
Elden Ring: Nightreign marca uma mudança significativa na direção da FromSoftware — uma das desenvolvedoras mais influentes dos últimos tempos. Quando anunciado, o projeto gerou desconfiança. Afinal, por que o estúdio que moldou o gênero soulslike se arriscaria em uma fórmula que mistura elementos de battle royale, multiplayer cooperativo e roguelike? Nightreign prometia algo diferente, mas também corria o risco de trair as raízes da franquia. Felizmente, há muito o que elogiar… e também o que criticar. Esta expansão independente é ambiciosa, cheia de ideias criativas, mas com falhas que não podem ser ignoradas — principalmente para quem espera algo à altura do original.
Uma mistura ousada de gêneros com alma de Elden Ring
Nightreign parte de uma base conhecida — o universo sombrio e denso de Elden Ring —, mas entrega uma estrutura que lembra Fortnite e Overwatch. Cada partida começa com sua queda do céu em um ponto aleatório do mapa. A partir daí, você coleta runas, explora áreas misteriosas e enfrenta chefes ao final de cada “dia”. O ciclo se repete em três fases de 15 minutos, com dificuldade crescente e eventos aleatórios.

Essa abordagem adiciona tensão, pois cada ação impacta a preparação para o chefe final. Apesar da repetição, a dinâmica das partidas cria uma sensação de urgência constante. O mapa, chamado Limveld, oferece conteúdo variado e desafiador, incentivando a exploração cuidadosa.
A mistura de gêneros pode parecer arriscada, mas funciona bem. FromSoftware adapta elementos populares do multiplayer competitivo sem perder a identidade narrativa e visual que consagrou a série. Ainda assim, há momentos em que a experiência se torna inconsistente, especialmente quando a progressão depende de fatores imprevisíveis.
Sistema de classes limitado e com forte dependência da sorte
Diferente de Elden Ring tradicional, Nightreign exige a escolha de uma entre oito classes fixas — seis disponíveis desde o início e duas desbloqueáveis. Cada uma possui habilidades passiva, ativa e definitiva, o que traz profundidade estratégica. No entanto, o jogo impede a criação de builds livres, restringindo o jogador a modificações pontuais baseadas em atributos da classe.
O maior problema surge na aleatoriedade dos itens. Ao derrotar chefes ou explorar o mapa, os “drops” são totalmente randômicos. Jogadores de longa data sabem o quanto builds coerentes são fundamentais em jogos soulslike. Aqui, a aleatoriedade muitas vezes sabota a experiência, tornando batalhas desbalanceadas ou frustrantes.

Mesmo com a possibilidade de trocar itens com aliados ou melhorar armas básicas com pedras de forja, a falta de controle sobre a progressão limita o planejamento. Há ainda passivas que ativam apenas com a posse de certos itens, o que torna algumas combinações extremamente vantajosas e outras irrelevantes.
Essa imprevisibilidade pode ser emocionante em algumas runs, mas frustrante em outras. A sensação de que seu sucesso depende mais da sorte do que da habilidade pesa negativamente na experiência geral.
Problemas de qualidade de vida e ausência de recursos básicos
Um dos principais pontos negativos de Nightreign é a ausência de funções simples que melhorariam o ritmo das partidas. Atualmente, não é possível abandonar uma partida facilmente, nem mesmo entre amigos. A única forma de sair é sendo derrotado pelo primeiro chefe. Em um jogo com sessões longas, isso desestimula recomeços rápidos e pode prender o jogador em experiências frustrantes.
Outro ponto que incomoda é a ausência de uma opção para “aceitar a morte” de forma instantânea. Como o tempo é elemento-chave da jogabilidade, perder minutos preciosos esperando a derrota pode quebrar a imersão.

Além disso, a falta de crossplay limita o matchmaking, tornando mais difícil encontrar partidas rápidas e com qualidade. Isso se torna ainda mais grave considerando que o jogo foi pensado para três jogadores simultâneos. Em uma comunidade fragmentada, a experiência cooperativa sofre.
Problemas de performance também foram relatados, como quedas de FPS até em consoles de última geração. Embora não haja bugs críticos, o jogo claramente precisa de mais otimização. Para um lançamento da FromSoftware, essas falhas destoam da excelência técnica normalmente esperada.
Cooperação é o verdadeiro coração de Nightreign
Apesar dos defeitos, Nightreign brilha quando jogado em equipe. A estrutura das partidas foi claramente desenhada para funcionar melhor com três jogadores cooperando. Chefes desafiadores, eventos dinâmicos e recompensas compartilhadas fazem com que a coordenação entre aliados seja essencial para vencer.
Essa abordagem contrasta com os jogos anteriores da FromSoftware, onde o multiplayer era opcional. Em Nightreign, ele é parte central da experiência. A tensão aumenta com cada nova descoberta, e momentos épicos surgem com frequência: derrotas inesperadas, vitórias suadas e reviravoltas emocionantes.
O mapa de Limveld está repleto de segredos, caminhos alternativos e áreas de risco-recompensa. A exploração em grupo se torna mais dinâmica e estratégica. Um jogador pode encontrar uma relíquia rara enquanto outro abre caminho para o próximo chefe. A colaboração constante reforça o senso de equipe.
Para quem tem amigos para jogar, Nightreign oferece um dos modos cooperativos mais recompensadores da franquia. Quando tudo se alinha, a experiência é intensa, divertida e memorável.
Narrativa surpreendente e rica em contexto
Um dos maiores acertos de Nightreign está em seu aspecto narrativo. A princípio, parecia que a expansão seria apenas um pretexto para batalhas. No entanto, a FromSoftware desenvolveu histórias únicas para cada uma das oito classes jogáveis, que se entrelaçam com a campanha principal.
Dessa forma, o jogo consegue equilibrar ação frenética com uma trama envolvente. Missões secundárias são claras, diretas e mais acessíveis que nos títulos anteriores. Isso facilita o entendimento da lore, sem sacrificar a profundidade que os fãs tanto apreciam.

O novo cenário, Limveld, é uma versão alternativa de Limgrave, apresentada como uma realidade distorcida. A presença dos Senhores da Noite, entidades que oprimem esse mundo, reforça o tom sombrio e a sensação de urgência. Cada run é acompanhada por eventos narrativos que contextualizam os desafios enfrentados.
Ao contrário do que muitos temiam, Nightreign não é apenas “Elden Ring com loot aleatório”. É uma expansão com identidade própria, rica em ambientação, personagens e conflitos. Para quem valoriza a narrativa, essa adição ao universo oferece mais do que apenas lutas intensas — oferece mistério, peso emocional e propósito.
Conclusão: Nightreign é corajoso, mas precisa amadurecer
Elden Ring: Nightreign é um experimento corajoso da FromSoftware, que mistura gêneros e aposta no cooperativo como pilar da experiência. Mesmo com decisões questionáveis, como a progressão aleatória e a ausência de funcionalidades básicas, o jogo entrega momentos memoráveis — especialmente com amigos. Ainda assim, é difícil ignorar as falhas técnicas e o impacto da sorte no desempenho das partidas. Se a FromSoftware oferecer atualizações que corrijam os principais problemas, Nightreign tem potencial para se tornar um marco entre os jogos cooperativos de ação. Por ora, é um título instigante e imperfeito — como toda boa ousadia.
A Comunidade Mega Drive recebeu uma chave para fazer o review do jogo.






