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Backlog infinito: o peso silencioso das listas que nunca acabam

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YouTube, Disney+, Live, PSN, Steam e Spotify são serviços que garantem entretenimento infinito a um clique. Nunca tivemos tantas opções ao nosso alcance, e isso soa ótimo até o momento em que deixa de soar. O excesso é uma bênção que vira maldição, porque transforma qualquer pessoa em refém das próprias escolhas. E começa a criar um backlog… talvez infinito.

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E nem falei dos jogos educativos (cof, cof, torrents) e da emulação, que empurram mais um quintilhão de horas de entretenimento impossível de consumir. Tudo isso pressiona o cotidiano de qualquer pessoa média, vivendo num país médio, num mundo médio e num sistema solar igualmente médio. O backlog cresce, sorri e observa você com ar de deboche.

Você olha para o backlog e ele olha para você!

Num dia qualquer, você abre o celular, acessa o YouTube e encara uma avalanche de vídeos novos. Criadores que você segue há anos aparecem com novidades, junto a dezenas de recomendações baseadas nos seus interesses. Você procura por algo, marca vídeos para ver depois e, sem perceber, cria mais uma lista que jamais chegará ao fim. O ciclo repete sem piedade.

Você faz o mesmo no Spotify. Músicas entram sem parar na sua coleção, mesmo que você só queira ouvir algo enquanto frita um ovo ou toma banho. Episódios de podcasts se acumulam como dívidas emocionais que você promete pagar “quando der”. Não dá.

E nem chegamos nos jogos comprados na última Summer Sale da Steam ou da PSN, Live, Nuuvem, Gog. Videogame não é exceção: é o ápice do backlog descontrolado.


Você pode ser organizado, mas sua lista vai aumentar

Por mais organizada que seja a pessoa, o backlog sempre cresce. Você promete que consumirá tudo no feriado, no fim de semana ou nas férias. Acredita nisso até o momento em que lembra que sua vida tem obrigações reais.

A falta de tempo é o principal vilão. O cotidiano oferece janelas minúsculas para lazer, e o mundo moderno exige escolhas duras. Acabamos priorizando tarefas que pagam boletos e sacrificamos descanso. O backlog se alimenta disso com gosto.

Mesmo que você crie planilhas no Excel para organizar tudo, o atraso chega. Você percebe que não consegue consumir nada da forma ideal e o sentimento de frustração aparece sem cerimônia.

E tanto fez e faz se você é solteiro, casado, ajuntado nessa história, o resultado tende a ser sempre o mesmo, não importa as suas escolhas no começo, no meio ou no final do dia.


A pilha enorme de jogos físicos ou digitais

Steam, Gog, Epic, Luna, Game Pass e PSN garantem acesso a jogos de todos os tipos. Alguns foram comprados, outros chegaram de graça, alguns vieram por assinatura. Todos juntos montam uma torre impossível de escalar.

Cada jogo funciona de um jeito. Alguns duram 30 minutos. Outros pedem dezenas de horas. Sidequests, colecionáveis e objetivos extras surgem para engolir ainda mais tempo. De repente, você passa 800 horas em um único título.

Não é perda de tempo jogar. A questão é simples: não temos horas suficientes para explorar tudo. A frustração cresce e o backlog vira uma Torre de Pisa digital. Nem com três vidas você finalizaria tudo que acumulou.


A emulação (e o retrogaming) é um backlog infinito

A emulação leva isso ao extremo. Ela abre portais para bibliotecas gigantescas dos anos 2000 para baixo. É tanta coisa que chega a ser ridículo.

ROMs, ISOs, fitas e CDs formam um abismo temporal. Você tenta aproveitar, mas sempre falta tempo. Quando pensa que avançou, perde paciência com um jogo antigo e volta para aquele título reconfortante, só para quebrar o ciclo de estresse.

Ou encontra uma franquia desconhecida e promete jogar depois, reiniciando o círculo vicioso. Nem seus netos salvarão você desse acúmulo. Eles herdarão apenas uma lista eterna com looping infinito.


E tem alguma coisa que pode ser feita?

Não sei. Desde 2010 tento reduzir o backlog e nunca consegui. Meu paliativo são os reviews que escrevo todos os anos. Pelo menos conheço jogos novos. Só este ano foram mais de 180.

É melhor do que ficar preso aos mesmos títulos e repetir sempre as mesmas escolhas. Mas a verdade é simples: o backlog sempre vence.

Isso é bem complicado…

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