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Absolum – Um Roguelike Brutal e Estiloso

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Absolum

Absolum me surpreendeu desde os primeiros minutos, não apenas por trazer um combate delicioso inspirado em Streets of Rage 4, mas também por combinar esse estilo clássico com um sistema roguelike cheio de personalidade. Embora eu goste do gênero roguelike, costumo ser mais seletivo com beat ’em ups. No entanto, bastaram algumas partidas para perceber que a Dotemu e a Guard Crush Games sabiam exatamente o que estavam fazendo. Absolum é, ao mesmo tempo, familiar e inovador, e por isso mesmo conquistou um espaço próprio em um gênero que muitos consideravam saturado.


Primeiras Impressões e a Estrutura Roguelike

Logo no início, Absolum deixa claro o quanto respeita o jogador. A progressão funciona de maneira transparente, já que cada run não depende apenas de encontrar moedas ou itens especiais, mas também de superar seus próprios limites. E isso, aliás, é um enorme acerto. Afinal, a pontuação final funciona como um tipo de barra de experiência que desbloqueia recompensas conforme seus resultados melhoram. Essa decisão reduz a frustração e transforma cada tentativa em algo recompensador, mesmo quando você morre de forma trágica.

Além disso, Absolum se distancia de outros títulos ao eliminar a escolha direta de recompensas nas salas. Em vez disso, você define rotas narrativas, enfrentando áreas e inimigos diferentes dependendo do caminho tomado. Essa escolha muda profundamente a dinâmica da aventura e, surpreendentemente, afeta o mundo de maneiras coerentes e inesperadas. Como o gênero roguelike vive de repetição, Absolum se destaca por transformar cada run em algo novo, vibrante e narrativamente relevante.


Mundo, Lore e Construção de Universo

O mundo de Talamh é, sem dúvida, uma das maiores surpresas. Embora muitos roguelikes abusem de cenários genéricos, Absolum cria um universo que me prendeu do início ao fim. A ambientação chama atenção tanto pelo texto quanto pela narrativa ambiental, já que cada área conta um pedaço da história sem dizer uma palavra. Além disso, o jogo subverte vários clichês de fantasia — goblins, anões e elfos ganham novas abordagens, fugindo de caricaturas desgastadas e apresentando culturas ricas e surpreendentes.

Mesmo que a estrutura remeta a Hades, Absolum evita comparações diretas ao focar mais no mundo do que nas relações entre personagens. Em vez de aprofundar vínculos pessoais, ele expande a mitologia de Talamh a cada run. Isso funciona incrivelmente bem porque o mundo evolui conforme você avança, revelando conflitos, tradições e tensões sociais. Com isso, Absolum entrega uma fantasia que começa convencional, mas rapidamente revela camadas muito mais complexas.


Personagens Jogáveis e Personalidade

Os quatro personagens jogáveis são outro ponto de destaque. A escolha inicial entre Karl, o anão brutamontes, e Galandra, a assassina ágil, já mostra o quanto o elenco é variado. Entretanto, o jogo melhora ainda mais quando você desbloqueia Brome, um mago anfíbio cansado da vida e dono de um humor ácido, e Cider, uma combatente misteriosa com estilo totalmente diferente. O mais interessante é que cada personagem vem de uma região do jogo, então sempre há chance de descobrir novos diálogos ao revisitar áreas com um herói diferente. Assim, o jogo incentiva você a experimentar estilos diversos enquanto expande o entendimento do mundo.

Além disso, cada personagem possui combos próprios, habilidades exclusivas e habilidades Arcana que modificam totalmente a jogabilidade. Como resultado, Absolum entrega variedade real — e não apenas mudanças cosméticas — fazendo com que cada run tenha sabor único.


Combate, Profundidade e Satisfação

Mesmo que eu não seja um especialista técnico em beat ’em ups, posso dizer com segurança que Absolum tem um dos combates mais satisfatórios que joguei nos últimos anos. Os ataques são pesados, o feedback sonoro e visual é excelente, e o ritmo das batalhas encontra um equilíbrio perfeito entre brutalidade e fluidez. Enquanto isso, trocar entre golpes básicos, especiais e habilidades é sempre prazeroso, criando um fluxo viciante que recompensa agressividade e precisão.

Além disso, o jogo empresta ideias dos jogos de luta 2D, especialmente no sistema de esquiva e contra-ataques. Ao desviar no frame correto, você pode defletir ataques, interromper combos inimigos e abrir espaço para sequências devastadoras. E como se isso já não fosse suficientemente divertido, Absolum permite juggling em chefes — algo raro e extremamente satisfatório. Basta dizer que ver o Underking quicando pela arena enquanto o espanco coletivo continua é simplesmente impagável.

A trilha de batalha do Underking, aliás, está entre as melhores que já ouvi no gênero.


Construção de Builds, Recompensas e Progressão

A variedade de opções durante as runs é impressionante. Cada tela oferece recompensas — ouro, cristais, Trinkets, Rituals — que alteram profundamente sua estratégia. Aliás, os Rituals são o equivalente aos Boons de Hades, mas funcionam de maneira ainda mais agressiva e criativa. Eles introduzem mecânicas como anéis de fogo, invocação de esqueletos e adagas arremessáveis geradas no fim dos combos. Com isso, Absolum encoraja você a experimentar builds insanas e a descobrir combinações inesperadas.

Além disso, o jogo brilha ao apresentar novos caminhos, inimigos e eventos praticamente a cada run. Mesmo com mais de vinte horas, descobri rotas inéditas e surpresas que mantiveram meu interesse alto. Embora falte um endgame que incentive continuar após terminar a história, o conteúdo é tão denso que isso passa quase despercebido.


Direção de Arte e Trilha Sonora

A arte de Absolum é um espetáculo. Tudo é desenhado à mão, com um estilo que lembra uma versão mais sofisticada dos filmes de Ralph Bakshi. A cada nova área, o jogo surpreende com cenários vibrantes, paletas ousadas e personagens estilizados de forma marcante. Além disso, a trilha orquestral traz peso cinematográfico e levanta cada combate épico como se fosse o clímax de um filme.

Somando tudo isso, Absolum se torna mais do que um simples jogo: é um universo exuberante, repleto de personalidade e entregue com uma confiança artística rara.


Conclusão

Absolum não apenas homenageia Hades, mas também o ultrapassa em alguns aspectos específicos ao misturar beat ’em up com roguelike de maneira ousada. A Guard Crush Games prova, mais uma vez, que domina o gênero e, acima de tudo, que sabe reinventá-lo. Entre um combate viciante, uma fantasia envolvente, personagens memoráveis e um sistema de progressão extremamente justo, Absolum se firma como um dos melhores jogos de ação dos últimos anos. Aliás, ouso dizer que ele já nasceu com cheiro de clássico cult — desses que a gente revisita e recomenda por muitos anos.

Se você gosta de roguelikes, beat ’em ups ou simplesmente quer algo novo e surpreendente, Absolum é obrigatório.

A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave para o review do jogo.

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