A relação do Commodore Amiga com o Mega Drive
The Next Level — By Luiz Trindade on 24 de abril de 2012 8:00Olá, horda Mega Drive! A coluna “The Next Level” será focada em abordagens intimistas, analíticas e inflamadas pelo clima da maior Console Wars de todos os tempos. Nesse viés, o post de abertura traz vistas sobre uma plataforma explosiva e fundamental não só para o 16-bit da SEGA, mas para quase todos os videogames da geração: O Commodore Amiga.
Antes dos consoles de terceira geração, do Rap “estadunidense” ser o top da cultura de massa, e o Bart Simpson ser o personagem mais “cool” de todos os tempos, havia o Commodore Amiga. O Amiga, como era chamado pelo público, é um computador pessoal cuja história remonta à década de 1970, bem antes do surgimento dos consoles da SEGA e da Nintendo e, mais ainda, do Apple Macintosh ser adotado como a plataforma para trabalhos gráficos. Ele e o Mega Drive tinham em comum o mesmo processador: o Motorola 68000 – um microprocessador CISC 32-bit (Isso mesmo, o Megão tinha um processador 32-bit em plena geração 16-bit). Talvez isso explique não só a rapidez “Blast Processing” do 16-bit da SEGA, mas também a grande quantidade de games portados que este recebeu da plataforma Amiga, todos com excelente qualidade.
Os modelos de Amiga mais populares aqui no Brasil foram o Amiga 500 e 600 que tiveram, inclusive, distribuição oficial em terras tupiniquins. Estes modelos são os que melhor personificam o sistema como plataforma de jogos.
Enquanto os “State of The Art” Machintosh e os PCs mais poderosos da época rodavam monocromáticos e tinham sons gerados em PC-Speakers, o Amiga usava TVs ou monitores coloridos, era capaz de processar até 4096 cores (alguns mods permitiam até mesmo 16.8 milhões de cores), calculava polígonos e tinha som acima da média, combinando 4 canais de 8-bit de forma a alcançar resoluções de até 16-bit. Tudo isso fazia dele uma poderosa plataforma para multimídia (como games e cinema). Nele, grandes clássicos que conhecemos pelo Mega Drive foram concebidos.
Dentre as marcas que mais associamos aos jogos do Mega Drive, a Psygnosis certamente merece uma atenção especial. Essa softhouse inglesa produziu muitos títulos de sucesso para Amiga e teve grande parte deles portados para o Mega Drive, repetindo, também, o mesmo sucesso na plataforma da SEGA. O melhor exemplo a ser dado é o Jogo Shadow of The Beast – Clássico inexorável do Megão que surgiu no Amiga e abriu caminho para os consoles com um port simplesmente perfeito.
Claro que devido às limitações do cartucho, a versão do Mega Drive é castrada. A versão para Amiga tem incontáveis cutscenes pelas quais a narrativa é melhor explorada. E não pense que é besteira: jogar Shadow of The Beast no Amiga lendo os textos dessas cutscenes, cada uma com sua música, pode criar um clima sinistro em alguns momentos. Os textos são descrições das criaturas, pântanos, masmorras e até mesmo a sensação de morte e consequente derrocada à escuridão e ao sofrimento, vivida pelo personagem, é narrada no quadro de Game Over. Duvida? Veja por você mesmo.
Outro título indelével na memória dos fãs de Mega Drive, que também veio do Amiga pela Psygnosis, é Populous: um título de estratégia original em um modelo até então só visto nos computadores com teclado e mouse.
A adaptação dos comandos do computador para o Joystick de 3 botões do Mega foi matadora, só ousada novamente pela Enseable na criação de Halo Wars para Xbox 360. mais de vinte anos depois.
O Mega Drive recebeu incontáveis clássicos do Commodore, como a série Desert Strike, Flashback, Out of This World/Another World, Turrican, Lotus, Lost Vikings, Gods, John Madden, The Immortal, Sword of Sodan, Chuck Rock, Dune, entre tantos outros que nem imaginávamos. Nesse contexto, é importante perceber como, em regra, as versões do Mega Drive para jogos de Amiga eram superiores às versões do Super Nintendo – ressalvadas algumas exceções como, por exemplo, o game Out of this World, que realmente aproveitou tudo que o SNES tinha de bom, como a paleta de cor mais diversificada, não obstante a menor velocidade do processador e, por consequência, da ação em tela.
Como dito, o Amiga e o Mega Drive compartilhavam o mesmo processador (diferente do SNES que tinha um Ricoh 5A22 a 3,58 MHz). Certamente, isso facilitou sobremaneira a conversão dos jogos do padrão Amiga para o Mega que, bem, de certa forma, era um Amiga “Modded” com um processador de vídeo inferior. Particularmente, acho que isso torna os jogos de Mega ainda mais louváveis: as conversões tão perfeitas de Amiga para Mega tinham perdas insignificantes conquanto limitada a capacidade de vídeo do Mega Drive.
O vídeo abaixo é uma coletânea de 100 jogos de Amiga. Perceba a grande qualidade dos gráficos e animações – alguns até em 3D – e, a título de curiosidade, a música foi composta num mixer do próprio Amiga.
Há poucas dúvidas de que o que faz um console são seus jogos, e não seu hardware (tá aí o Wii, campeão de vendas, pra provar). Geralmente, quem prefere o Mega, prefere por seus jogos, não pelo seu hardware. Sendo assim, toda a geração 16-bit deve muito ao velho Amiga. Ele irradiou seus jogos inovativos por vários consoles da geração; moldou um aspecto visual que extrapolou os 8-bits e caracterizou toda a geração seguinte; e seus recursos de audio, com músicas de alta definição, feitas com sintetizadores, abriram possibilidades para trabalhos ímpares como o de Yuzo Koshiro e, recentemente, Martin O’Donell; ambos com premiadíssimas trilhas sonoras para videogames.
O Amiga é uma plataforma incrível na qual todo mundo devia dar uma conferida por dois motivos: ele redefiniu os padrões de qualidade do período de sua existência; e muito do que jogamos no Mega Drive foi feito nele. É verdade que alguns jogos exclusivos do Mega como Golden Axe e Ecco também fizeram o rumo contrário e ganharam versões para Amiga – mas isso foi em menor escala e, geralmente, com pouco brilhantismo.
A comunidade de usuários e entusiastas de Amiga é tão grande e produtiva que, graças a ela, quem usa Windows pode valer-se de um emulador – o WinAUE – para rodar jogos e aplicativos (de vídeo e som, inclusive). A configuração é um pouco complicada, mas você pode encontrar tutoriais facilmente pela net. Os jogos são praticamente “abbandonware” e você os acha aos montes em sites especializados. Basta conferir os links abaixo para baixar o emulador e alguns jogos. Vale lembrar que como esse emulador simula o funcionamento de um computador antigo (que fazia muitas trocas de disco) você terá que substituir a rom do disco 1 pela rom do disco 2, e pelo número de discos que os jogos tenham (geralmente, não excedem 4 discos). Pode parecer trabalhoso, mas é um pedaço da história dos videogames que vale à pena conhecer.
Site WinAUE (Emulador de Amiga): http://www.winuae.net/
Roms de Jogos de Amiga: http://goo.gl/6Pey5
































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