
Hoje, no Process Blasted, eu poderia escrever mais uma vez criticando a Tectoy. No entanto, não farei isso agora. A empresa lançou recentemente alguns produtos da linha Zeenix e, por enquanto, tudo parece caminhar bem.
Diante disso, surge a pergunta: sobre o que escrever? Como prender a atenção das pessoas, ainda que por apenas três minutos, em meio a tantas distrações? Em um mundo onde os olhos estão sempre fixos nas telas do celular ou do computador, conquistar esse tempo de leitura se torna um desafio cada vez maior.
Existem várias formas de alcançar esse objetivo, mas quando o tema principal se perde, o caminho se torna tortuoso. Às vezes, parece exigir quase uma habilidade extrassensorial. Ainda assim, a escrita exige persistência e foco, mesmo quando os assuntos divergem e os rumos parecem diferentes.
Caminhos divergentes e a sombra do silêncio
Muitas vezes, um grupo quer seguir por um caminho, enquanto outro deseja algo distinto. Essa divergência não é negativa. Pelo contrário, pode trazer pluralidade e enriquecer ideias. No entanto, não se pode ficar sempre em cima do muro. É preciso assumir uma posição, ainda que ela desagrade a alguns.
O meu trabalho é com o público, porque eu também faço parte dele. Se minhas opiniões soam ríspidas ou se minhas críticas a empresas são duras, isso reflete minha visão pessoal e minhas experiências. Evidentemente, é importante ouvir os dois lados, mas o meu já é bem conhecido.
Sobre a Tectoy, não será hoje que falarei dela em profundidade. Ainda assim, fica uma sensação de incômodo, como se houvesse um controle invisível das palavras. É quase como se cada frase fosse pesada antes de ser escrita, lembrando um ambiente de vigilância constante. Isso faz eco não apenas a 1984, de George Orwell, mas também a obras como Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, e Fahrenheit 451, de Ray Bradbury. Cada uma, à sua maneira, retrata sociedades onde ideias são moldadas, filtradas ou caladas antes mesmo de ganharem vida.
No fim, seguimos pelos caminhos tortuosos da vida, limitando ações e pensamentos. E, mais adiante, talvez reste apenas a reflexão: “Eu deveria ter feito o que realmente queria fazer”. Afinal, como já alertaram esses clássicos da literatura, nada é mais perigoso do que não poder pensar — ou escrever — livremente.






