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Earthion – O retorno dos shmups 16-bit com trilha de Yuzo Koshiro

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Em meio a uma onda nostálgica por jogos retrô, Earthion chega como um verdadeiro presente aos fãs dos shoot ‘em ups clássicos. Desenvolvido pela Ancient, estúdio de Yuzo Koshiro, a lenda por trás das trilhas sonoras de Streets of Rage e The Revenge of Shinobi, o game foi inicialmente pensado para o Mega Drive. Porém, acabou ganhando versões modernas para Steam, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox Series e Nintendo Switch. Sendo que a versão de PC a primeira sair, agora dia 31 de julho de 2025.


A versão física para o Mega Drive está prevista apenas para o primeiro trimestre de 2026. Enquanto isso, a edição digital trazem uma experiência completa, com emulação fiel e bônus que encantam os curiosos por bastidores e extras de desenvolvimento. Mas será que Earthion está à altura de todo esse legado?

Spoiler: está sim — e com folga. Agora vamos mergulhar em tudo que esse jogo oferece.


Gameplay afiado que respeita o passado e inova no presente

Earthion entrega uma jogabilidade que mescla a essência dos arcades dos anos 90 com mecânicas modernas. O jogador controla uma nave equipada com tiros padrão e sub-armas, podendo carregar duas dessas especiais ao mesmo tempo. Essas armas extras são coletadas durante os estágios e incluem desde mísseis teleguiados até lasers em oito direções.

Conheça um pouco da gameplay do jogo abaixo.

O ritmo é acelerado, mas o jogo oferece um sistema de escudo que permite errar sem punição imediata. Esse escudo se regenera caso o jogador evite levar outro dano por um curto período, incentivando tanto a agressividade quanto o cuidado. Os cristais verdes caem dos inimigos derrotados e servem para fortalecer os tiros e recuperar escudos.

Além disso, o sistema de progressão através das cápsulas de adaptação permite evoluir a nave ao fim de cada fase. Essas melhorias incluem novos slots de armas, vidas extras ou aumento no limite de poder de fogo. Ao combinar isso com o sistema de senhas para continuar o progresso, o jogo entrega uma experiência acessível para iniciantes e desafiadora para veteranos, especialmente nos modos Normal, Hard e Hotshot.


Uma trilha sonora pulsante com o selo de excelência de Yuzo Koshiro

É impossível falar de Earthion sem destacar sua trilha sonora, que se mostra à altura da carreira de Yuzo Koshiro. Famoso por redefinir a música em consoles 16-bit, aqui ele entrega uma obra vibrante, envolvente e absolutamente sincronizada com a ação frenética na tela.

Utilizando o clássico chip Yamaha YM2612 do Mega Drive, Koshiro cria faixas que misturam electro retrô, batidas industriais e ambientações espaciais. A trilha parece inspirada por clássicos como Gradius, Thunder Force e Darius, mas com uma assinatura única que só ele poderia compor. Em alguns momentos, até elementos cômicos surgem, como efeitos sonoros dignos de R2-D2 durante o aparecimento de certos chefes.

A variedade de músicas entre as fases e os combates contra chefes é um espetáculo à parte. A tensão aumenta naturalmente com o andamento das trilhas, que alternam entre temas épicos e sons carregados de urgência. Tudo soa perfeitamente natural ao chip do Mega Drive, mesmo em momentos que parecem extrapolar os limites técnicos da plataforma.

Com isso, Earthion não apenas soa como um jogo retrô, ele soa como o ápice do que o Mega Drive poderia ter produzido em sua era de ouro. Um feito raro e digno de aplausos.


Gráficos 16-bit que beiram o limite técnico do Mega Drive

Visualmente, Earthion é deslumbrante. Cada fase possui identidade própria, indo de campos de batalha espaciais repletos de destroços até regiões subterrâneas que evocam o clima sombrio de Super Metroid. Há um equilíbrio bem acertado entre o orgânico e o mecânico, refletindo o enredo onde a Terra é ameaçada por invasores alienígenas que se fundem ao planeta.

