Emulação ou coleção? Eis a questão!

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Por um lado temos a nostalgia de assoprar um cartucho, de abrir a caixinha daquele CD que marcou sua infância, do cheiro do plástico e dos controles originais. Do outro, temos a praticidade, a organização e a economia de tempo, espaço e dinheiro. O retrogaming tem essas duas vertentes: os que curtem rodar seus jogos preferidos em qualquer coisa que tenha uma tela e aqueles que não abrem mão do hardware original. Mas será que um desses lados pode se considerar superior ao outro? Neste artigo, iremos analisar essas duas vertentes e tentar entender os prós e contras de cada lado.

 

A história da emulação

Ao contrário do que muita gente pensa, a emulação não começou nem se restringe aos videogames. Existem, por exemplo, emuladores de calculadoras científicas caras para PC, usadas em ambiente acadêmico. O primeiro emulador propriamente dito era assim: emulava em máquinas mais atuais (para a época) as funções de um “terminal burro”, ferramenta dos primórdios da informática usada nas primeiras conexões entre computadores.

Nos games, o primeiro emulador que se tem notícia foi o Z26, usado pelos abastados donos dos 486DX2 de 1994 para rodar Atari 2600 em suas máquinas. Ele rodava no DOS, usava linhas de comando, não permitia joysticks e era extremamente limitado, não rodando jogos mais pesados do sistema como Pitfall 2 e He-man, por exemplo. Com o advento da arquitetura Pentium, outros consoles começaram a ser emuláveis. ROMs de NES começaram a circular em FTP (o tataravô do Torrent), e em 1997 surgiu o Genecyst, o primeiro emulador de Mega Drive. Apesar de precisar de um Pentium 1 com clock de 200MHz para rodar (praticamente um PC da Nasa para a época), tornou-se extremamente popular, com ROMs do sistema circulando adoidado, seja via disquete (as que cabiam, pois os disquetes da época armazenavam pífios 1,44MB), seja via modem discado, numa Internet que ainda engatinhava ou nas BBS que já davam sinais de senilidade.

E foi assim que muitos conheceram o Mega Drive!

Nos consoles, rodar jogos de uma plataforma em outra começou no Mega Drive mesmo, com seu popular adaptador de Master System. Mas assim como no caso do famoso Super Game Boy, que permitia jogar jogos do tijolão da Nintendo no SNES, ele não era um emulador, pois usava partes do hardware original para rodar os jogos. O primeiro emulador propriamente dito para consoles foi o imbNES, que permitia jogar Nintendinho no primeiro Playstation. No caso do Mega Drive o primeiro emulador de console foi o PGen, que rodava o console da SEGA no PS2.

Graças a esses programas, várias pessoas puderam conhecer clássicos como Sonic 2, Altered Beast e Gunstar Heroes sem ter tido um Mega Drive. E muitos conheceram o sistema dessa forma. Porém, com a popularização da internet, isso começou a gerar uma certa rusga entre quem tem o console e quem emula.

 

Críticas à emulação

As maiores críticas à emulação são relativas à diferenças entre o jogo rodando no emulador e no console original. Diferenças de som, gráficos, velocidade de processamento e mesmo nos pixels são apontadas como defeitos nos emuladores. Só que nem sempre a diferença é para pior: muitas vezes os emuladores possuem filtros que resolvem problemas causados pela limitação de hardware da época, como o flickering e slowdowns, além de aumentar a resolução da imagem.

Essa imagem mostra como os emuladores podem se aproveitar de hardwares mais modernos para deixar os jogos melhores do que nas versões originais. Mas nem sempre isso é vantagem aos olhos saudosistas!

Parece um bom negócio, certo? Para muitos, não! Existem pessoas que consideram corrigir esses defeitos um sacrilégio. Para eles, esses “defeitos” seriam como os chiados dos LPs de música, ou seja, parte da experiência de jogo. os emuladores até tem filtros que simulam as TVs de tubo e outras limitações da época, mas para essas pessoas não é o suficiente. Para essas pessoas, ter o hardware oficial funcionando (às vezes o mesmo aparelho de sua juventude), sentir o cheiro do plástico, assoprar o cartucho, fazer a sintonia fina da TV, tudo isso é tão ou até mais importante do que simplesmente jogar.

Essa imagem dá arrepios pra quem é adepto da emulação, mas os colecionadores nem ligam pra essa ruma de fios. Pra eles, até isso faz parte!

Outra coisa que leva os colecionadores a torcer o nariz para a emulação é um recurso inerente a eles: o save state. Para eles, se o console não salvava o progresso, o emulador não deveria fazer isso, e o recurso tira toda a dificuldade do jogo, tornando algo que era difícil e desafiante algo simples e sem graça. Para eles zerar Kid Chameleon no emulador, dando save a cada final de fase, não é a mesma coisa de zerar na raça, no console, deixando-o ligado à noite para dormir porque o cartucho não salvava.

