Alerta Elétrico – Parte 2

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Após o artigo escrito por mim e publicado aqui no site da Comunidade Mega Drive (clique aqui caso não tenha lido) em soma com o vídeo do canal Retroconsoleando, muitas dúvidas começaram a surgir, muita conversa e muitas críticas tanto positivas quanto negativas. O que é normal para um assunto tão polêmico.

Resolvi fazer um segundo artigo e último sobre esse assunto. Infelizmente o canal Retroconsoleando retirou o vídeo do ar. Não sabemos exatamente o motivo mas sabemos que teve, e não estou aqui para questionar. De qualquer forma parabenizo pelo vídeo, e sei que o intuito dele não foi difamar nenhuma empresa, mas sim gerar o alerta de risco para os consumidores.

Sim, ALERTA DE RISCO! Esse é o primeiro ponto a ser levantado. No primeiro artigo levantamos o alerta de risco. O esquema elétrico do circuito de entrada da fonte de alimentação não está configurado como uma forma de proteção de sobretensão convencional utilizada em circuitos eletrônicos.

Imagem 1 – Eltek FlatPack2

 

Imagem 2 – Braga Moro

A Imagem 1 mostra, por exemplo, uma unidade retificadora fabricada pela empresa Eltek modelo FlatPack2 com características de saída de 48Vdc/55A utilizada em sistemas de telefonia móvel. Como podem ver utiliza-se de varistores e fusíveis para proteção e na mesma configuração dita como correta no primeiro artigo. Esse equipamento é de desenvolvimento de 2015. Já a Imagem 2 é de um sistema de alimentação da Braga Moro de desenvolvimento de 1990 e que também utiliza do mesmo princípio de proteção, com praticamente o mesmo esquema elétrico (alguns componentes a mais são inseridos como centelhador a gás, capacitores X2, etc.)

Quando dizemos que há um risco, significa que há uma probabilidade de que algo aconteça, cuja a ocorrência não depende exclusivamente da vontade das partes interessadas. Dizer que o Mega Drive novo vai pegar fogo, que isso vai acontecer quando ligar na tomada é no mínimo imaturidade.

Há o risco do componente varistor entrar em curto com uma sobretensão e que por sua vez poderá gerar uma chama. Qual a probabilidade de isso acontecer? Nesse momento não sabemos. Precisamos levantar um banco de dados. Talvez a primeira coisa que precisaremos são dados da companhia energética informando o índice de descargas atmosféricas e/ou descargas eletrostáticas. Depois analisar quantos equipamentos foram queimados devido ter ocorrido a sobretensão provinda dessas descargas. Posteriormente filtrar desses equipamentos, aqueles que não tem uma proteção adequada. Assim vai gerando um banco de dados e podemos definir qual o risco. A probabilidade pode ser mínima, como já dita no primeiro artigo, mas que há o risco há.

Somente com sobretensão então que isso pode acontecer? A resposta é não! O mecanismo de funcionamento do componente opera bem quando o componente é novo, porém quando submetido a grandes correntes de surto, a grande temperatura resultante da passagem da corrente elétrica pode vir a fundir os grãos de óxido de zinco, diminuindo o isolamento elétrico entre os eletrodos do varistor. Em outras palavras toda vez que o varistor trabalhar vai gastando sua vida útil até que chegue no limite e entre me curto. Claro que essa vida útil é longa (podendo durar muitos anos, até décadas), dependendo do fabricante pode ser de até 100 mil ciclos.

Mas agora deve vir a pergunta: como assim o varistor trabalha. Uma das funções do varistor é de trabalhar como um supressor de ruído ou supressor de surto de tensão. As imagens 3 e 4 exemplificam bem o que o varistor faz. Definindo corretamente o modelo a ser utilizado os picos de tensão serão eliminados para o equipamento.

Imagem 3 – Surto em rede de alimentação

 

Imagem 4 – Surto suprimid0

Uma outra questão levantada foi a utilização do terceiro pino – O Terra. A normatização brasileira de aparelhos elétricos e eletrônicos são baseadas na IEC – International Eletrotechnical Commission. Nesse caso segue-se a norma ABNT NBR NM 60335-1, que nos diz que temos 5 classes para definição de isolamento. São elas a Classe 0, Classe 0I, Classe I, Classe II e Classe III.

