
Hell Clock mistura história brasileira com ação frenética
Logo nos primeiros minutos, Hell Clock deixa claro que não quer ser apenas mais um roguelike de ação genérico. Embora a jogabilidade lembre bastante clássicos do gênero, especialmente Diablo, o jogo tenta ir além ao usar um evento real da história brasileira como base narrativa.
A história acompanha Pajeú, um sobrevivente da guerra de Canudos que mergulha no inferno em busca das almas de seu povo massacrado. O jogo se passa após o conflito histórico ocorrido no final do século XIX, quando a comunidade de Canudos foi destruída por forças militares da recém-formada república brasileira. Esse contexto dá ao jogo um tom de vingança e justiça que aparece constantemente ao longo da campanha.

Ao mesmo tempo, Hell Clock não tenta ser um tratado histórico detalhado. A narrativa funciona mais como combustível emocional para a ação. Ainda assim, a simples decisão de ambientar um roguelike nesse período já torna a experiência mais interessante do que a maioria dos jogos do gênero.
Combate rápido e extremamente satisfatório
No que diz respeito à jogabilidade, Hell Clock segue a estrutura clássica dos roguelikes de ação. Cada tentativa começa com o personagem mergulhando nas profundezas do inferno, enfrentando hordas de inimigos, coletando recursos e desbloqueando melhorias que tornam as próximas investidas mais poderosas.
Além disso, o combate é rápido e extremamente agressivo. Existem habilidades principais, ataques secundários, esquivas e habilidades de área que criam um ritmo intenso durante as batalhas. Entre todas as habilidades, algumas combinações conseguem transformar o personagem em uma verdadeira máquina de destruição.

Um exemplo marcante é o ataque giratório com lâminas e relâmpagos, que simplesmente atravessa hordas de inimigos enquanto espalha dano por todos os lados. É o tipo de habilidade que imediatamente transmite aquela sensação clássica dos ARPGs: quanto mais você avança, mais poderoso e caótico tudo fica.
Consequentemente, cada nova tentativa pode se transformar em uma explosão de efeitos visuais, upgrades e inimigos sendo destruídos em segundos.
Ficha técnica — Hell Clock
| Informação | Detalhe |
|---|---|
| Jogo | Hell Clock |
| Desenvolvedora | Rogue Snail |
| Publicadora | Mad Mushroom |
| Lançamento | 2024 |
| Plataformas | PC |
| Gênero | Roguelike / ARPG |
| Tempo médio de campanha | 8 a 12 horas |
Progressão constante é o maior acerto do jogo
Uma das melhores decisões de Hell Clock é o sistema de progressão entre runs. Como em outros roguelikes, muitas melhorias são permanentes, o que significa que cada tentativa deixa o personagem mais forte para as próximas investidas.
Relíquias, equipamentos e upgrades permanentes criam uma sensação constante de evolução. Inimigos que pareciam impossíveis no início acabam se tornando obstáculos menores depois de algumas runs bem-sucedidas.

Além disso, o jogo inclui uma torre de habilidades que permite melhorar atributos como vida, mana e até o próprio tempo do relógio infernal. Esse sistema ajuda a manter o ciclo clássico do gênero: morrer, evoluir, tentar novamente e avançar um pouco mais.
Portanto, mesmo quando uma tentativa termina em derrota, raramente parece que o tempo foi desperdiçado.
O sistema de tempo cria decisões interessantes
Um dos elementos mais curiosos de Hell Clock é o relógio que limita cada tentativa. Cada mergulho no inferno possui um tempo máximo, o que cria um dilema constante entre explorar mais ou avançar rapidamente.
Por um lado, ficar mais tempo em uma área permite acumular ouro, experiência e itens. Por outro lado, insistir demais pode fazer o tempo acabar antes de chegar ao próximo nível.
Essa mecânica cria um sistema interessante de risco e recompensa. Em alguns momentos vale a pena limpar o mapa inteiro; em outros, correr para o próximo chefe pode ser a melhor escolha.
Embora seja possível desativar o cronômetro, ele adiciona uma camada extra de tensão que funciona bem com a proposta do jogo.
Nem todas as decisões funcionam perfeitamente
Apesar das boas ideias, Hell Clock também apresenta alguns problemas de design. O mais evidente é a forma como o jogo às vezes cria picos de dificuldade baseados apenas em números.
Em certos momentos, o progresso parece travar não por falta de habilidade do jogador, mas simplesmente porque os inimigos se tornam esponjas de dano. Nessas situações, a única solução real é terminar a run, investir em upgrades permanentes e tentar novamente.

Além disso, algumas escolhas de combate também podem gerar frustração. Como praticamente todas as habilidades consomem mana, inclusive a esquiva, não é raro ficar sem recursos justamente quando o jogador mais precisa escapar de ataques perigosos.
Ainda assim, essas falhas não chegam a destruir a experiência. Elas apenas revelam alguns limites no equilíbrio do sistema.
Direção artística e ambientação funcionam muito bem
Visualmente, Hell Clock aposta em um estilo artístico que lembra bastante jogos como Hades, com personagens estilizados, animações exageradas e efeitos visuais intensos.
Os cenários e inimigos reforçam a atmosfera sombria do jogo, enquanto as habilidades criam um espetáculo constante na tela. Em runs avançadas, o combate se transforma praticamente em uma tempestade de partículas, raios e lâminas giratórias.
A trilha sonora também ajuda a sustentar essa energia, combinando bem com o tom de vingança e destruição da narrativa.
Além disso, o jogo inclui referências interessantes à história e cultura brasileira, seja nos inimigos, nas relíquias ou nas citações presentes em itens coletáveis.
Vale a pena jogar Hell Clock?
No final das contas, Hell Clock é um roguelike sólido que consegue se destacar graças à sua ambientação histórica e ao combate extremamente satisfatório.
Embora apresente alguns problemas de balanceamento e certos momentos de frustração, o jogo ainda entrega uma experiência divertida para quem gosta de ARPGs intensos e progressão constante.
Além disso, o fato de usar um episódio marcante da história brasileira como pano de fundo dá ao jogo uma identidade própria dentro de um gênero bastante saturado.
Portanto, se você gosta de roguelikes de ação com combate rápido e builds poderosas, Hell Clock certamente merece sua atenção.
Prós e Contras de Hell Clock
Prós
- Combate rápido e muito satisfatório
- Sistema de progressão que mantém cada run recompensadora
- Ambientação histórica interessante baseada em Canudos
- Boa variedade de habilidades e builds possíveis
- Direção artística estilizada e cheia de personalidade
Contras
- Picos de dificuldade baseados apenas em números
- Sistema de mana limita demais algumas habilidades
- Inimigos podem virar esponjas de dano em runs avançadas
- Certos momentos dependem mais de upgrades do que de habilidade
Nota
⭐ Nota: 7.5 / 10
FAQ — Hell Clock
Hell Clock é parecido com Diablo?
Sim. O jogo usa uma estrutura de ARPG com combate frenético e builds de habilidades, lembrando bastante a série Diablo.
Hell Clock é difícil?
Ele pode ser desafiador, principalmente nas primeiras horas, mas o sistema de progressão ajuda bastante a tornar cada tentativa mais fácil.
Hell Clock tem história baseada em fatos reais?
Sim. O jogo usa o massacre de Canudos como base para sua narrativa de vingança e redenção.
Quanto tempo dura Hell Clock?
A campanha principal pode levar entre 8 e 12 horas, dependendo da habilidade do jogador e das runs necessárias.
A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave para Review do jogo.






