
Quando pensamos na história da SEGA nos videogames domésticos, muita gente começa automaticamente pelo Master System. No entanto, a verdade é que a empresa já havia tentado entrar nesse mercado alguns anos antes, com o SG-1000, lançado em 1983 no Japão. Esse primeiro console da SEGA teve uma presença bastante limitada e acabou restrito praticamente ao mercado japonês. Como aconteceu com vários títulos do Sega Saturn.
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Logo depois veio o SG-1000 II, uma revisão do hardware original que também não conseguiu grande destaque. Por causa disso, esses consoles iniciais acabaram ficando esquecidos na história. Não é raro encontrar pessoas que acreditam que a SEGA começou sua trajetória nos videogames apenas com o Master System.
Ainda assim, esses aparelhos foram importantes como experiências iniciais para a empresa aprender a desenvolver hardware doméstico. Mesmo que não tenham alcançado grande sucesso comercial, eles abriram caminho para aquilo que viria depois.
Master System, Game Gear e a identidade da SEGA
O Master System, conhecido como Mark III no Japão, foi lançado em 1985 e marcou a verdadeira entrada da SEGA na guerra dos consoles. Nos Estados Unidos ele chegou em 1986 e depois se espalhou para diversos mercados ao redor do mundo.
Apesar de tecnicamente poderoso para um console de 8-bits, o Master System enfrentou um problema enorme: os contratos de exclusividade que a Nintendo tinha com diversas desenvolvedoras. Isso limitou bastante a biblioteca do console no Ocidente e ajudou o NES a dominar o mercado.

Mesmo assim, o Master System acabou conquistando um espaço especial em alguns países, especialmente no Brasil, onde fez enorme sucesso e é lembrado com carinho até hoje.
Já o Game Gear, o portátil da SEGA lançado em 1990, teve um destino diferente. Embora tivesse uma tela colorida impressionante para a época, ele acabou ficando famoso pelo consumo exagerado de pilhas. Isso virou quase um meme entre jogadores, o que acabou ofuscando seus méritos.
E se o Game Gear já é pouco lembrado, imagine então o Nomad, o Mega Drive portátil lançado apenas nos Estados Unidos. Esse console acabou se tornando uma curiosidade histórica.
Mega Drive e Dreamcast: dois marcos da empresa
Quando falamos de consoles realmente icônicos da SEGA, dois nomes surgem rapidamente: Mega Drive e Dreamcast.
O Mega Drive, lançado em 1988 no Japão e conhecido como Genesis na América do Norte, é a representação máxima da SEGA durante o final dos anos 1980 e início dos anos 1990. Foi o console que colocou a empresa em pé de igualdade com a Nintendo durante a chamada guerra dos 16-bits.
Por outro lado, o Dreamcast foi o último console da empresa e, mesmo com uma vida curta entre 1998 e 2001, deixou um legado enorme. Ele trouxe ideias extremamente avançadas para a época, como jogatina online com modem embutido, além de quatro portas de controle para multiplayer local.

Muitos especialistas consideram o Dreamcast um dos consoles mais completos já feitos. E parte desse aprendizado veio justamente das dificuldades enfrentadas pela SEGA com o seu antecessor: o Sega Saturn.
Sega Saturn: o patinho feio da SEGA
O Sega Saturn foi lançado em 1994 no Japão e em 1995 no resto do mundo. Ele surgiu durante a transição da indústria para os gráficos em 3D, competindo diretamente com o PlayStation da Sony e, posteriormente, com o Nintendo 64.
O problema é que o Saturn possuía um hardware extremamente complexo. Ele utilizava dois processadores Hitachi SH-2, além de múltiplos chips dedicados para gráficos e som. Essa arquitetura foi criada inicialmente para lidar muito bem com gráficos em 2D, algo que ainda era dominante no início da década de 1990.
No entanto, quando o PlayStation chegou com uma arquitetura muito mais simples e focada em 3D, muitos desenvolvedores passaram a preferir o console da Sony. Como resultado, o Saturn ganhou a fama de ser difícil de programar, algo que marcou sua reputação por muitos anos.
Além disso, a SEGA tomou algumas decisões problemáticas, como o lançamento antecipado do console nos Estados Unidos durante a E3 de 1995, o que acabou pegando lojas e desenvolvedoras de surpresa.
Uma biblioteca de jogos muito melhor do que muitos imaginam
Apesar das dificuldades comerciais, o Sega Saturn possui uma biblioteca fantástica de jogos, especialmente para quem gosta de gêneros clássicos.
O console se destacou muito em jogos de luta, com títulos como Virtua Fighter 2, Fighters Megamix e Street Fighter Alpha. Além disso, ele possui uma coleção impressionante de shoot ‘em ups, incluindo clássicos como Radiant Silvergun, Battle Garegga e Darius Gaiden.

Outro ponto forte do Saturn foi sua presença no mercado japonês. Muitos jogos incríveis nunca saíram do Japão, o que acabou escondendo parte do potencial do console para jogadores ocidentais.
Hoje, graças à emulação e a projetos de tradução feitos por fãs, grande parte desses jogos finalmente pode ser apreciada por mais pessoas.
Um console que merece ser redescoberto
Durante muitos anos, o Sega Saturn ficou preso à sombra do PlayStation e, em menor escala, do Nintendo 64. No entanto, revisitando sua biblioteca hoje, fica claro que ele foi muito mais do que apenas um console complicado.
Ele é, na verdade, um sistema com uma enorme quantidade de jogos excelentes, especialmente para quem gosta de arcade, ação, plataformas e shooters.
Talvez o Sega Saturn nunca tenha recebido o reconhecimento que merecia durante sua vida comercial. Ainda assim, hoje temos a oportunidade de revisitar esse console com outros olhos.
E, quem sabe, finalmente dar ao Saturn a chance que ele sempre mereceu.






