O Mega Drive na vida do Gamer Cristão

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Olá amigos, antes de mais nada, permitam que eu me apresente: meu nome é Cleiton Munhoz, tenho 36 anos e fui summonado pelo Daniel para fazer parte desse maravilhoso site. Não é a primeira vez que eu faço isso: entre 2008 e 2015 eu fui o Tristan.ccm do site Museum dos Games (que inclusive faz parte da história que vou contar daqui a pouco).

Meu primeiro texto publicado em um site de games, nove anos atrás…

De lá pra cá muita coisa mudou na minha vida, mas teve uma que nunca mudou: meu amor pelos games, que começou há exatos 30 anos quando ganhei meu primeiro console, um Atari 2600 “Darth Vader” (lindo, todo preto, mas com controles embutidos que deram muita dor de cabeça). Depois dele tive um Dynavision 3 (quem nunca teve um famiclone que atire o primeiro cartucho) e adentrei ao maravilhoso mundo dos 16 bits através desse console por nós tão querido, o Mega Drive!

O interessante é que não paguei um centavo pelo meu primeiro Mega Drive! Em 1996 eu trabalhava com meu avô como catador de material reciclável: com um carrinho enorme, nós dois saíamos por aí pegando ferro, papelão, plástico, etc. que as pessoas jogavam fora para vender. Um dos materiais que vendíamos era o cobre, usado em aparelhos eletrônicos que desmontávamos, por isso sempre que alguém jogava fora um rádio estragado ou uma TV pifada, ela ia pra nossa casa, onde a desmontávamos, tirávamos o cobre e vendíamos, descartando o resto.

Meu primeiro emprego. E não me envergonho nem um pouco dele!

E vocês já devem estar imaginando o que aconteceu: um belo dia, numa sacola, um videogame completo, com todos os cabos, estava no meio do lixo: era um Mega Drive 3, com dois controles (um de 3 botões e um de 6), um cartucho de Sonic 2, outro do Batman e um adaptador de cartuchos de Master System. Movido pela curiosidade, decidi testar o aparelho antes de desmonta-lo pra tirar o cobre… E ele estava funcionando perfeitamente! Durante dois anos eu joguei nele, esses dois jogos e um terceiro que achei para vender numa lojinha da lendária Rua Santa Ifigênia: Vectorman. O videogame que alguém jogou fora se tornou minha diversão durante o meu tempo livre. Porém, isso acabou no dia em que um traidor cruzou meu caminho!

Dá pra acreditar que alguém jogue algo assim no lixo?

Lembra que contei sobre meu primeiro Atari? Pois bem o responsável tanto por ele quanto pelo Dynavision foi um tio meu, dez anos mais velho. Ele foi esperto: curtia jogar videogame na casa dos amigos, mas sabia que minha avó, mãe dele, jamais lhe deixaria ter um console. Então o cara convenceu minha avó que eu merecia ganhar um videogame. O próprio foi com o irmão, outro tio meu, na mitológica Mesbla buscar o “meu” Atari, que na verdade era ele que queria. Ele conquistava o console que tanto queria e, de quebra, um parceiro de jogatina: este que vos fala. Anos depois ele repetiu o golpe com o Dynavision (desta vez comigo ajudando, óbvio!). Mas o tempo passou, ele namorou, casou e abandonou os jogos. Com o tempo, teve um filho. E foi aí que terminou a história do meu primeiro Mega Drive.

Um belo dia, já com meu primeiro emprego “de verdade” num supermercado (com meu avô eu não tinha um salário propriamente dito, afinal era negócio da família), cheguei cansado e com vontade de jogar. Vou pro meu quarto e o Mega não estava onde eu tinha deixado. procura dali, procura daqui e nada do console aparecer, só achei a fita do Batman que estava junto com meus livros e longe dele. Decidi perguntar pra minha avó sobre o videogame. E ela me deu a seguinte resposta:
“- Seu tio levou pro seu primo.

– Como assim ‘levou pro meu primo’? Ele não me disse nada!

– Ele decidiu hoje. O menino não tem videogame, e você já tem 18 anos, não é mais criança pra brincar de videogame.”

