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Disgaea Mayhem | Spin-off troca estratégia por ação, mas perde profundidade

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Disgaea Mayhem

Poucas franquias conseguem transformar números absurdos de dano, personagens excêntricos e sistemas de progressão quase infinitos em sua principal identidade. Disgaea fez exatamente isso ao longo de mais de duas décadas. Por esse motivo, a decisão da Nippon Ichi Software de abandonar temporariamente os combates táticos em favor de um RPG de ação despertou curiosidade entre os fãs. Felizmente, Disgaea Mayhem não esquece suas raízes. O problema é que, apesar de preservar boa parte da identidade da franquia, o jogo entrega uma experiência muito menor do que ela merece.

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Um combate surpreendentemente divertido

A maior preocupação antes do lançamento era justamente a mudança de gênero. Afinal, transformar um SRPG conhecido por estratégia em um action RPG parecia uma aposta arriscada. Felizmente, essa parte funciona muito melhor do que muitos imaginavam.

Mesmo existindo apenas um protagonista jogável durante praticamente toda a campanha, o arsenal disponível compensa essa limitação. Espadas, machados, lanças, arcos, armas de fogo, cajados e até combate desarmado possuem estilos bastante distintos, incentivando o jogador a experimentar diferentes abordagens durante a aventura.

Cada categoria ainda possui afinidade própria, permitindo evoluir individualmente cada tipo de arma. Para quem gosta de completar absolutamente tudo, esse sistema oferece dezenas de horas adicionais de evolução.

O combate também evita algumas limitações comuns do gênero. Não existe barra de estamina restringindo ataques, enquanto as habilidades especiais funcionam por tempo de recarga. Como resultado, os confrontos mantêm um ritmo bastante acelerado, alternando golpes leves, ataques pesados e habilidades capazes de causar enormes quantidades de dano.

Outro detalhe positivo é a ausência de trava automática na câmera durante o combate comum. Como os inimigos surgem em todas as direções, a liberdade para redirecionar os ataques torna as batalhas muito mais naturais.

Sistemas clássicos continuam presentes

Quem teme que Disgaea tenha abandonado sua essência pode ficar tranquilo.

Praticamente todos os sistemas que fizeram a fama da franquia continuam aqui. Reencarnação, Item World, Chara World, Magichange, Dark Assembly, evolução de equipamentos e inúmeros mecanismos de progressão permanecem intactos, oferecendo exatamente aquele ciclo viciante de fortalecer personagens e equipamentos até alcançar números completamente absurdos.

O famoso Dark Assembly continua sendo um dos sistemas mais criativos da série. Nele, o jogador apresenta propostas que precisam ser aprovadas por uma assembleia. Caso sejam rejeitadas, é possível tentar subornar os membros ou simplesmente resolver a situação na base da pancadaria. A ideia continua divertida, embora o processo fique repetitivo conforme novas votações se tornam necessárias.

Já o Item World retorna praticamente inalterado. Cada equipamento possui seu próprio mundo interno, permitindo melhorar atributos ao enfrentar sucessivas ondas de inimigos. Como sempre aconteceu em Disgaea, basta investir algum tempo nesse sistema para transformar equipamentos comuns em verdadeiras máquinas de destruição.

Uma campanha que acaba cedo demais

Se o combate convence, a campanha principal decepciona.

A aventura dura aproximadamente entre seis e oito horas, incluindo boa parte do conteúdo pós-jogo. Para uma franquia conhecida por campanhas extensas e centenas de horas de evolução opcional, essa duração parece surpreendentemente pequena.

Além disso, a estrutura das missões raramente muda. Em praticamente todas as fases, o jogador elimina algumas ondas de inimigos, enfrenta um miniboss e, ao final, derrota o chefe principal da região.

Esse ciclo se repete do início ao fim quase sem variações. Embora o sistema de combate consiga manter o interesse durante boa parte da campanha, a falta de criatividade no design das fases impede que a aventura evolua junto com o jogador.

Humor continua sendo marca registrada

Como seria de esperar, a história aposta novamente no humor absurdo característico da série.

A trama acompanha N.A., um mercenário contratado pela recém-coroada Overlord Tichelle para recuperar… flans roubados.

Sim, sobremesas.

A premissa parece completamente sem sentido — e justamente por isso funciona dentro do universo de Disgaea. Grande parte das situações gira em torno dessa obsessão coletiva pelos doces, criando momentos cômicos que dificilmente seriam levados a sério em qualquer outra franquia.

Embora os protagonistas sejam carismáticos, a curta duração da campanha impede que o restante do elenco receba o mesmo desenvolvimento. Muitos personagens aparecem rapidamente e desaparecem antes de deixar qualquer impressão duradoura.

Produção modesta

Visualmente, Disgaea Mayhem demonstra claramente tratar-se de um projeto menor.

Os modelos tridimensionais apresentam animações simples, várias cenas utilizam imagens estáticas e praticamente não existe sincronização labial durante os diálogos. Em compensação, as ilustrações em 2D continuam extremamente bonitas e ajudam bastante a preservar a identidade artística da franquia.

Já a trilha sonora mantém a energia tradicional da série, enquanto a dublagem, tanto em inglês quanto em japonês, entrega interpretações competentes durante toda a campanha.

Vale a pena?

Disgaea Mayhem acerta justamente onde existia maior desconfiança: o combate. A adaptação para um RPG de ação funciona muito melhor do que parecia possível, principalmente graças à variedade de armas e aos inúmeros sistemas clássicos de evolução que permanecem presentes.

Entretanto, a campanha extremamente curta, a pouca variedade de fases, o conteúdo limitado e a repetição constante impedem que esse spin-off alcance o mesmo nível dos títulos principais da franquia.

Para fãs de Disgaea, ainda existe diversão suficiente para justificar a aventura, especialmente para quem gosta de passar horas explorando o Item World e maximizando atributos. Porém, para quem esperava um novo capítulo com a mesma profundidade dos jogos principais, fica a sensação de que Disgaea Mayhem termina justamente quando começa a mostrar seu verdadeiro potencial.

A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave para review do jogo.

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