A arte, liderada por Makoto Wada, surpreende pelo detalhamento. Explosões, efeitos de iluminação e mudanças atmosféricas dinamizam o cenário constantemente. Elementos do background interagem com o primeiro plano, exigindo atenção redobrada — embora, no início, certos obstáculos possam ser confundidos com o fundo, gerando frustração.

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Mesmo com esse deslize, o conjunto impressiona. A fidelidade à estética 16-bit é total, mas com o requinte de quem domina a técnica. Na versão para Steam, o jogador pode aplicar filtros CRT, scanlines e outras opções visuais que simulam a experiência original.

Além disso, o jogo oferece acesso a versões protótipos e demos antigas, revelando a evolução do projeto desde os primeiros conceitos. É um toque especial para quem ama a preservação da história dos games.


Alto fator replay e desafios extras para os mais persistentes

Embora a campanha principal de Earthion dure entre 1h e 1h30, o fator replay é altíssimo. O jogo convida o jogador a repetir estágios, seja para experimentar diferentes combinações de armas, seja para melhorar a pontuação.

Ao terminar uma fase com uma cápsula de adaptação, o jogador desbloqueia melhorias permanentes, o que incentiva uma progressão constante. (uma dica, leiam o COMO JOGAR do título). Essa mecânica lembra o sistema de Radiant Silvergun e adiciona uma camada estratégica importante: investir em poder ou em defesa? Manter uma arma extra ou uma vida a mais?

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Para os mais competitivos, o placar online também está presente, permitindo comparar resultados com jogadores de todo o mundo — algo que não estará disponível na versão para Mega Drive.

Graças às dificuldades ajustáveis e à estrutura de progressão, Earthion recompensa tanto a persistência quanto o domínio técnico, tornando-se um título ideal para quem curte o estilo arcade com profundidade moderna.


Um verdadeiro sucessor espiritual de clássicos como Thunder Force e Gradius

Não há como negar as influências de Thunder Force, Gradius, Darius e Radiant Silvergun em Earthion. A estrutura das fases, o design dos chefes, a curva de aprendizado e até os sistemas de armas ecoam o melhor da era 16-bit e dos arcades.

Porém, o jogo não se limita a ser uma homenagem. Ele incorpora melhorias modernas como sistema de escudos regenerativos, progressão baseada em desempenho e suporte a múltiplas dificuldades — algo raro nos shmups dos anos 90. Isso torna Earthion um ponto de entrada amigável para novatos e um desafio real para veteranos.

Enquanto muitos jogos tentam emular o passado com filtros visuais ou trilhas lo-fi, Earthion é autêntico até o osso. Ele foi feito para o Mega Drive desde o início, o que se reflete em cada aspecto técnico e artístico. Para quem deseja uma experiência retrô legítima, mas com conforto moderno, este é o jogo ideal.

E para os puristas, a espera pela versão física em cartucho será recompensada com um dos melhores shmups já produzidos para um console 16-bit.


Porém, o preço…

O preço de Earthion para a versão do Steam não é das melhores. Na verdade, achei ele bem acima da média para outros jogos “indies” que são lançados na plataforma. Atualmente por R$ 110,00, o valor está meio puxado.

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Na verdade o preço não foi localizado para a realidade brasileira, sendo que muitos jogos estão seguindo o mesmo caminho. E pensar que muitas vezes as versões multiplataformas que saem para o Steam é a mais barata, já dá para imaginar a facada que vai ser a versão do PlayStation, Xbox e Switch!


