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Ys X: Proud Nordics é a melhor versão, mas cobra caro

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Ys X

Ys X: Proud Nordics é, sem dúvida, a versão definitiva de Ys X: Nordics. A nova edição adiciona conteúdo de história, uma habilidade inédita, melhorias de qualidade de vida, ajustes de balanceamento e atividades extras para o pós-game. No papel, isso já bastaria para justificar sua existência. O problema não está no conteúdo em si, mas na forma como ele chega ao público.

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Fora do Japão, quem comprou o jogo original não recebeu um caminho de upgrade. Isso pesa muito porque o novo conteúdo, embora competente, não transforma radicalmente a experiência. Em vez de oferecer uma expansão paga ou um upgrade mais acessível, a Falcom opta por vender a revisão como um produto completo outra vez. E isso deixa uma sensação inevitável de ganância.

Ainda assim, para quem nunca jogou Ys X, esta é claramente a melhor forma de entrar nessa aventura. Proud Nordics melhora um jogo já sólido e entrega uma jornada ampla, divertida e cheia de sistemas que reforçam o apelo da série. Só que essa recomendação muda bastante quando falamos de quem já navegou por esses mares antes. Nesse caso, o novo pacote acerta em várias frentes, mas cobra alto demais pelo que adiciona.


A jornada de Adol e Karja continua sendo o grande coração da aventura

Ys X se passa em uma fase mais jovem da trajetória de Adol Christin, logo após Ys II e antes dos acontecimentos de Memories of Celceta. Durante uma viagem rumo a Celceta, Adol, Dogi e Dr. Flair acabam envolvidos em um ataque promovido pela força marítima Balta. Isso os leva até Carnac, uma cidade portuária situada no golfo de Obelia, onde a ameaça dos Griegr rapidamente coloca tudo em risco.

É nesse cenário que Adol conhece Karja Balta, a chamada princesa pirata. Pouco depois, os dois acabam ligados por uma espécie de algema fantasmagórica, forçados a lutar lado a lado contra criaturas que apenas usuários de Mana conseguem derrotar. A partir daí, o jogo constrói uma aventura com bom ritmo, personagens simpáticos e um foco crescente na relação entre os protagonistas.

Esse vínculo entre Adol e Karja é facilmente o melhor aspecto da narrativa. Karja começa como uma guerreira orgulhosa, impaciente e fechada, enquanto Adol assume seu papel clássico de aventureiro silencioso, mas sempre presente. Aos poucos, a dinâmica entre os dois ganha força e entrega alguns dos momentos mais sinceros do jogo. Mesmo quando a trama principal segue caminhos previsíveis, essa dupla sustenta o interesse com competência e carisma.


O conteúdo novo é bom, mas parece mais um grande desvio do que uma expansão essencial

A principal adição narrativa de Proud Nordics está na nova área de Öland Island. Esse conteúdo introduz personagens inéditos, como Canute e Astrid, e aprofunda a história dos normandos, especialmente o passado de Karja e sua relação com a própria linhagem. Em termos de lore, essa parte realmente enriquece o mundo e dá mais contexto para certos elementos que antes pareciam superficiais.

Além disso, a nova campanha paralela traz algumas das melhores lutas contra chefes do jogo e inclui mapas extensos, dungeons mais elaboradas e puzzles mais interessantes. Em vários momentos, Öland Island mostra um level design melhor do que boa parte do conteúdo base. Isso ajuda muito a justificar o rótulo de “versão definitiva”.

Ainda assim, existe um problema claro: esse conteúdo novo não se integra de maneira totalmente natural à trama principal. Em muitos momentos, ele parece mais uma side quest muito elaborada do que uma expansão realmente indispensável para a narrativa central. Isso não o torna ruim — longe disso —, mas reduz bastante o impacto para quem já dedicou dezenas de horas ao original. O resultado final é positivo, mas não tem o peso narrativo que se espera de uma revisão vendida como nova edição completa.


O combate em dupla funciona muito bem, mesmo com menos variedade

Uma das grandes mudanças de Ys X em relação a entradas anteriores está no foco quase absoluto na dupla Adol e Karja. Em vez de montar uma equipe maior com personagens jogáveis variados, o jogo concentra todo o sistema de combate nesses dois protagonistas. Isso pode parecer uma limitação no início, mas funciona melhor do que eu esperava.

Você alterna entre Adol e Karja em tempo real, usa habilidades individuais e também acessa ataques combinados, defesa conjunta e técnicas mais poderosas que consomem recursos dos dois. Essa estrutura cria um combate mais estratégico do que parece à primeira vista. Saber quando separar a dupla, quando bloquear em conjunto e quando investir em ataques sincronizados faz diferença real nas batalhas mais difíceis.

Além disso, Proud Nordics traz ajustes de balanceamento que deixam várias lutas mais interessantes. O ritmo continua veloz, os efeitos são chamativos e a progressão das habilidades oferece liberdade suficiente para criar builds focadas em dano, defesa, sorte ou quebra de guarda. Ainda assim, existe uma perda clara de variedade se compararmos com jogos como Ys IX. Ter apenas dois personagens jogáveis reduz a diversidade de estilos ao longo de 25 a 30 horas. O sistema é bom, mas não entrega a mesma riqueza tática de capítulos anteriores.


