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Retrogaming – Por que devemos olhar além do passado

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O Conforto Retrogaming que Vira Armadilha (e a gente nem percebe)

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Às vezes penso, aqui parado diante do PC, como esses jogos antigos funcionam como um abraço emocional depois de dias cansativos. Esse conforto do retrogaming é real, e muita gente se apoia nele sem nem perceber.

O problema começa quando esse conforto vira hábito automático. Jogamos sempre as mesmas coisas e fingimos que isso é “ser fiel ao passado”. Na verdade, é comodismo — daqueles bem preguiçosos. Ficamos presos nesse ciclo confortável de retrogaming e deixamos de experimentar novidades que poderiam superar até nossos clássicos favoritos.

Muita gente acredita que apenas os jogos dos anos 1980, 1990 e 2000 têm valor real. Alguns tratam esses títulos como pilares sagrados (– arqueólogos digitais do retro –). Ignoram que muitos indies atuais superam produções AAA em criatividade, ousadia e impacto, mas preferem continuar enclausurados no retrogaming como escudo emocional.

A Idolatria do Passado (quase um culto)

Não me surpreende que muita gente repita “no meu tempo era melhor”. Também dizem que “os jogos tinham mais carinho antes” ou que “Sonic clássico é superior ao moderno” (– afinal, o tempo congela tudo, né? –). Esse discurso virou quase um ritual religioso dentro do retrogaming.

Gostar de jogos antigos não é o problema. O problema é deixar esse passado virar venda nos olhos. Muitos só enxergam 8, 16, 32 e “128” bits (– sim, “128”, gente, não façam bobagem –). Essa devoção cria uma bolha onde o retrogaming vira justificativa para não olhar o que existe depois da geração Dreamcast.

A indústria evoluiu. Só não vê quem está ocupado demais assoprando fita, acumulando CD’s e repetindo frases prontas desde 2001.

A Zona de Conforto e a Culpa Nossa (sim, eu estou falando com você)

Esse tipo de cabresto utilizado de forma consciente por muitos — também uso em horas vagas — me causa uma inquietude difícil de ignorar. Sim, eu sei que o Super Nintendo tem mais de 1700 jogos para experimentar. Sim, eu sei que você adora lamber as bolas do Adam, de Streets of Rage. Claro, eu entendo perfeitamente que você quer bater em todo mundo junto com os irmãos Lee em Double Dragon. E, fantástico, nada mais legal do que estar com o Cloud tentando acabar com o Sephiroth pela quadragésima vez.

Mas vamos encarar a verdade sem dó: quem vive só disso está preso num retrogaming que virou cativeiro emocional, uma certa síndrome de Estocolmo, talvez? E o pior? Muita gente defende esses jogos com paixão religiosa, como se fossem obras sagradas intocáveis — mesmo sabendo que boa parte dessa devoção é pura preguiça de experimentar algo novo.

Fãs de Streets of Rage, Double Dragon, Final Fantasy VII e Super Nintendo que me desculpem… aliás, não, não me desculpem. Quando vocês recusam qualquer jogo moderno, alimentam uma bolha que só existe porque é confortável. Não porque é verdadeira. Sem contar um comércio que só existe porque alicia o querer ter aqueles jogos que não tiveram no passado. Muitos são manipulados de uma forma até insidiosa.

Vocês não rejeitam jogos novos porque são ruins. Vocês rejeitam porque o novo exige atitude, abertura e a possibilidade assustadora de admitir que o retrogaming não é perfeito. A nostalgia é gostosa, mas a covardia gamer é bem mais comum do que muitos admitem.

Ser Retrogamer Sem Virar Refém da Nostalgia

Sou retrogamer desde os anos 1990, quando emular jogos era quase magia proibida. O retrogaming me formou como jogador, mas nunca me impediu de abraçar Sega Saturn, PlayStation e Nintendo 64. Nunca tive preconceito entre gerações. Até virar um velho chato e começar a dizer que, desde a geração Xbox One, que essa é a pior geração dos jogos eletrônicos feitas até hoje e, ainda assim, possuir um console da geração para jogar.

Com o tempo percebi que toda geração nova parece pior que a anterior. Mas isso é pura ilusão nostálgica. Transformamos jogos medianos em clássicos porque nossa memória faz retoques automáticos. Ignoramos que cada época teve jogos horríveis também (– só que ninguém fala deles, né? –).

Ser retrogamer de verdade é entender que nostalgia é deliciosa, mas enganadora. Se deixarmos, o retrogaming vira uma prisão dourada, nos transformando em guardiões rabugentos de um passado editado pela nossa imaginação.

Abrir Espaço para o Presente (antes que seja tarde)

Não proponho abandonar o retrogaming. Proponho parar de usá-lo como muleta para justificar preguiça. Dá para jogar títulos novos sem console moderno ou PC potente. Muitos indies rodam até em computadores enferrujados e entregam experiências criativas e acessíveis.

O erro é julgar sem experimentar. Criticar câmera, gênero ou estilo porque “parece estranho” é preguiça intelectual. Não existe opinião válida sem vivência real. Rejeitar por birra é infantilidade pura. Resumindo, não vale ver jogatina via Youtube ou Twitter e já balizar suas ideias!

Chegou a hora de abrir espaço para jogos atuais e futuros. Ficar preso ao retrogaming é confortável, mas perder o presente é tolice. E o futuro está chegando rápido — gostemos ou não.

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