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Necesse – O Survival que Pode Ser Sua Próxima Obsessão

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Necesse me surpreendeu logo nas primeiras horas, mesmo sabendo que ele já contava com avaliações extremamente positivas no Steam. Quando finalmente saiu do Acesso Antecipado, eu esperava um survival competente, mas não necessariamente um destaque dentro do gênero. No entanto, rapidamente percebi que o jogo da Fair Games evoluiu muito desde suas primeiras versões e, embora ele use bases conhecidas, entrega uma experiência envolvente, fluida e impressionantemente viciante.

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Além disso, o salto de jogadores após o lançamento oficial confirma algo que eu mesmo senti enquanto jogava: Necesse está em um ponto de maturidade raro para um título que passou tanto tempo em desenvolvimento aberto. As ideias foram refinadas, os sistemas se encaixam naturalmente e o ritmo da progressão evita frustrações comuns em jogos semelhantes. Por isso, acredito que vale analisar como ele combina inspiração, identidade e boas decisões de design para conquistar um público cada vez maior.


O Que Torna Necesse Único no Gênero Survival

Jogando Necesse, ficou evidente para mim que ele não tenta reinventar o gênero, mas sim entregar versões bem executadas de mecânicas já conhecidas. Embora comece como muitos outros survivals — coletando madeira, minerais e equipamentos básicos — o jogo rapidamente ganha ritmo. A exploração pelos cinco biomas, cada um com seus inimigos e recursos, se mostra fluida e sempre recompensadora. Essa sensação de avanço constante faz toda diferença, especialmente para quem já se cansou de progressões lentas ou artificiais.

A grande força de Necesse está na maneira como ele junta vários elementos familiares sem engessar o jogador. Em vez de forçar caminhos, o jogo oferece autonomia e deixa que cada um experimente seu próprio ritmo. Eu gostei especialmente dessa liberdade, porque ela evita a sensação de repetição e dá espaço para diferentes estilos de jogo. Assim, mesmo quem já jogou Terraria, Valheim, Core Keeper ou Stardew Valley sente que há algo novo e agradável aqui.


Um Mundo Infinito e Transições Naturais Entre Biomas

A mudança para um mundo aberto totalmente contínuo foi, na minha opinião, um dos maiores acertos da versão 1.0. Antes, os biomas separados por telas de carregamento quebravam o ritmo e limitavam a sensação de imersão. Agora, caminhar entre uma floresta, um deserto ou uma região nevada se tornou muito mais natural, elevando a exploração a outro patamar. Quando percebi isso nas primeiras horas, ficou claro para mim o quanto essa decisão beneficiou não apenas o visual, mas também a jogabilidade.

Além disso, gostei da forma como o jogo permite converter mundos antigos para esse novo sistema. Essa preocupação com os jogadores antigos demonstra maturidade no desenvolvimento. A exploração se torna mais intuitiva, menos interrompida e muito mais satisfatória. Para mim, esse tipo de melhoria mostra que Necesse é um projeto que evolui ouvindo sua comunidade.


Automação, Colonos e Construção de Assentamentos

O sistema de colonos foi outra das mecânicas que mais me surpreendeu. Logo que estabeleci meu primeiro assentamento, percebi como essas pequenas automatizações transformam o ritmo do jogo. A possibilidade de delegar tarefas como coleta de madeira, mineração, pesca ou agricultura deixa tudo mais fluido, permitindo que o jogador foque nos aspectos que realmente deseja explorar. Personalmente, achei essa combinação de survival com gerenciamento simples, porém eficiente, uma das características mais marcantes do jogo.

Apesar de não ter a profundidade de RimWorld ou Dwarf Fortress, Necesse equilibra muito bem a simplicidade com a sensação de progresso. Ver o vilarejo funcionando, retornar de uma expedição e encontrar recursos coletados automaticamente sempre me motivou a continuar expandindo meu assentamento. Em nenhum momento isso pareceu superficial; pelo contrário, virou parte importante da experiência.


Combate, Bosses e Progressão Estruturada

A progressão por meio de bosses segue a fórmula clássica do gênero, mas gostei do fato de Necesse não tratar esses confrontos como barreiras absolutas. É possível explorar biomas mais perigosos antes do tempo, desde que você esteja equipado o suficiente. Essa liberdade deixa o jogo menos rígido e encoraja abordagens criativas. Em vários momentos, avancei para áreas mais difíceis para conseguir materiais melhores antes de enfrentar certos bosses, e fiquei satisfeito por o jogo permitir esse tipo de estratégia.

Os bosses, apesar de funcionarem como “stat checks”, têm boa variedade mecânica e tornam o avanço mais empolgante. Contudo, acredito que alguns poderiam ser mais desafiadores. Ainda assim, o conjunto geral funciona muito bem, principalmente quando o jogador alterna exploração, combate e automação.


Multiplayer, Servidores e Experiência Compartilhada

O multiplayer de Necesse foi uma grata surpresa para mim. A possibilidade de jogar com até 250 pessoas em servidores dedicados é impressionante, mas mesmo sessões menores, com dois a cinco jogadores, já mostram o potencial cooperativo do jogo. Jogar com amigos torna a progressão mais rápida e as aventuras subterrâneas mais divertidas. Além disso, o fato de os colonos continuarem úteis no modo multiplayer reforça o valor desse sistema.

Durante as sessões cooperativas que joguei, notei que o ritmo se mantém equilibrado, sem deixar ninguém para trás. Os desafios ficam mais divertidos e a coordenação de tarefas torna o assentamento mais dinâmico. Embora o jogo claramente brilhe no single-player, acredito que muitos jogadores vão se surpreender com o quanto o multiplayer amplia a experiência.


Onde Necesse Ainda Pode Melhorar

Apesar de tudo que oferece, Necesse ainda tem espaço para evoluir. A falta de suporte adequado para controles dificulta a jogabilidade no Steam Deck e com gamepads. Como testei essas opções, posso afirmar que a interface precisa de melhorias para tornar tudo mais intuitivo. Além disso, o tutorial é básico demais, deixando iniciantes com dúvidas sobre mecânicas importantes. Acredito que uma introdução mais guiada deixaria o jogo ainda mais acessível.

O visual também não é seu ponto mais forte. O pixel-art cumpre sua função, mas não entrega personalidade marcante. Em alguns momentos, elementos visuais podem parecer confusos, o que prejudica um pouco a leitura do cenário. No entanto, a trilha sonora compensa parte disso, trazendo uma atmosfera agradável. Portanto, embora existam pontos a melhorar, nenhum deles compromete o conjunto.


Conclusão

Depois de dezenas de horas jogando Necesse, posso dizer com tranquilidade que o jogo tem potencial real para se tornar um dos grandes nomes do gênero survival. A base sólida, o ritmo viciante e as inúmeras possibilidades de exploração tornam a experiência envolvente e acessível. Embora ainda não esteja no nível de impacto de Terraria, acredito que, com atualizações contínuas, ele pode conquistar espaço nesse mesmo patamar.

Se você gosta de survivals e busca um jogo que mistura exploração, automação, criatividade e combate de maneira equilibrada, Necesse merece sua atenção. Ele é divertido, consistente e cheio de possibilidades, e certamente tem condições de se tornar sua próxima grande obsessão — assim como aconteceu comigo.

A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave para o review do jogo.

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