No caso do Mega Drive ele está inserido na Classe 0 – aparelho no qual a proteção contra choque elétrico é assegurada exclusivamente pela isolação básica. Não permitindo meios para ligar as partes acessíveis condutivas, se existentes, ao condutor de aterramento da instalação elétrica. A proteção no caso de uma falha de isolação básica, fica dependendo das condições do ambiente. Infelizmente, analisando esse aparelho em específico, a norma ABNT NBR não exige que tenha o terceiro pino.

Apenas para informação, alguns países já nem adotam mais a Classe 0 e a IEC está pensando em rever essa questão e eliminar deixando apenas as Classes II e III.

Mas afinal de contas o que é a IEC? A Comissão Eletrotécnica Internacional é a organização mundial líder que prepara e publica Normas Internacionais para toda elétrica, eletrônica e tecnologias relacionadas. É responsável por designar terminologia, compatibilidade eletromagnética, desempenho, segurança e meio ambiente.

Logo quando dizemos que um aparelho ou equipamento está em conformidade com a ABNT NBR IEC, indica que todas as questões de segurança, desempenho, etc. estão de acordo.

Essa questão foi bem discutida, sobre normatização e segurança.  O fato é que de um certo ponto eu concordo quando alguns criticaram dizendo que nós consumidores abrimos os olhos para algumas coisas mas para grande maioria nem sequer falamos. Compra-se produtos sem homologações necessárias, sem certificações, etc.

Pois realmente, como consumidores devemos exigir sim a máxima qualidade dos produtos. Porém discordo quando dizem que estamos fazendo isso somente por ser uma determinada empresa, ou até mesmo pegando o equipamento como “bode expiatório”. Discordo, pois eu sou um grande admirador da empresa. Já tive o privilégio de poder ir no HQ deles e conversar com grandes pessoas lá dentro e fui muito bem recebido. Valorizo aquilo que eles fazem de melhor e fizeram. Porém como consumidor é meu direito exigir aquilo que é melhor, principalmente relacionado a segurança de produto.

A Portaria do Inmetro/MDIC 371/2009 estabelece critérios para conformidade de aparelhos eletrodomésticos ou similares, atendendo aos requisitos da norma ABNT NBR  NM 60335-1 – Requisitos Gerais e das normas de requisitos particulares da série ABNT NBR NM 60335-2-X aplicáveis ao produto.

A IEC que regulamenta esse produto em questão é a IEC 60335-2-82 – Household and similar electrical appliances – Safety – Particular requirements for amusement machines and personal services machines. Infelizmente não posso deixar aqui os procedimentos dos testes para que validação da conformidade de acordo com essa IEC, mas posso deixar alguns dos testes que deveriam ser realizados para então ser validade a conformidade de segurança do Mega Drive, com relação ao problema em questão levantado:

14 – Transiente overvoltages

16 – Leakage current and electric strength

19 – Abnormal operation

23 – Internal wiring

25 – Supply connection and external flexible cords

Todos os testes são descritos na IEC. Valores limites, modo, ambiente, etc. O motivo de não poder deixar descrito os testes é que para se ter acesso a eles é necessário comprar e mesmo que eu os tenha, não posso deixar publicamente. Claro que não são somente esses pontos para se ter uma certificação do INMETRO, há vários outros ensaios que devem ser realizados para estar em conformidade com a NBR IEC 60335-2-82.

O último ponto que quero mencionar é que, em nenhum ponto dessas IEC menciona que a utilização de um filtro de linha ou de um módulo isolador estabilizado isenta a estar em conformidade. Assim sendo, não é porque você soluciona o problema com a utilização de outros equipamentos que o principal não deve estar de acordo.

Há a boa prática de se utilizar tais equipamentos? Sim! É recomendado? Claro! Mas dizer que isso resolve o problema, novamente é imaturo. Esse jeitinho brasileiro de pegar algo errado, esconder debaixo do tapete e criticar quem levanta os questionamentos, ainda vai acabar nos matando.

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Sobre: Gui - Lenhador

Gui - Lenhador

Engenheiro por formação e GAMER por paixão. Iniciou a vida de jogatina desde cedo com um Dactar. Passou por alguns Game & Watch, pelos "Famiclones" e até jogava o grande Sistema Mestre. Porém foi em 1990 quando conheceu o Mega Drive com todo seu blast processing que sua vida mudou! Não se considera colecionador mas tem alguns consoles das antigas e das novas gerações.

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