As novidades de gameplay ajudam, mas nem todas brilham do mesmo jeito

Proud Nordics também adiciona uma nova habilidade de Mana chamada Mana Hold. Com ela, Adol e Karja podem erguer objetos e arremessá-los para resolver puzzles e interagir com o cenário. Em teoria, isso amplia a exploração e dá mais variedade aos desafios ambientais. Na prática, porém, a execução deixa a desejar.

A habilidade aparece quase sempre ligada ao conteúdo novo, mas o controle dela é desajeitado e a mira nem sempre responde bem. Em alguns momentos, o objeto pode ser lançado de forma errada e obrigar o jogador a resetar a seção. Felizmente, o jogo oferece pontos de reset próximos, mas isso não impede a sensação de que a mecânica foi adicionada mais para justificar novidade do que para realmente melhorar a experiência.

Por outro lado, outras novidades funcionam melhor. O aprimoramento dos Mana Tools, o boost extra na Gullinboard e os novos minigames ligados a corrida e arena trazem mais coisa para fazer e ajudam a reforçar a sensação de progressão. O pós-game também recebe atenção especial com Muspelheim e Ceaseless Sea, modos que ampliam a longevidade para quem quiser extrair tudo do sistema de combate e exploração. Nem tudo atinge o mesmo nível de qualidade, mas há conteúdo suficiente para manter fãs engajados por bastante tempo.


Navegação marítima continua sendo a parte mais divisiva da aventura

A grande aposta de Ys X foi expandir a aventura para o mar, com exploração naval, combate entre embarcações e uma estrutura mais aberta baseada em ilhas. Conceitualmente, a ideia faz sentido. Ela conversa bem com a estética normanda, reforça o espírito aventureiro de Adol e tenta diferenciar o jogo do restante da franquia. O problema é que a execução continua irregular.

Mesmo com os ajustes de Proud Nordics, a navegação ainda é lenta demais. O barco melhora com o tempo, o boost ajuda e as correntes adicionadas nesta versão tornam certos trechos menos cansativos. Ainda assim, navegar continua sendo menos empolgante do que deveria. O combate naval funciona, mas raramente passa de “aceitável”, e a movimentação da embarcação nunca transmite a sensação de liberdade ou velocidade que esse tipo de proposta pede.

A boa notícia é que o fast travel reduz bastante o problema depois que você descobre novas áreas. Isso evita que a parte mais cansativa do sistema domine a experiência. Ainda assim, o mar de Ys X segue sendo mais uma boa ideia do que uma grande realização. Ele ajuda a dar identidade ao jogo, mas não se torna o diferencial brilhante que poderia ser.


O pós-game e os extras reforçam o pacote, mas falam mais com fãs dedicados

Uma das áreas em que Proud Nordics mais se esforça para justificar seu nome está no conteúdo pós-créditos. Muspelheim oferece uma dungeon com estrutura quase roguelite, cheia de modificadores, progressão própria e recompensas que incentivam múltiplas visitas. Já Ceaseless Sea aposta em ondas infinitas de combate naval para quem quer farmar materiais e continuar evoluindo o barco.

Esses modos são interessantes, especialmente para jogadores que realmente gostaram do combate e pretendem maximizar builds, equipamentos e desafios opcionais. Além disso, a presença de todo o DLC lançado anteriormente dentro do pacote aumenta o volume de conteúdo e adiciona mais utilidade prática ao relançamento, mesmo que boa parte desses bônus seja composta por itens e cosméticos.

O ponto é que esse material fala muito mais com o fã já investido do que com quem procura uma revolução estrutural. Proud Nordics adiciona bastante coisa, mas a maioria dessas novidades melhora a experiência por acúmulo, não por transformação. Isso fortalece o jogo, mas também reforça a ideia de que o novo pacote seria muito mais aceitável como upgrade ou expansão robusta do que como recompra integral.


Vale a pena comprar Ys X: Proud Nordics?

Ys X: Proud Nordics é a melhor forma de jogar Ys X, e isso não está em discussão. A nova edição melhora o combate, amplia o conteúdo, reforça a exploração, acrescenta bons chefes e aprofunda a relação entre Adol e Karja com material extra que, embora não seja essencial, é bem-vindo. Para quem nunca jogou o original, a recomendação é fácil. Esta é a versão certa para começar.

Por outro lado, a situação muda completamente para quem já terminou Ys X: Nordics. O conteúdo novo é competente, mas não massivo o bastante para justificar outra compra em preço cheio. Como não existe um caminho de upgrade fora do Japão, a revisão acaba soando mais oportunista do que deveria. E isso pesa bastante.

No fim, Proud Nordics melhora um jogo bom, mas não reescreve sua essência. Ele continua entregando uma aventura divertida, um sistema de combate sólido e uma dupla central muito carismática. Só que também preserva problemas antigos, como a navegação marítima pouco empolgante e a sensação de que nem toda novidade realmente muda a experiência. Para novatos, é compra certeira. Para veteranos, o melhor caminho é esperar uma promoção realmente generosa.

A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave para o review do jogo.

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