Sangregório. O elenco inclui Guilherme Marques como Tristan, Silvana Alves como Beatrice e André Rinaldi como René Revoir, entre outros profissionais. É mais um exemplo positivo da qualidade da dublagem brasileira e de como a localização pode valorizar uma aventura narrativa.

Veredito: uma aventura competente por um preço justo

Au Revoir é uma produção brasileira competente, com identidade visual marcante, puzzles acessíveis e uma premissa interessante sobre a comercialização da imortalidade. A ambientação cyberpunk funciona muito bem, enquanto o som e a dublagem ajudam a sustentar a investigação. Ainda assim, a história poderia ser aprofundada com mais informações sobre o universo apresentado.

A duração também é curta, mas o preço ajuda a compensar essa limitação. Por R$ 16,99 na PlayStation Store, considero o valor mais do que justo. Sinceramente, não reclamaria se custasse R$ 24,99. Em tempos de jogos que chegam a R$ 400 ou mais, é uma alegria encontrar uma produção competente que custa menos do que um lanche.

É claro que estamos falando de um projeto pequeno, especialmente quando comparado aos grandes AAA. Porém, Au Revoir consegue ser aquilo que muitos jogos caros, presos à fórmula de andar, lutar e andar novamente, acabam esquecendo: divertido.

Recomendo especialmente para quem sente saudade dos adventures clássicos da LucasArts ou procura uma porta de entrada para o gênero point-and-click. O jogo é simples, acessível e tem personalidade própria. Nem toda produção precisa reinventar a indústria para entregar uma boa experiência.

Comentários Facebook