
Grim Trials mistura combate hack-and-slash com elementos de roguelike, oferecendo uma experiência intensa, estilizada e altamente desafiadora. Desenvolvido pelo estúdio indonésio Glory Jam e publicado pelos estúdios Neon Doctrine e Soft Source, o jogo acompanha Avelin, uma jovem ceifadora em treinamento que precisa enfrentar suas dores internas e inimigos sobrenaturais para se tornar uma Reaper completa. Com narrativa envolvente, gameplay rápido e sistema de progressão viciante, o título apresenta uma proposta promissora, mesmo em acesso antecipado.
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Avelin inicia sua jornada após ser ressuscitada como uma Ceifadora, determinada a concluir provações no limbo com a esperança de reencontrar o amor que perdeu. Durante essa travessia por salas hexagonais repletas de perigos, o jogador precisa dominar os combates e aprimorar suas habilidades. Grim Trials se destaca pelo ritmo acelerado, pelas possibilidades táticas e pelo sistema de recompensas que equilibra bem riscos e ganhos. É uma proposta ideal para quem busca um jogo desafiador, visualmente marcante e com alto fator de replay.
Combate preciso e sistema de progressão dinâmico
Em Grim Trials, cada sala funciona como um pequeno campo de batalha em forma de hexágono. Ao derrotar todos os inimigos, o jogador escolhe entre três bênçãos aleatórias, que oferecem upgrades em ataques corpo a corpo, à distância ou especiais. Cada upgrade tem cinco níveis de aprimoramento e altera significativamente a estratégia de combate. A distribuição aleatória dessas bênçãos garante uma experiência variada a cada nova tentativa, característica essencial dos bons roguelikes.

O combate exige reflexos rápidos e conhecimento sobre os tempos de ataque e esquiva. Um diferencial está na ausência de cancelamento de animação no combo final, forçando o jogador a se adaptar ao ritmo do jogo. Além dos upgrades temporários, também é possível desbloquear melhorias permanentes após cada tentativa. Entre elas estão atributos como taxa de crítico, dano crítico e velocidade de ataque. Esses aprimoramentos ampliam o leque de possibilidades e incentivam o jogador a persistir até superar os desafios mais complexos.
Exploração, equipamentos e sistema de crafting
O jogo apresenta um sistema robusto de crafting, permitindo a criação de roupas, armas e poções. Cada equipamento oferece habilidades passivas que alteram a forma como Avelin interage com os inimigos e o ambiente. Ao explorar o limbo e derrotar monstros, o jogador coleta materiais necessários para fabricar esses itens. Essa mecânica adiciona profundidade à progressão e encoraja a exploração cuidadosa de cada sala.
Apesar da complexidade positiva do crafting, há uma limitação incômoda: os itens marcados para fabricação não aparecem em outros menus. Isso obriga o jogador a lembrar manualmente de cada receita, prejudicando a fluidez do gerenciamento de recursos. Mesmo assim, o sistema não compromete o conjunto da obra. É possível personalizar a jogabilidade ao combinar diferentes equipamentos e estilos, o que torna cada partida única e estrategicamente instigante.
Personagens secundários e construção de mundo
A base central do jogo, conhecida como academia, serve como um hub onde Avelin interage com personagens secundários que oferecem missões, upgrades e recursos essenciais. Entre eles estão Milyun, o alfaiate responsável por roupas e equipamentos; John, o mentor que guia o progresso; Ivanya, uma bruxa misteriosa; e Pytra, a armeira que fornece armas especiais. Cada um contribui com elementos narrativos e funcionais que enriquecem a experiência.

A academia também permite o acesso à árvore de habilidades, na qual o jogador usa as almas coletadas para desbloquear runas. Essas runas servem como moeda de troca por novas habilidades, que podem ser reorganizadas livremente. A liberdade para reconfigurar os upgrades permite experimentação constante e adaptação conforme o estilo de jogo. Esse dinamismo torna a evolução de Avelin mais envolvente e personalizada.
Desafios, chefes e atmosfera misteriosa
Grim Trials oferece dois chefes principais nesta fase de acesso antecipado, além de diversas criaturas com padrões de ataque variáveis que testam a habilidade e a estratégia do jogador. Cada sala apresenta desafios únicos, desde armadilhas a hordas de inimigos, exigindo versatilidade em combate e tomada de decisão rápida. A dificuldade é elevada, mas não injusta, e cada derrota traz aprendizados valiosos.

A narrativa ainda guarda muitos mistérios. Pouco se sabe sobre o passado de Avelin ou o que significa, de fato, enfrentar seus próprios demônios. Mesmo assim, a ambientação sombria e o design expressivo dos personagens despertam curiosidade. O estilo visual cartunesco com tons sombrios lembra jogos como Hades, mas com identidade própria. Essa combinação de mistério, desafio e estilo torna o jogo cativante desde os primeiros minutos.
Conclusão: um roguelike desafiante com muito potencial
Mesmo em acesso antecipado, Grim Trials já demonstra sua força como um roguelike consistente, estiloso e desafiador. Avelin é uma protagonista intrigante, cercada por um mundo cheio de perigos e possibilidades. Com um sistema de combate exigente, upgrades permanentes e uma boa dose de mistério, o jogo oferece motivos de sobra para os fãs do gênero se manterem engajados.
O título ainda precisa de ajustes, especialmente no sistema de crafting e na apresentação de algumas informações essenciais. No entanto, seu alicerce é sólido, e a experiência geral é gratificante. Grim Trials tem tudo para se tornar uma referência entre os roguelikes indie modernos, e vale a pena acompanhar sua evolução até o lançamento oficial.
A Comunidade Mega Drive recebeu a chave para review do jogo.