 

Vantagens e desvantagens

Para os colecionadores, a vantagem clara de se ter o hardware original é a fidelidade. Como eles sempre rodam o jogo no hardware que foi projetado para roda-lo, não existe a dor de cabeça de ver o jogo não funcionar por causa de algum problema que não seja conector sujo, canhão desalinhado, etc., eles sempre tem certeza de que o jogo vai rodar. Existem jogos difíceis de emular, como por exemplo Star Wars Rogue Squadron de N64 e Virtua Racing de Mega Drive. Quem tem o cartucho e o console pode jogar na boa.

O problema: ter tudo isso em casa requer dinheiro e espaço. MUITO espaço! Consoles, cartuchos, TVs de tubo, tudo isso ocupa um espaço tremendo. Existem soluções que minimizam isso, como por exemplo o espetacular Superconsole do Eric Fraga, uma super-estante com dezoito consoles, rodízios para movimenta-lo, quilômetros de cabos de força e conexões de vídeo especiais ligando-os todos ao mesmo tempo numa enorme TV. Um verdadeiro mamute, absolutamente prático, belo… e caro! Nem todo mundo pode arcar com um desses. (Conheça mais dessa maravilha através desse vídeo!)

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E por falar em dinheiro, adquirir um novo jogo ou console também requer recursos. jogos mais raros como Megaman Wily Wars e Maximum Carnage custam mais que o próprio Mega Drive em alguns lugares, e mesmo jogos comuns e fáceis de achar andam meio carinhos no “Facada Livre”. Sem contar que o fato de alguns componentes dos consoles não são mais fabricados, e quem não manja de eletrônica deve ter muita fé no Senhor para que esses componentes durem bastante, caso contrário adeus jogatina!

Os emuladores não sofrem desse mal: packs com todas as ROMs de qualquer console são facilmente encontradas e cabem num pen drive de 8GB que cabe na palma da mão. E o melhor: você baixa gratuitamente. Nada de caixas e estantes entulhadas, nada de fios, nada de amolação na hora de guardar tudo depois de jogar… E nada de legalidade! Sempre é bom lembrar: emuladores e ROMs no Brasil são ilegais, pois ferem a lei 9610 de 19/02/1998, em seu artigo 87 do capítulo VII. Resumindo, essa lei diz que o proprietário dos direitos autorais de um software (jogos inclusos) pode autorizar ou proibir que alguém distribua, traduza, revenda, copie ou distribua o programa. Por sorte as autoridades nem tem como fiscalizar os downloads e uploads de ROMs e ISOs de jogos, mas isso não os torna menos ilegais.

No entanto, existem casos legalizados de emulação, pois a mesma lei que proíbe também permite que a dona da propriedade intelectual autorize a distribuição. Foi assim que surgiram algumas coletâneas de jogos antigos, como por exemplo a SEGA Genesis Collection, que nada mais é que uma versão legalizada do emulador Kega Fusion acompanhada de ROMs e alguns recursos gráficos extras. Mas esses casos são exceções, a maior parte dos jogos emulados são ilegais.

Coletânea do Mega Drive lançada para o Xbox 360. Repare no Sonic gordinho na capa, deixando bem claro que o público alvo são os retrogamers. Uma opção legalizada, mas ainda assim é emulador.

E então, o que é melhor? Console ou emulador?

A resposta é simples: o melhor entre esses dois é aquele que atende as suas expectativas e te faz se divertir! Quer sentir a textura e o cheiro do plástico daquele Sonic 2 que você jogava com seu primo na infância? Colecione! Quer jogar sem se preocupar em assoprar cartuchos e ligar e desligar fios? Emule! Emular não te faz menos retrogamer do que quem tem cartuchos e consoles originais, e tê-los não te faz superior a quem baixou um pack de ROMs de Mega Drive e joga no PSP, no meio da rua. Todos nós, que amamos games clássicos, somos retrogamers, seja jogando no PC, seja jogando no tubão!

Sobre: Gamer Cristão

Gamer Cristão

Nerd, professor de Matemática e gamer desde os áureos tempos do Atari. Com muita fé em Deus e amor pelo eterno console da Sega!

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  • Para quem está desempregado e com os consoles custando um absurdo, vai de Emulador mesmo!
    Não dá para pagar 400/500 em console sem caixa, controles… Mas a turma coloca a venda. Phantom System é um absurdo! Morto, sem chances de conserto por R$100 ? Não dá! Observação, moro no interior de MG então não tem feirinhas da sorte por aqui.

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