
Fico surpreso quando dizem que Alien³, um título não exclusivo lançado para o Mega Drive, é um jogo difícil. Muitos citam a falta de um mapa para se orientar nas fases como algo meio sem lógica, sendo que existe o scanner para isso. Outra questão é que o jogo tem um relógio regressivo, tornando a exploração quase como um balé sincronizado.
Particularmente, acho que existem títulos bem mais difíceis que Alien³, como Alien Soldier, Kid Chameleon e um The Lost Vikings da vida. Pode ser que eu esteja dizendo isso porque sou versado nesse jogo em particular e não vejo muitos problemas com ele.
Na verdade, o próprio Kid Chameleon eu já finalizei umas cinco vezes na vida, então o colocaria na categoria de jogo cansativo, pois ele é bem extenso. Mas isso não vem ao caso agora.

Voltando ao Alien³, não acredito que seja um jogo difícil. Assim como outros títulos que passam por nossas mãos, ele é, na verdade, algo que exige paciência do jogador. Muitos jogos com armas de fogo acabam tendo balas infinitas, deixando o jogador mal-acostumado. Já em Alien³, toda bala conta.
Armas com contagem finita
Você tem em mãos três tipos de armas: uma metralhadora, um lança-chamas e um lança-granadas. Em momentos de desespero, ainda pode contar com granadas de mão, como último recurso, quando tudo o mais falhar.
Mas aqui entra um dos grandes segredos do jogo: saber dosar, da melhor forma possível, o uso dessas armas. Ficar segurando o botão B para sair atirando em tudo não vai resolver seus problemas.

Cada tiro conta — e muito. Aproveitar bem as mecânicas do jogo também é essencial. É possível eliminar boa parte dos aliens com uma boa combinação de tiros curtos da metralhadora, granadas bem lançadas e, por fim, o lança-chamas usado nos momentos certos. E esses momentos aparecem o tempo todo ao longo da aventura.
E os Aliens brotam do chão
Se economizar munição é essencial, saber avançar nas fases também é. Ao pegar Alien³ pela primeira vez, o jogador pode achar que se trata de um run ‘n gun comum. Mas, justamente quando começa a se sentir mais confiante, os aliens surgem do chão, tiram parte da sua energia e podem facilmente encurralá-lo.
Avançar no jogo exige parcimônia, zelo, cautela e, acima de tudo, paciência. Basta um pequeno descuido para morrer por bobagem — algo que acontece com frequência nesse título. Na verdade, a maioria das mortes ocorre muito mais por erros do jogador do que por algum bug ou falha do jogo.
Além das armas e dos aliens, ainda tem os prisioneiros
Boa parte das fases do jogo exige que você resgate prisioneiros infectados pelos aliens (algo que não faz muito sentido, mas não vou entrar nesse mérito agora). Se o jogador não conseguir salvá-los a tempo, os prisioneiros morrem — e isso custa uma vida. Somente após o resgate de todos é que a saída da fase se abre, permitindo a progressão.
Sempre que o tempo se esgota, o jogo dá uma ajudinha, mostrando onde os prisioneiros estavam. Assim, na próxima tentativa, o jogador já “sabe” por onde começar a procurar. É nesse ponto que entra o localizador, posicionado no canto superior direito da tela. Alien³ não conta com um mapa convencional, mas o localizador cumpre bem esse papel: ele mostra onde estão os prisioneiros e os aliens. Os prisioneiros aparecem como pontos vermelhos, enquanto os aliens são indicados por pontos azuis.
Em algumas fases, chegar até determinado prisioneiro exige que o jogador compreenda bem o design do cenário. Nos mundos finais, isso se torna significativamente mais complicado, exigindo memorização, boa navegação e ainda mais atenção ao tempo.
E ainda mais com o tempo regressivo
Além da munição limitada, dos mapas que mais confundem do que ajudam e dos aliens que brotam do chão, o maior desafio para muitos jogadores é o tempo regressivo. Sim, essa é a principal reclamação de quem experimenta Alien³ — e também o motivo pelo qual muitos desistem. Mas, sem essa mecânica, o jogo se tornaria consideravelmente mais fácil.
O contador regressivo é o elemento que força o jogador a desenvolver estratégias para avançar. É claro que ele vai morrer uma, duas, talvez três vezes. No entanto, o relógio funciona como uma ferramenta de treino e memorização. Como mencionei antes, sempre que o tempo acaba, o jogo mostra a localização dos prisioneiros restantes — e isso é valioso.

A partir daí, tudo depende da memória do jogador para seguir adiante. Joguei tanto esse título que, por perder várias vezes por causa do tempo, acabei decorando boa parte dos locais onde estão os prisioneiros. Os que não decorei, lembro no “instinto”, quase automático.
Alien³ é um daqueles jogos que respeitam o jogador ao oferecer mecânicas bem definidas. Se você se adapta a elas, o que encontra é um jogo com desafio equilibrado, jogabilidade sólida e, principalmente, uma trilha sonora envolvente e muito agradável de ouvir.
E você? Já conseguiu finalizar Alien³ do Mega Drive?