Depoimento do Alex, piloto da Comunidade Mega Drive

Há muito tempo um jogo de Mega Drive não me trazia esse sentimento que mistura nostalgia com euforia — a mesma sensação de alugar um novo cartucho nos anos 90. Pois é, Earthion conseguiu me levar numa viagem no tempo em todos os aspectos.
O jogo é incrível em todos os sentidos: visual monstruoso, músicas de Yuzo Koshiro (que dispensam comentários) e um desafio bem acirrado para quem não é expert em shmups, como é o meu caso, hehe.

Os cenários de Earthion atingem um nível majestoso, com uma pixel art impecável, efeitos de paralaxe impressionantes e uma horda de inimigos variada, atirando para todos os lados — tudo isso embalado por uma trilha sonora espetacular. As músicas são um show à parte e te transportam para o clima, como toda OST composta pelo mestre Koshiro. Inclusive, estou escrevendo este texto ouvindo a sua OST XD.

Ainda sobre o som, Earthion traz aquele efeito sonoro clássico presente em jogos como Revenge of Shinobi e o supremo Streets of Rage.

Este jogo é o maior presente que um fã do Mega Drive poderia receber. Ele prova que a vida de um console não é definida pela empresa que o projetou e o descontinuou, mas sim por sua comunidade — algo comprovado a cada novo lançamento que o “Megão” recebe ao longo dos anos.

Earthion é um jogo de 2025, mas com alma anos 90 em praticamente todos os aspectos. Mesmo com o lançamento físico adiado para o ano que vem, tenho certeza de que será um sucesso de vendas. Até eu, que não sou colecionador, fico imaginando como será o cartucho dessa obra-prima em 16-bits.


Depoimento do Marcelo, Piloto da Comunidade Mega Drive


Depoimento do Júlio Chiarini, Piloto da Comunidade Mega Drive

No dia 31 de julho de 2025 a lista de melhores Shmups para Mega Drive ganhou mais um integrante e seu nome é Earthion! A Ancient, empresa de Yuzo Koshiro que outrora nos brindou com Actraiser e Actraiser 2 (SNES), Sonic the Hedgehog (Master System) e tantos outros títulos memoráveis, conseguiu mais do que nunca elevar o nível de todos os jogos “After Market” que serão lançados futuramente.

Joguei pela primeira vez esse novo clássico com mesmo entusiasmo que tive quando descobri Truxton, Elemental Master e Thunder Force III na longínqua primeira metade dos anos 90! Gráficos soberbos, trilha sonora eletrizante e jogabilidade sólida embalam esse jogo com dificuldade na medida certa. Resumindo, vou logo terminando esse texto o mais rápido possível para voltar para jogatina de Earthion e recomendo o mesmo para você que leu esse texto até aqui rs


Concluindo aqui

Depois de muito tempo — mas muito tempo mesmo, — Earthion é apenas o segundo jogo aftermarket que realmente me passa a sensação de que poderia ter sido lançado entre 1994 e 1996, e facilmente se tornado um dos pilares dos jogos de navinha do Mega Drive.

Veja aqui a jogatina Earthion + Ninja Gaiden: Ragebound

A autenticidade desse título é impressionante. Ele parece, de fato, um jogo genuinamente feito para o console da Sega, algo que raríssimos títulos pós-vida útil do Mega Drive conseguiram transmitir. Xeno Crisis é o único outro exemplo que coloco no mesmo patamar. Todos os demais lançamentos aftermarket que surgiram nas últimas duas décadas sempre me pareceram faltar alguma coisa: um nível de polimento, uma direção artística mais alinhada com a plataforma ou até mesmo aquele “algo a mais” que nos convence de que estamos diante de um jogo legítimo do console.

Mas claro, essa é a minha opinião pessoal. Fora Xeno Crisis e agora Earthion, nenhum outro jogo lançado após o fim comercial do Mega Drive conseguiu me convencer por completo.

E um último átimo. Earthion fica, para mim, em terceiro lugar em jogos de navinha, pois Thunder Force IV e Thunder Force III ainda são os top dos top dos top top nesse estilo no Mega Drive!

A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave para o review desse jogo.

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