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City Hunter retorna em novo port, mas clássico cult revela limitações do passado

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City Hunter

City Hunter e o charme das cidades neon

Existe algo quase automático em romantizar a cidade grande da forma como ela aparece em filmes e animes: ruas molhadas pela chuva refletindo luzes neon, criminosos e empresários cruzando avenidas durante a madrugada e figuras perigosas observando nas sombras. Esse tipo de atmosfera urbana sempre combinou perigo e fascínio — um cenário perfeito para histórias de ação.

Foi exatamente essa estética que ajudou a tornar City Hunter um fenômeno nos anos 1980 e 1990. Criada pelo mangaká Tsukasa Hojo, a obra acompanha Ryo Saeba, um “cleaner” que trabalha como uma mistura de detetive particular, mercenário e justiceiro urbano em Shinjuku.

Esse universo acabou chegando aos videogames em City Hunter, lançado originalmente em 1990 para o console da NEC — conhecido no Ocidente como TurboGrafx-16. Durante décadas, o jogo permaneceu praticamente exclusivo do Japão e se tornou uma curiosidade histórica: o único game oficial da franquia City Hunter.

Agora, graças ao trabalho de relançamento da Red Art Games, o título retorna às plataformas modernas com algumas melhorias técnicas e extras. O retorno possui valor histórico inegável, mas também levanta uma pergunta inevitável: City Hunter ainda funciona como jogo em 2026?


A história de City Hunter PC Engine

A narrativa acompanha Ryo Saeba e sua parceira Kaori Makimura enfrentando diferentes organizações criminosas que operam em Tóquio. O jogo adapta o universo do mangá de forma bastante livre, colocando o protagonista diante de três missões principais envolvendo empreendimentos ilegais distintos.

A estrutura de City Hunter é direta. O jogador escolhe uma missão, invade o prédio controlado pelos criminosos e precisa reunir provas antes de enfrentar o chefe da organização. Depois de completar essas três operações, uma quarta missão final é desbloqueada, funcionando como clímax da campanha.

Narrativamente, o jogo cumpre seu papel básico. Não exige conhecimento prévio do mangá ou do anime, mas também não desenvolve uma trama particularmente marcante. A história funciona principalmente como pano de fundo para a ação.

Pequenos elementos do humor característico da série aparecem aqui e ali. O comportamento pervertido de Ryo, por exemplo, surge como uma mecânica curiosa: ao encontrar mulheres escondidas em salas secretas, o protagonista reage constrangido e recupera parte de sua barra de vida. É um detalhe típico de City Hunter, mas que pouco acrescenta ao desenvolvimento narrativo.


Gameplay de City Hunter: ação simples e exploração confusa

A jogabilidade de City Hunter segue a estrutura clássica de um side-scroller de ação. Ryo percorre corredores eliminando inimigos com sua pistola enquanto explora portas espalhadas pelos prédios.

Dentro dessas salas o jogador pode encontrar NPCs, itens importantes ou apenas novos corredores. O problema é que o jogo não possui mapa nem indicações claras de progressão.

Isso faz com que grande parte do tempo seja gasto tentando descobrir qual porta leva ao próximo objetivo. Muitas salas são becos sem saída e o progresso depende frequentemente de tentativa e erro.

Como resultado, cada fase de City Hunter funciona quase como um pequeno labirinto. Em vez de focar no combate, o jogador acaba tentando memorizar caminhos e descobrir onde usar itens importantes.

Os inimigos apresentam alguma variedade — mafiosos armados, adversários com lança-chamas, inimigos que saltam ou arremessam bombas — além de chefes com padrões específicos de ataque. Entretanto, como a estrutura das fases se repete constantemente, essa diversidade perde impacto rapidamente.

Outro problema vem do sistema de respawn de inimigos. Em diversas situações, ao sair de uma sala, novos adversários aparecem imediatamente na tela, às vezes até atacando de fora do campo de visão. Isso faz com que parte da dificuldade venha de situações praticamente inevitáveis.


Combate funcional, mas limitado

Apesar desses problemas estruturais, o combate em City Hunter funciona bem dentro de sua proposta. Os controles são responsivos e as ações básicas — atirar, avançar e reagir aos inimigos — funcionam de maneira confiável.

O grande problema é a falta de evolução da jogabilidade. O jogo praticamente não apresenta novas mecânicas ao longo da campanha. Não existem upgrades significativos, novas armas ou sistemas que ampliem as possibilidades do jogador.

A dificuldade original parece ter sido pensada mais como forma de estender a duração do jogo do que como resultado de um design cuidadosamente equilibrado.

O relançamento tenta amenizar isso com algumas opções adicionais. O modo Enhanced traz pequenos ajustes técnicos e mudanças no comportamento dos inimigos, enquanto o modo Hard reorganiza padrões de ataque para oferecer um desafio maior.

Ainda assim, essas alterações não modificam o núcleo da experiência.


O relançamento de City Hunter

Se o jogo original mostra claramente sua idade, o trabalho de port realizado pela Red Art Games é tecnicamente competente.

O relançamento de City Hunter  inclui diversas opções modernas:

  • proporção Pixel Perfect;
  • modo 4:3 clássico;
  • suporte a widescreen;
  • filtro CRT;
  • save states;
  • função de rewind.

Esses recursos ajudam bastante a reduzir as frustrações do design original.

O pacote também inclui alguns extras interessantes. Há uma galeria de imagens promocionais, uma jukebox com a trilha sonora do jogo e até uma versão digital em 3D da HuCard original do PC Engine, acompanhada do manual escaneado.

Além disso, o jogo recebeu localização oficial para vários idiomas ocidentais. Pela primeira vez, City Hunter pode ser jogado em inglês, francês, espanhol, italiano e alemão.


Vale a pena jogar City Hunter  hoje?

No fim das contas, City Hunter  é um jogo de 1990 preservado com algumas comodidades modernas.

Visualmente ele é competente para o hardware do PC Engine, mas o design de fases é repetitivo, a exploração é confusa e o loop de gameplay se esgota rapidamente. A campanha também é curta e dificilmente sustenta interesse por muito tempo.

O relançamento melhora a acessibilidade com recursos modernos e extras interessantes, mas não consegue corrigir problemas fundamentais do jogo original.

Para fãs do mangá ou do anime, o título possui valor histórico. Afinal, trata-se do único videogame oficial da franquia City Hunter.

Para os demais jogadores, porém, o apelo é bem mais limitado. O charme cult existe, mas as limitações de design deixam claro que estamos diante de um produto muito preso à sua época.

A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave para review do jogo.

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