Double Dragon: Uma breve lembrança…

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Não é novidade que o Mega Drive teve um grande numero de ports do Arcade em sua biblioteca. Jogos como Altered Beast, Golden Axe, Out Run, Two Crude Dudes, entre outros, faziam a alegria daqueles moleques que viviam nos fliperamas, que poderiam jogar seus Arcades preferidos em casa, em ports quase fiéis aos mesmos, sem ter de aturar “trombadinhas” que queriam mandar na forma de jogar.

Então, não podia faltar um port do jogo de luta mais copiado dos games em nosso querido console: DOUBLE DRAGON.

UMA BREVE LEMBRANÇA…

Eu fui um “rato de fliperama”, e no início dos 90, fui agraciado com um Mega Drive. Claro que os títulos do fliperama eram melhores, mas o console da SEGA era o que tinha mais games com a qualidade próxima deles em seus títulos. E descobrir que vários jogos do Arcade, que eu torrava minha grana do lanche, estavam disponíveis nele, era como achar que tinha uma máquina de fliperama em casa. Tive a sorte de ganhar vários títulos, e muito deles eu escolhia vendo aqueles folhetos que vinham com o jogo, onde havia um monte de fotos dos jogos. Ali eu conseguia reconhecer vários jogos que já tinha jogado no fliperama e pedir ao meu pai.

Mas, daqueles vários jogos que eu via no folheto, um realmente fazia falta naquela biblioteca. Um jogo de luta que ditou como deveriam ser os games de “briga de rua”. Eu até me perguntava por que não tinha no Mega Drive, já que eu tinha no meu Phantom System (as três versões) e já tinha visto e jogado no Master System.

Então, em uma dessas revistas da época (provavelmente deve ter sido em uma Supergame Power), vi que Double Dragon tinha sido lançado para o Mega Drive. Fui correndo na locadora do Roni e perguntei a ele se tinha o game. Não tinha, mas estava chegando mais jogos na outra semana e talvez poderia tê-lo. Esperei a semana toda e nada do game. Só depois de um mês o game chega na locadora e fui logo o primeiro a alugá-lo!!! Era piratão (nunca vi a versão original “en loco”), como a maioria dos jogos lá, mas não teve problema. Um sonho foi realizado naquele final de semana: jogar um dos meus Arcades favoritos no videogame que tinha os melhores ports até então. Mas nem tudo foram flores…

ONDE TUDO COMEÇOU

Double Dragon foi lançado pela Technos em 1987 para os fliperamas. Já existia alguns jogos no estilo (como Renegade, da própria Technos) mas esse jogo trouxe várias evoluções que depois foram copiadas a esmo. Double Dragon podia ser jogado por dois jogadores, o que duplicava a diversão. Os protagonistas podiam pegar diversas armas durante o jogo, sendo que algumas eram tomadas de seus adversários e havia algumas combinações de botões para desferir golpes especiais. O jogo tinha uma trilha sonora matadora e gráficos muito bons para a época. Um clássico absoluto dos Arcades e, para muitos jogadores, o melhor Beat’em-up já lançado na história dos videogames.

Depois de vários ports, como os mais conhecidos, do NES (que tinha a mesma premissa, mas o jogo era diferente do fliperama, sendo que só era possível jogar dois jogadores alternando, não dando para jogar no modo cooperativo) e do Master System (esse mais fiel ao Arcade, mas com gráficos bem abaixo), Double Dragon foi portado pela Ballistic Software e lançado pela Accolade em 1992 para o Mega Drive.

RESGATANDO MARIAN

A historia do jogo é simples: Marian, namorada de Billy Lee, é raptada por uma gangue chamada Black Warriors. Cabe a ele e seu irmão Jimmy Lee (que também tem um “interesse” na Marian) descobrirem onde ela foi mantida em cativeiro e desbancar os vilões da Black Warrior para resgatá-la.

Para isso, os irmãos passam por quatro “missões” (a cidade, a fábrica, a floresta e o esconderijo), lutando contra diversos inimigos.