Meu primeiro impulso foi pegar um ônibus, ir pra casa do meu tio e voltar com o Mega debaixo do braço! Mas aí eu pensei: meu priminho estava com ele, seria maldade tirar o brinquedo da criança. Além disso, meu tio tava ruim de grana, eu mesmo tinha emprestado algum pra ele… Fiquei com dó e deixei pra lá.

Com isso, acabei ficando afastado dos games por um tempo, não jogava mais nada. Até que descobri os emuladores e meu primeiro PC, um Pentium 100 doado pelo homem que hoje chamo de sogro, se tornou meu novo console. Eu jogava Mega Drive nele via Genecyst, mas ainda sentia saudade do meu antigo console tirado de mim de forma tão errada e estúpida. e foi aí que veio o Orkut e a Comunidade Mega Drive.

Com o advento das lan houses e do Orkut, pude interagir mais e melhor com gente como eu, que curte videogame. Entrei para o Museum dos Games e comecei a escrever sobre jogos, e quando o Youtube começou, achei que seria legal fazer também vídeos para o site, como outros já faziam. Minha primeira ideia foi cobrir um evento que a Comunidade Mega Drive faria em Jundiaí, um encontro de jogadores numa das poucas locadoras que ainda resistiam em 2011. Peguei minha esposa, uma câmera bem meia boca que eu tinha e encaramos duas horas de trem até lá, onde encontrei pessoalmente gente que antes era só uma fotinha no meu Orkut.

O vídeo não rolou, pois o jumento aqui esqueceu de colocar pilhas novas na câmera. Mas valeu a pena, me senti como há muito tempo não me sentia, cercado de pessoas que curtiam o mesmo que eu. Uma das coisas que ia rolar era o sorteio de dois consoles, um SNES e um Mega Drive. Todo mundo que foi no encontro participaria, mas eu nem levava fé, afinal era muita gente e não sou o cara mais sortudo do mundo. No dia seguinte, abro meu Orkut e vejo um monte de gente me dado parabéns. Decidi perguntar pra um deles e quase caí pra trás com a resposta: “você ganhou um videogame no sorteio do encontro, você não sabia?”

E 39 se tornou meu número da sorte!

Corri atrás de um vídeo, um streaming feito na hora do encerramento do encontro (não fiquei até o final pois minha esposa não estava passando bem), e lá estava: 13 anos após meu tio ter me roubado, eu era novamente o proprietário de um Mega Drive! O primeiro vídeo do Museum dos Games acabou sendo a retirada e o unboxing do console, dessa vez um Mega Drive 1 adaptado para AV, com Sonic 1 e um controle de 3 botões. Eu, que na época era ateu, confirmava algo que todo cristão acredita: a restituição em dobro!

“… o Senhor o tornou novamente próspero e lhe deu em dobro tudo o que tinha antes.” Jó 42:10

E hoje? Bem, não tenho mais o Mega, acabei vendendo-o por dois motivos: falta de grana e de tempo para jogar. Mas o console marcou minha vida duas vezes: veio de graça nas duas, foi embora com tristeza nas duas. Mas a vontade de ter um console ainda existe. Quem sabe um dia Deus me abençoa de novo e eu ganho outro videogame?

 

Sobre: Gamer Cristão

Gamer Cristão

Nerd, professor de Matemática e gamer desde os áureos tempos do Atari. Com muita fé em Deus e amor pelo eterno console da Sega!

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  • Juliano Reis

    Nossa, se nego entra na minha casa e tira um videogame meu, eu vou lá e busco na mesma hora. Não me interessa se é pro filho, se tá sem dinheiro, etc.
    Eu não me importaria de emprestar, mesmo que fosse por anos, mas roubar assim no descaramento é demais.

  • Já teria cortado pra sempre a relação com um tio desse, existem 3 coisas no mundo que ninguém deve mexer, 1 filha(o), 2 esposa e 3 videogame.

  • É complicado o lado do seu Tio, até entendo, mas ele deveria ter trocado uma ideia com você antes. Mas valeu, seu priminho hoje tem um sentimento plantado pelo Mega Drive de amor aos games. Entendo seu lado pelos games, já consegui montar 02 modestas coleções e infelizmente fui obrigado a me desfazer delas… Louco para sair do time dos 13!

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