ANALISANDO O PORT

Double Dragon teve um trabalho gráfico muito caprichado. As fases são quase idênticas ao Arcade, mas como o Mega Drive não tinha uma grande paleta de cores, o game não teve aquele colorido do fliperama e os sprites foram também diminuídos. Mas mesmo com a perda de cores, o jogo não ficou feio. Algumas partes também foram retiradas, deixando o jogo mais curto que a versão original e alguns detalhes nas fases ficaram de fora. Uma das partes retiradas mais sentidas no port foi o corte das fases (no original o jogo não tem cortes de uma fase para a outra, apenas uma pausa depois de derrotar o inimigo) e não poder levar as armas de uma fase para a outra. Outra retirada, que, quem conhece o Arcade vai sentir logo de cara, é que na versão do Mega Drive não existem aqueles “slowdowns” medonhos do Arcade. Em nenhum momento do jogo isso acontece. Ponto para o port!

A jogabilidade ficou melhor no console da SEGA, com respostas mais rápidas e precisas aos comandos. Muito disso se deve à falta de slowdowns, que atrapalhavam um bocado em determinadas partes do jogo. A forma de atacar os inimigos continuou idêntica, onde um botão soca, outro pula e um terceiro desfere chutes que podem ser combinados (cotovelada se você apertar soco + pulo e uma giratória se apertar chute + pulo). Os botões podem ser configurados na versão caseira. Além dos golpes, os irmãos também podem pegar diversos objetos que se encontram na fase, como barris, caixas e pedras, como também facas, chicotes e bastões que os inimigos carregam para poder derrotá-los. Na versão do Mega Drive, não é possível chutar as caixas, pedras ou latões.

Chegamos então onde o port falha vergonhosamente: seu som. As músicas do jogo até que honraram a versão original, sendo que uma ou outra foi cortada no meio (como a música da terceira fase, a floresta), mas mesmo assim ficaram muito fiéis. Agora os efeitos sonoros ficaram de péssima qualidade. Não existem os gritos dos personagens quando morrem, não há um urro do Abobo (eu vibrava quando ele dava um balão e gritava “Ehrrrrr”), não há um suspiro dos heróis quando morrem e nem um sonzinho dos ossos quebrando quando os inimigos ou os protagonistas caem no chão ou levam porrada. No lugar disso, sons estranhos dos inimigos morrendo e algo parecendo um “papel sendo rasgado” são emitidos.

Outro ponto fraco do jogo é a dificuldade. Em cerca de 15 ou 20 minutos, você chega ao final do jogo facilmente. A única parte do game que, se você chamar os inimigos, fica mais complicado, é o ultimo inimigo, pois se você ficar longe dele, ele te dá uma saraivada de tiros que o protagonista não consegue sair caso seja atingido.

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Se a produtora do port tivesse caprichado mais nos efeitos sonoros do jogo e também caprichado um pouco mais na dificuldade, certamente Double Dragon seria um dos melhores ports disparado do console, pois os seus gráficos estão muito próximos do Arcade.

Nota: Apesar da euforia em ter esse jogo na biblioteca do meu console preferido naquela época, a minha primeira experiência com o jogo não foi muito boa pelos dois quesitos já abordados: a baixa dificuldade e os efeitos sonoros sofríveis. Para mim, fiquei desapontado em não ouvir um “urrinho” sequer do Abobo

CURIOSIDADES

Double Dragon teve port em vários consoles. Até o Zeebo recebeu um port (reza a lenda que é um dos melhores jogos do console)…

– O Mega Drive recebeu mais dois ports do Arcade da série: “Double Dragon 2: The Revenge” e “Double Dragon 3: The Rosetta Stone

Double Dragon é mais um daqueles jogos que os colecionadores gastam muito por uma versão completa: giram em torno de $70,00 a $300,00… Nos “mercados livres” da vida você pode achá-lo de R$ 150,00 a módicos R$ 2.998,00 (não vou nem comentar…)!

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Sobre: Marcelo Pacheco

Marcelo Pacheco

Nome: Marcelo "Mac" Pacheco Sobre: Bancário e guitarrista nas horas vagas, sua paixão pelos games começou cedo, aos 5 anos, quando ganhou um Atari do pai. Apesar de ter vivido plenamente a guerra dos 16 bits, é um apaixonado por todas as "eras". Não é um colecionador de todos os games, mas tem uma considerável coleção de cartuchos da EA para o Mega Drive. Consoles Preferidos: NES, Arcade (não é um console mas ta valendo...), Mega Drive, Super Nintendo, Xbox, Playstation 3. Apelido: O apelido "Mac" vem de uma antiga brincadeira no chat da comunidade Mega Drive, no finado msn, onde sempre entrava com o codinome "Macgaren". Frase: “If I can't be my own, I'd feel better dead” (Alice in Chains)

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